Triste felicidade

Em 10.11.2015   Arquivado em Crônicas

triste-felicidade

O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.

Como fingir a dor que se sente de verdade, Fernando Pessoa?
No auge de tudo o que já vivi (e vivo), nunca consegui essa proeza. A grosso modo, não consigo sequer escrever uma “autopsicografia¹” quando estou feliz. Deprimente, não?
Soará estranho dizer, mas ouso ficar feliz de estar triste, pois só assim sou capaz de deixar que um lápis ganhe vida em minha mão e passe a dizer o que se passa em meu coração.
Talvez me deixe feliz saber que mesmo triste, ao concluir essas linhas, alguma coisa boa tirarei daquela tristeza. Pois ao passo de que vou escrevendo, vou me entendendo. Ao passo de que vou escrevendo, talvez não saia só rabiscos e palavras desconexas. Se olhar atentamente, verás a tristeza se esvaindo de mim, dando um até logo, como se voltasse em breve, com a tal dor de Fernando Pessoa.
Enquanto isso, eu sorrio para as minhas queridas amigas: as palavras que nunca me faltam.

1. Pode ser entendida como “escrita automática da própria alma”;

Saindo dos trilhos

Em 21.09.2015   Arquivado em Crônicas

Trem

Skinny Love – Birdy

Aí vem o trem que me levará a outra direção. Tudo o que eu carrego é uma mala onde eu acredito estar a minha vida. Isso depois de uma história muito mal resolvida.

É uma história sobre o momento em que deixo de ser alguém com quem você realmente se importa.

Sempre achei que fosse pra sempre, sabe? Eu e você. Mas acho que essa ideia boba mudou quando eu comecei a arrumar a minha mala e vi que você apenas ficou encostado no batente da porta, assistindo àquilo. Eu tentei juntar minhas coisas até que devagar, na esperança de você me pedir pra ficar.

Idiota. Acho que essa história é mais sobre como fui idiota do que sobre nós. Tantas mentiras, tantas traições… E eu ainda preferia uma vida com você do que uma vida comigo mesma.

Começo a ter aqueles questionamentos que eu deveria ter tido durante todo o nosso relacionamento. Você me amou? Você realmente segurou a minha mão para me salvar ou me atirar no precipício em que estou?

Pena que eu só percebi tudo isso agora, sentada no banco enquanto espero o trem mais demorado da minha vida. O trem que finalmente me fará mudar de estação. E então eu darei aquele passo que eu deveria ter dado há muito tempo. Aquele que me fará ir embora sem olhar para trás, a fim de uma nova vida. Uma vida sem você.

Aí vem o trem.

Acerto de erros

Em 27.05.2015   Arquivado em Crônicas

acertodeerros

De: Breno

Para: Nina

Data: 12 de abril de 2015 03:15

Assunto: Acerto de erros

 

Sei que são 02h54 da manhã. Sei que provavelmente você já deve estar no seu décimo quinto sono. Na verdade, você sempre teve facilidade pra dormir, e eu sempre invejei isso.

Sempre fui do tipo “atormentado” pelos próprios pensamentos em plena madrugada. Principalmente quando o assunto é você.

Sei que não é normal escrever um e-mail dessa procedência nessa hora da madrugada, mas não estou aguentando essa barreira que você colocou entre nós. Já não atende mais minhas ligações, me bloqueou no Skype, no Facebook, no Instagram, e até mesmo no maldito Snapchat. E quando vou até o seu prédio, você pede para o Seu Floriano dizer que não está.

Então, decidi mandar este e-mail, antes que você se lembre de me bloquear por aqui também.

Sei que brigamos o tempo todo. Sei que meu ciúmes me domina, sei que você é estourada e odeia minhas “brincadeiras de moleque”. E sei que errei também quando te escondi a verdade. Sei que isso o que eu fiz foi mais uma molecagem. Mas eu sei mais que tudo que eu te amo e não queria magoá-la.

Droga, Nina… A única coisa que eu não sei é porque sou tão idiota.

A minha vida toda… Eu só fiz cagada. Nunca fui o melhor aluno ou o filho exemplar. Nunca fui o cara mais fiel, nem “o cara certo pra casar”. Na verdade, sempre fui do tipo que “surfa conforme a onda”, sabe? Daqueles que acreditam no sentimento do momento e pronto.

Aí você apareceu… Com esse jeito de menina mandona arrogante, querendo botar a banca e dizendo que sabia tudo sobre tudo. E eu lembro que quando tentei te lançar uma das minhas cantadas baratas, você teve a audácia de me responder: “Cuidado, moleque… Vai acabar se apaixonando por mim se continuar perto assim.”

Eu ri. Ri na sua cara, me achando o tal. Ri, ri, ri…. E no final, quem tava rindo era você. Rindo de mim de quatro por você. Rindo da minha risada, rindo o meu riso, rindo comigo.

Do dia pra noite você passou a fazer parte da minha vida, da minha casa, da minha cama, dos meus sonhos.

Parte de mim mesmo.

