O que é ter sucesso?

Em 27.08.2016   Arquivado em Crônicas, Off topic, Por aí

Ter uma boa posição no mercado de trabalho? Ter o carro do ano? Uma casa de dar inveja? Ser poliglota? Viajar o mundo? Conhecer muita gente? Ser um bom pai/uma boa mãe? Casar com o amor da sua vida?

Existem 7 bilhões de pessoas no mundo. Isso significa que são 7 bilhões de respostas diferentes. 7 bilhões (ou mais) de sonhos por aí.

São tantas vidas, tantos lugares que influenciam e refletem na nossa história… É tanta coisa acontecendo na roda da vida que muitas vezes acabamos nos perdendo no caminho. Saímos fora da rota (isso quando e se temos uma rota, né).

Na maioria das vezes achamos que temos tudo sobre controle. Um plano perfeito e infalível que simplesmente não tem como dar errado. Afinal de contas perdemos um tempo arquitetando-o em nossa mente. Muitas pessoas até externam e colocam tudo no papel – dizem que fazê-lo torna o plano/sonho (ou do que quer que chamemos isso) mais consistente, mais “possível”. – Na teoria tudo é lindo, né?

O problema é quando algo sai fora daquilo que era esperado. Mas vale ressaltar que não estamos falando de um acidente de percurso – estes existem apenas para tornar a aventura um pouco mais emocionante e gratificante. – Estamos falando de quando o nosso sonho, a nossa ideia, o nosso plano…! Simplesmente perde o sentido.

Sentiu o peso da frase em negrito? Se fosse um filme ou um livro diríamos que é o ápice da história. O momento de tensão que geralmente explica todos os acontecimentos e que ao final (na grande maioria das vezes), tudo se resolve. Mas acontece que não é um filme. Não é um livro. É a nossa vida. E as coisas não se resolvem simplesmente. E enquanto continuamos na batalha interna entre nós e nós mesmos, o mundo continua a girar e as pessoas correndo atrás do chamado “seu”.

Sentamos na plateia e assistimos essas pessoas conseguirem chegar onde querem enquanto ficamos para trás tentando entender a moral da história e tentando descobrir o que fazer pra chegar lá (seja lá onde esse nosso “Lá” esteja). Pensando no quanto essas pessoas são tão melhores. Porque a grama do vizinho é sempre mais verde.

Perdemos tanto tempo tentando responder a si mesmos “o que é ter sucesso” que esquecemos a pergunta que verdadeiramente importa: o que faz você feliz?

Ser adulto não é difícil. Difícil é nos encontrarmos. Difícil é sermos nós mesmos. Difícil é acharmos o nosso lugar ao sol. Difícil é sabermos qual dos mais de 7 bilhões sonhos é o nosso correndo perdido pelo mundão afora. Difícil é descobrirmos a que viemos. Difícil é ser feliz. E ter sucesso (?). Difícil é…………

Ninguém é obrigado

Em 24.08.2016   Arquivado em Crônicas, Off topic, Por aí

Dia desses um amigo fez aquela pergunta que todo mundo responde em algum momento da vida: “Você já se decepcionou com as pessoas? Com o amor?”

Sabe aquele silêncio ensurdecedor que paira no ar nos momentos mais inesperados? Pois é.

Fico me perguntando até agora por que diabos minha voz ficou entalada na garganta e eu não consegui dar a resposta que já estava na ponta da língua. Vai ver é aquele medo de se expor que no fundo todo ser humano tem. Aquele medo de se mostrar frágil. De se mostrar quebrável.

E mesmo depois da conversa fiquei com aquela pergunta ecoando nos meus ouvidos quando deitei a minha cabeça no travesseiro. Porque eu tinha mesmo a resposta na ponta da língua.

Afinal de contas, acho que todos nós um dia já sofremos e nos decepcionamos. Dentro e fora do amor. E comigo, claro, não seria diferente.

Sabe por que nos decepcionamos? Porque esperamos demais das pessoas. Achamos que só porque somos capazes das loucuras mais absurdas quando gostamos de alguém (não só no amor, mas também na amizade), só porque nos entregamos demais, achamos que as pessoas têm a mesma obrigação conosco. Que o sentimento precisa ser mútuo.

Só porque eu já cansei de largar minhas obrigações pra socorrer uma amiga que tá com dor de amor e passar a madrugada com ela vendo filmes, comendo gordices e aconselhando, não significa que essa amiga irá fazer o mesmo por mim. Só porque eu abri mão de sonhos para estar ao lado de um grande amor, não significa que esse grande amor fará o mesmo por mim. Conseguem entender?

