Um conto sem fadas

Em 16.09.2015   Arquivado em Crônicas

Lost It To Tyring – Son Lux

Talvez tenha sido o jeito com que você andou até mim no meio daquela festa à fantasia. Não diria que foi como aquelas cenas de filme, em que o garoto passa pela pista de maneira única, chamando a atenção de todos. Na verdade, foi uma entrada como outra qualquer. Um cara vestido de pirata com uma espada presa ao cinto e uma caneca de cerveja levantada no alto enquanto gargalhava. Romântico, não?

E eu ali, com a fantasia tão ou mais clichê quanto a sua: anjinho. E não sei por que raios acabei chamando a sua atenção. Quando dei por mim, já estava dançando com você em meio àquela multidão de personagens bêbados e histéricos.

Pulávamos e dançávamos como se houvesse apenas nós dois dentro daquele salão. O seu rosto estava mal iluminado devido ao jogo de luzes que ficava piscando frequentemente, mas ainda assim dava para ver o quão era lindo.

Não vou dizer que você me ganhou na conversa, porque na altura do campeonato, nós nem conseguíamos ouvir o que o outro falava com aquele som alto que enchia o ambiente. Era inútil tentar se comunicar, então logo começávamos a rir, um da cara do outro. Também não havia muita coisa para ser dita naquele momento. Nossos olhares eram capazes de se entender muito bem, obrigada. Estava claro. Eu queria você, e você me queria.

Nossos olhares haviam se conectado desde o momento em que eu o vi com a cerveja que você quase derrubou porque alguém havia lhe esbarrado. E naquele momento eu soube.

Nunca fui uma princesa, então nunca imaginei que fosse encontrar um príncipe encantado. Sempre gostei de algo mais aventureiro e avassalador. No fundo, sempre tive uma inclinação para piratas, sabe?

Mas quer saber qual é a vantagem de eu não viver num conto de fadas? Deu meia-noite e eu não precisei sair correndo para voltar para casa na minha abóbora gigante, nem perder meu sapatinho de cristal na corrida que não aconteceu. Deu meia-noite, e lá estávamos, eu e você.

E melhor do que nesses contos, nossa história não acabou com um beijo e um “feliz para sempre.” Terminou de uma maneira muito melhor. De uma maneira que eu sabia: haveria continuação.

– Posso te levar pra casa?

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