Botou a banca, e botou pra valer. Me botou na linha, me botou no caminho, me botou no lugar. E ali eu fui ficando, gostando, cuidando, me arrumando, te amando.

Só que moleque é moleque. Cai na piada, cai na dos amigos. Não vou ser cretino e dizer que a culpa foi deles. A culpa foi minha. Porque tive medo.

E o medo me fez te ver partir sem olhar pra trás, certa de que eu era o seu maior erro, quando mesmo errado, eu sabia que você era o meu maior acerto.

Você É meu maior acerto.

Nina, sei que nada do que eu falar justifica. E se estiver lendo até aqui, eu agradeço…. Porque nunca tive a chance nem a coragem de te dizer tudo isso. De te confessar o que você fez e é na minha vida.

Sei que não tenho quase nada a te oferecer, além de alguns acertos e muitos dos erros que provavelmente ainda cometerei. Sei que só tenho uns trocados e esse amor babaca… Mas… Mas eu te amo.

E… E eu ainda me lembro de como você me beijou debaixo da luz falha e turva da avenida. Eu ainda me lembro de como você sussurrou aquelas palavras meio sem sentido. Eu pensei que fosse efeito do álcool, mas acho que hoje eu finalmente entendi. Você disse:

 

– Tudo bem.

– Tudo bem o quê, maluca?

– Eu vou te perdoar, mas… Isso não significará muita coisa.

 

O problema é que significa, Nina. Você sabia que em algum momento eu ia errar contigo e mesmo assim decidiu ficar pra ver.

Você viveu um erro meio acertado. E eu vivi achando que era um acerto. Errado.

 

Só queria uma chance. Uma ficha. Uma aposta. Me deixa fazer certo?

 

Te amo.

Breno

Sobre a melhor série do mundo: SKINS

Em 06.05.2015   Arquivado em Na tela

 

Skins

Vocês devem estar pensando que eu sou a louca do Brás por estar escrevendo sobre uma série que já acabou faz dois anos. Eu sou mesmo. Me tornei completamente louca e viciada em Skins e vocês sabem, adoro compartilhar os meus vícios.

A verdade é que eu tenho um bom argumento para escrever sobre séries que já estão fora do ar. Eu ODEIO acompanhar séries que ainda estão sendo gravadas (apesar de estar acompanhando três :x), porque eu fico feito uma retardada contando os dias para a nova temporada ser lançada, e o hiatos costuma fazer com que eu esqueça toda a trama, onde parou, e os detalhes todos se perdem. This really pisses me off.

Então aproveitei esse amor grande que tenho tido pelo Netflix, comecei a explorar cada cantinho dele e minha mãe mandou eu escolher este daqui: Skins.

Confesso que um dos motivos pra eu ter demorando tanto para assistir Skins é o mesmo motivo que uso para o resto da lista de séries que quero assistir: preguiça. Sim, vocês não leram errado. Eu tenho um sério problema para começar a assistir por pura preguiça de ter que me apegar a um novo seriado com uma nova trama e novos personagens, e sou meio “monogâmica”, gosto de venerar uma série por vez, se possível.

Bom, vamos ao que realmente importa, galere!

Pra quem nunca assistiu por falta de interesse ou preguiça, vou explicar um pouquinho do que se trata a bagaça.

Skins tem como foco contar histórias de adolescentes malucos e drogados de Bristol (Sudoeste da Inglaterra) e trata de assuntos que rodeiam todos nós: dramas familiares, transtornos mentais, sexualidade… Mas tudo isso com uma pitada a mais de sexo, drogas e rock ‘n roll. Apesar de serem assuntos tão clichês para se trazer em uma série adolescente, eu adorei o jeito como tudo é retratado, mesmo que em alguns momentos as situações se tornassem exageradas demais. Acho que o exagero e o escárnio acabaram trazendo mais leveza pra história.

A verdade é que tudo nessa série acabou me cativando. Os personagens, as histórias, a fotografia da ambientação, a trilha sonora… Tudo combina! E o que mais me surpreendeu foi a qualidade do trabalho e da atuação dos atores, porque eu nunca havia assistido uma série britânica. Agora estou até caçando mais produtos ingleses, porque me apaixonei MUITO, lad.

Outra coisa que gostei é a atemporalidade da série. A cada duas temporadas, muda a geração de “skinners”. Confesso que inicialmente isso me preocupou, porque como eu disse, sou daquelas que se apaixona eternamente pelos personagens. Mas acabou que eu nem senti tanto isso. Os novos personagens eram sempre tão intrigantes quanto os da antiga geração. Acho que isso fez com o que a série não ficasse naquela “mesmice” que muitas vezes acaba estragando a trama como um todo. E diferente de muita coisa que eu já assisti, os finais nem sempre são felizes. Os finais acabam sendo… Como têm que ser, assim como a vida (Nats sensível mode on ~snif snif~).

Já deu pra perceber que eu SUPER HIPER recomendo Skins, né, gentem? *-*

ohyeah

Quem mais já assistiu e compartilha da mesma opinião que eu? E quem não assistiu… Que tal dar uma bizoiada e me contar o que achou? Conte-me tudo e não esconda nada!

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