As pessoas nem sempre fariam o mesmo por nós. E é aí que mora a polêmica! Sabe aquela famosa frase da sociedade contemporânea dos memes malucos? “Eu não sou obrigada!”? Pois é, ninguém é obrigado a ser recíproco. E isso deveria ser completamente aceitável.

Só que não é. Em se tratando do ser humano, não é. Somos egoístas mesmo sem querer. Queremos aquilo que as pessoas são incapazes de nos oferecer. E nem é culpa delas, sabe? Como elas vão oferecer algo que não têm?

Meu pai sempre me dizia isso e eu demorei muito pra entender. Confesso que até hoje ainda me custa aceitar, mas é a mais pura verdade. Precisamos parar de esperar demais das pessoas e a ser tão dependentes delas. Se aquilo é o que elas têm para oferecer e não lhes é o suficiente, então talvez seja hora de deixar pra lá, não acham? Afinal de contas… Nós também não somos obrigados a viver com pouco, viver de miséria. Isso mesmo. Não somos obrigados. Ninguém é.

A praga que é te esquecer

Em 31.07.2016   Arquivado em Crônicas

Ouça: Like a Fool – Keira Knightley

É engraçado como acreditamos no poder de certas atitudes para esquecer alguém. Quer dizer… Eu acreditei de verdade que apagando suas fotos das minhas redes sociais… Ou rasgando aquelas outras do mural fariam eu simplesmente esquecer que você já esteve na minha vida.

Eu também acreditei que deletando as músicas do meu iPod – aquelas que costumávamos escutar dividindo o fone de ouvido enquanto ficávamos deitados na sua cama olhando as estrelas pela janela – também deletariam você da minha memória.

Tive certeza absoluta que ia esquecer completamente as noites que você dormiu na minha cama trocando os móveis de lugar e dando embora os objetos de decoração que você me deu – e que eu adorava tanto.

Doei até mesmo as roupas que você me deu. Ou aquelas que você gostava que eu vestisse. Lembra aquele vestidinho azul, o meu preferido? Dei embora com muita dor no coração, só porque você dizia que eu ficava incrível nele.

E seu nome? Fiz minhas amigas banirem do nosso vocabulário. Fizemos um pacto e toda vez que alguém citar o seu nome, perde dez reais. E mesmo assim, adivinha quem é a que perdeu mais dinheiro? Se apostou em mim, acertou. Acertou em cheio.

Aliás, você me acertou tão em cheio que eu já nem sei mais quem sou. Fico me perguntando o que mais eu tenho de fazer pra tirar você da minha vida, dos meus pensamentos, dos meus lábios, dos meus sonhos. Já me peguei rezando à noite, pedindo a Deus que me livrasse das memórias que me levam até você. Já me peguei torcendo pra que aquele tratamento de esquecimento do filme “Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças” – aquele filme que assistimos juntos, lembra? – existisse, porque eu certamente aceitaria passar pelo processo. Eu aceitaria qualquer remédio, qualquer macumba, qualquer droga que substituísse o vício que você se tornou na minha vida.

Daria tudo por uma noite bem dormida, um sonho que só fosse meu, um pensamento que só fosse sobre mim, uma música que me lembrasse a mim. Daria um dos meus rins se dissessem que isso funcionaria.

Já tentei tudo o que é possível pra te esquecer. E mesmo assim, continuas muito vivo em minha memória. Eu lembro de tudo. Lembro até mesmo do timbre da sua voz enquanto andava de costas me encarando no meio daquele parque e me ordenava que eu fizesse o que eu tenho tentado fazer durante todo esse tempo: “Me esquece.

Do que sei sobre o amor

Em 15.06.2016   Arquivado em Crônicas

amor

Ouça: Like I’m Gonna Lose You – Meghan Trainor ft. John Legend

 

Eu não sei. Tudo o que eu consigo fazer quando tento nos explicar pra alguém é sorrir.

Eu poderia até me fazer de difícil contigo, poderia bancar a irritadinha que sempre fui e simplesmente não dar o braço a torcer. Porque eu… Eu nunca fui de me entregar assim, de primeira. Comigo tudo sempre foi um jogo, sempre foi na base das entrelinhas, das indiretas.

Só que com você isso simplesmente nunca aconteceu. Com você não existe joguinho, não existe armas de ataque e defesa. Eu nunca precisei mentir ou omitir o que sinto e penso. E isso é, sem dúvida, o que eu mais amo na gente – dentre tudo o que existe na gente e que eu amo tanto.

Aliás, amo tudo na gente. Amo como eu me perco no verde dos olhos mais brilhantes que já cruzaram os meus. Amo como sua mão encontra o meu rosto com facilidade e a maneira como meu corpo reage ao seu simples toque. Amo como a minha mão se encaixa na sua.

Amo como me sinto completa e inteira ao seu lado. Como não preciso mentir nem fazer média contigo.

Amo a maneira como os cantos dos seus lábios se curvam pra baixo quando eu digo algo que te surpreende. Amo o som da sua risada e como você sempre dá uma encolhidinha nos ombros pra rir, como se fosse uma criança.

Amo quando me puxa pra si como se não precisasse de mais ninguém por perto. Amo como até o timbre da sua voz muda rapidamente quando você está conversando com alguém e de repente está falando comigo. Amo o zelo que emana do seu olhar quando está me observando.

Amo o jeitinho cúmplice que me olha quando estamos no meio das pessoas. Como nos entendemos só com um olhar. Amo quando você faz aquela carinha de sem vergonha e não pode comentar o que tem vontade.

Amo sua feição de sono lutando pra não dormir. Amo como não tem vergonha de mostrar que precisa de mim e me quer por perto. Amo como você nunca escondeu o que sente perto dos seus amigos. Amo como soamos tão natural perto das pessoas. Amo nossas piadas e nosso jeito de provocar um ao outro. Amo quando soltamos farpinhas e logo nos redimimos porque não queremos errar com o outro, não queremos repetir erros de relacionamentos passados. Amo quando diz “nossa casa/nosso quarto/nossa cama” em uma frase. Amo quando você fala sobre uma vida juntos.

Amo o som do seu “R”. Amo quando me chama de chatice. Quando me chama de guria então…! Perco o chão. Aliás, quer me ver perder o ar? É só dizer “nossa, você me deixa louco, guria” com a voz um pouquinho rouca e dar aquela estreidadinha no olhar da maneira que você faz.

Amo como você nunca teve medo de demonstrar ou dizer o que sentia, desde aquela noite, naquele parque. Amo como você me mostra como sua “fraqueza”, como você amolece e não se importa com isso.

Amo o jeito como me aperta contra seu corpo. O jeito como me prende. Amo como o seu corpo se encaixa e se molda ao meu. Amo o desejo que emana do seu olhar quando estamos só eu e você. Amo como a minha pele parece queimar quando você me toca. Quando você diz que sou linda e o quanto me deseja. De que sou a melhor e não existiu nenhuma como a mim. De que sou única.

Amo cada parte de ti que chega a doer, garoto.

Eu. Amo. Te. Amar.

Carta aos Leitores

Em 18.02.2016   Arquivado em Por aí

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Liberdade ou Solidão – Tiago Iorc

Sim, dessa vez eu vim me explicar. Porque apesar de não serem muitos, vocês, meus leitores, têm sido fieis e vindo visitar o Além do Meu Mundo com mais frequência do que eu esperava. Aliás… Não só vieram visitar, como também vieram perguntar por onde a dona desse mundo andava.

E por esse motivo acho que lhes devo satisfações e desculpas por ter sumido sem aviso prévio.

Quem me conhece sabe que não sou de ficar expondo minha vida pessoal aqui no blog. Quer dizer… Nem precisa me conhecer o suficiente. Basta dar aquela checada básica no conteúdo dos posts. Por isso, talvez alguns de vocês considerem as minhas explicações um tanto quanto superficiais. Vou tentar fazer o máximo para me fazer compreendida.

Pois bem. O Além do Meu Mundo parou por um tempinho, mas o meu mundo não. Muitas coisas aconteceram desde o último post, e por vezes pensei em postar uma crônica pronta. Eu tenho um enorme arsenal já pronto e poderia muito bem ter alimentado o conteúdo do blog. Mas o problema é que eu não sentia vontade.

“Como assim, Nats? É só copiar e colar, quirida.” Ora essa, eu bem sei! Afinal de contas, os posts geralmente são pré-produzidos, o que significa que não os produzo no momento de postá-los.

Inúmeras foram as vezes em que loguei na conta para postar. Mas por algum motivo que até agora não sei dizer qual, achava que nenhum dos posts que eu tinha deveria ser postado naquele momento. Não era o momento deles, sei lá. Dá pra entender?

Sei que não… Mas não se preocupem, pois isso me frustra tanto quanto deve frustrar vocês. Quer dizer… Esse é o momento em que eu tenho mais ideias, mais coisas brotando do meu coração e prontas para serem passadas para o papel (ou tela). E toda vez que peguei meu livrinho de viagem… Toda vez que abri o Word… Meus dedos tamborilavam e desistiam.

Porque minha cabeça está a mil e não consegue transferir o comando certo aos meus punhos. Não consegui escrever para o blog… Não consegui escrever minha fanfiction… Não consegui escrever uma porcaria de um cartão postal! E então eu acho que entendi.

Entendi depois de muito tempo que era tempo de não escrever, mas sim de viver. Estou sempre tão preocupada em querer escrever sobre tudo o que vejo e todos que conheço e desconheço… Que esqueci de escrever a principal história: a minha.

A realidade é que sempre esqueci de mim. Sempre coloquei as pessoas na frente, cuidei muito mais delas do que de mim. Gostei muito mais delas do que de mim. Na teoria e na poesia isso é lindo. Mas na prática…

Você vai desaparecendo sem nem perceber. E essa foi a minha resolução de Ano Novo: eu desapareci.

Desapareci e não sabia como mudar aquela sensação. Pela primeira vez me senti um pontinho sendo engolido pelas luzes e prédios da minha tão amada New York. Pela primeira vez não me senti parte dela nem de nenhum lugar. Algo estava muito errado e eu precisava mudar.

Era hora de eu começar a “olhar para o meu umbiguinho”, hora de pensar no que era melhor para mim, e não para os outros. Tem uma frase que pelo menos uma vez na vida todos nós escutaremos. “É você em primeiro lugar, você em segundo, em terceiro… E DEPOIS você pode PENSAR em começar a pensar em alguém.” Pois bem.

Pensar apenas em si mesmo não é assim tão simples quanto parece, não se deixe enganar. Porque pensar em si mesmo inclui ignorar o que as pessoas pensam sobre você ou se você terá que magoá-las para colocar o seu interesse e a sua pessoa em primeiro lugar. Inclui você tentar parar de controlar tudo ao seu redor. Inclui você parar de controlar o que sente e começar a se perguntar o que de fato está sentindo.

E é nesse processo em que me encontro neste exato momento. Foi uma surpresa quando finalmente decidi abrir os meus olhos, quando finalmente decidi olhar para baixo e me enxergar em vez de olhar para os lados. Tem coisa pra mudar, muita coisa pra fazer. E eu nem sei direito por onde começar, mas a principal coisa eu tenho: vontade.

Vontade de me amar. Vontade de tentar. Vontade de errar. Vontade de crescer. Vontade de me arrepender. Vontade de arriscar. Vontade de correr. Vontade de me machucar. Vontade de sarar. Vontade de refletir. Vontade de escrever. Vontade de concluir. Vontade de recomeçar. Vontade de viver.

E a notícia é: tem tanta vontade em mim que estou voltando. A espera acabou, meus leitores, meus amigos.

Triste felicidade

Em 10.11.2015   Arquivado em Crônicas

triste-felicidade

O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.

Como fingir a dor que se sente de verdade, Fernando Pessoa?
No auge de tudo o que já vivi (e vivo), nunca consegui essa proeza. A grosso modo, não consigo sequer escrever uma “autopsicografia¹” quando estou feliz. Deprimente, não?
Soará estranho dizer, mas ouso ficar feliz de estar triste, pois só assim sou capaz de deixar que um lápis ganhe vida em minha mão e passe a dizer o que se passa em meu coração.
Talvez me deixe feliz saber que mesmo triste, ao concluir essas linhas, alguma coisa boa tirarei daquela tristeza. Pois ao passo de que vou escrevendo, vou me entendendo. Ao passo de que vou escrevendo, talvez não saia só rabiscos e palavras desconexas. Se olhar atentamente, verás a tristeza se esvaindo de mim, dando um até logo, como se voltasse em breve, com a tal dor de Fernando Pessoa.
Enquanto isso, eu sorrio para as minhas queridas amigas: as palavras que nunca me faltam.

1. Pode ser entendida como “escrita automática da própria alma”;

A farsa da Mulher-Maravilha

Em 04.11.2015   Arquivado em Crônicas

mulhermaravilha

Wondergirl – Hey Monday

Você já sentiu como se não fizesse parte do seu próprio mundo? Se a resposta é sim, então acho que sabe do que estou falando. Se a reposta é não, acho que vai passar a entender agora.

Durante todo esse tempo, eu apenas tentei não decepcionar ninguém. Afinal de contas, sempre depositaram fé em tudo o que eu me prontificava a fazer. Fé até demais.

Sem querer, fui criando uma imagem de que eu era mesmo uma pessoa incrível e célebre. A mais inteligente da turma, a melhor companhia para festas, o melhor ombro para chorar, o melhor ouvido para desabafar.

E quando eu percebi, era tarde. Já era o “Sonho Americano” de todos os que me rodeavam. E sabe de uma coisa? É um saco! As pessoas sempre esperam que você não erre. Porque você é perfeita. Porque você foi criada para não cometer erros. E quando os comete, é como se o mundo desmoronasse.

Eu não deveria me sentir mal por isso. Mas me sinto. Porque não posso apenas jogar tudo para o alto, não posso me desligar do mundo, sumir das redes sociais e colocar o celular no modo avião. Não posso encher a cara e acordar no tapete de uma casa onde passei a noite inteira festejando. Não é simplesmente assim que as coisas funcionam.

Não sou nada do que os outros pensam que eu sou. Ninguém me conhece. Nem eu me conheço! Dizem que gastamos uma vida toda para conhecermos a si mesmos, e que algumas pessoas sequer conseguem cumpri-lo. Frustrante, eu sei.

Eu posso ser forte, mas não sou invencível. Só queria que as pessoas parassem de me colocar num pedestal e depositassem toda a fé que lhes restam em mim. Ser a Mulher-Maravilha não vai me salvar.

Eu sou só uma menina. Uma menina tentando se encaixar no seu próprio mundo.

Saindo dos trilhos

Em 21.09.2015   Arquivado em Crônicas

Trem

Skinny Love – Birdy

Aí vem o trem que me levará a outra direção. Tudo o que eu carrego é uma mala onde eu acredito estar a minha vida. Isso depois de uma história muito mal resolvida.

É uma história sobre o momento em que deixo de ser alguém com quem você realmente se importa.

Sempre achei que fosse pra sempre, sabe? Eu e você. Mas acho que essa ideia boba mudou quando eu comecei a arrumar a minha mala e vi que você apenas ficou encostado no batente da porta, assistindo àquilo. Eu tentei juntar minhas coisas até que devagar, na esperança de você me pedir pra ficar.

Idiota. Acho que essa história é mais sobre como fui idiota do que sobre nós. Tantas mentiras, tantas traições… E eu ainda preferia uma vida com você do que uma vida comigo mesma.

Começo a ter aqueles questionamentos que eu deveria ter tido durante todo o nosso relacionamento. Você me amou? Você realmente segurou a minha mão para me salvar ou me atirar no precipício em que estou?

Pena que eu só percebi tudo isso agora, sentada no banco enquanto espero o trem mais demorado da minha vida. O trem que finalmente me fará mudar de estação. E então eu darei aquele passo que eu deveria ter dado há muito tempo. Aquele que me fará ir embora sem olhar para trás, a fim de uma nova vida. Uma vida sem você.

Aí vem o trem.

Uma carta do presente para o passado

Em 17.09.2015   Arquivado em Inspiração

DivCarta

E se você tivesse a chance de mandar uma carta ao seu eu do passado?

 

Ei, Nats de 2006! É, é assim que te conhecerão daqui uns anos, então nem entorta a cara pensando “prefiro Naty” porque isso de colocar “Y” no apelido já é super last week, believe me.

Pensei muito antes de escrever essa carta, porque tive receio de te privar de algumas coisas, mas me conhecendo como me conheço, sei que por mais que eu te avise das coisas que estão por vir, você vai fazê-las assim mesmo. Porque você é teimosa. Porque você nunca dá ouvidos. E isso no fundo me conforta, porque significa que você não vai deixar de experienciar nada e o que te acontecer vai fazer de você a pessoa que eu sou hoje.

Então é claro que eu vou te contar um monte de coisas sobre a sua vida, se não qual seria a graça de poder receber uma carta de você mesma do futuro, não é mesmo? Pois bem, sinta-se muito privilegiada de poder receber uma carta de você mesma, porque isso aqui vai servir de guia pra você não fazer algumas muitas cagadas – sim, tem umas coisas bem desnecessárias nessa história. Mas também vai servir de inspiração pra que você não desista de nenhum dos seus planos, porque nem tudo é o fim do mundo como você acha que é.

 

Sobre seu corpo

Primeiro: para de usar esse cabelo dividido de lado sem passar um creme que defina as ondas dele, por favor. É feio.

Daqui uns anos você vai olhar para as fotos e vai querer queima-las todas e a mommy não vai deixar. Ela ainda vai jogar na sua cara “Eu vivia falando que era feio, mas você nem ligava.” Então ligue, por favor. E AH! Logo você vai cortar franjinha, como sempre sonhou! E adivinha… Nunca mais vai querer deixa-la crescer.

Segundo: não esconda mais suas sardas. Hoje as pessoas acham um charme e vira e mexe você vai escutar “ai, como eu gostaria de ter sardinhas”.

freckles

Sobre a escola

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Pelo amor de Deus, estude e se esforce mais. Você sabe que já tem dificuldade em matemática, né? Então não deixa isso pra depois porque senão você vai sofrer muito com as recuperações. Não foi fácil, viu? Aliás, se controle pra não virar uma rebelde sem causas. Quando chegar no primeiro ano do Ensino Médio e a época de ir nos showzinhos, estude antes e não vá pra prova sem nem ter passado os olhos no conteúdo, faz favô.

Mas se você quiser fazê-lo mesmo com meu aviso… Tudo bem, você não vai repetir de ano. Mas vai passar “com emoção”, se é que me entende.

Quando chegar no último ano, se prepare. Você vai surtar, vai tentar ser a aluna perfeita que nunca foi e vai se dar mal por isso. Você sabe que não funciona sob pressão, então segura as pontas. Vai até acabar mudando de escola por causa disso. Mas não se desespere! Tudo dará certo no final.

 

Sobre amizades

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Preste muita atenção nesse tópico, amiga, porque aqui o negócio é mais embaixo. Lembra quando o seu irmão falou que suas amizades não são eternas e você ficou mal por SEMANAS, falando pra si mesma que é ÓBVIO que são eternas e que ele não sabia de nada? Pois é… Sinto lhe informar que ele estava certo. Uma hora você vai precisar decidir entre duas pessoas que jamais imaginou. Você também vai mudar de grupos trezentas vezes, porque você adora ter amigos de vários lugares diferentes. Vai viver momentos incríveis e intensos. Vai brigar feio, vai rir muito, vai fazer cagada, vai falar besteira. Algumas coisas você vai conseguir consertar depois de uns anos… Outras não. Você vai sofrer quando aquela sua amiga do peito não passar de uma desconhecida. É, se prepare. Muita coisa vai mudar, mas não se abata. Você também vai conquistar amizades que jamais imaginou que conquistaria. Vai descobrir que uma prima pode ser praticamente uma irmã. Aliás, vai brigar com uma pessoa que jamais imaginou e vai ficar uns dois anos sem falar com ela. Vai ser difícil, mas quando voltarem a se falar será maior e mais forte do que tudo!

Você vai passar por poucas e boas, mas você vai conhecer cada pessoa que vai valer muito à pena. E por mais que deixe de falar com muita gente… Você vai lembrar de tudo como a melhor época da sua vida e vai sentir muita falta de tudo.

 

Sobre a faculdade

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Menina, não desista. Seu sonho de estudar jornalismo vai parecer impossível de se realizar… Mas não perca a fé. Aliás, a fé é o que vai te guiar o tempo todo nessa vida, por isso nunca a perca. Nunca deixe de acreditar.

Você não vai ser tão querida como era na escola, mas fica sussa. As pessoas que você conhecer serão maravilhosas e farão você acreditar que ainda existem pessoas boas nesse mundo. E ah, PARABÉNS! Você vai se formar com lindo 10 carimbado no seu Trabalho de Conclusão de Curso.

 

Sobre amor

Sabe esse cara fofo que você acha que ama? Então… É amor platônico, cê sabe, né? Como vai gostar de uma pessoa com quem você nunca falou? E não é querendo cortar seu barato não… Mas vocês não vão ficar juntos. Nem agora, nem depois! Mas não fique triste. O primeiro conselho neste tópico é: para de ficar escrevendo o nome dele em todos os lugares. Vai começar a ficar chato, sério.

E relaxa, porque muuuuuita novela vai acontecer. Vai ter um carinha que você vai conhecer por causa do seu primo. Preste atenção… Porque você vai namorar ele por uns muitos anos. Quantos eu não sei, precisamente, porque no momento eu ainda estou com ele! E sim, você será mega feliz.

love

 

Sobre viagens

Muita coisa doida vai acontecer. Você vai parar na IRLANDA e vai passar 40 dias lá. Pois é! Sei que você deve estar pensando “Quem é a Irlanda na fila do pão, gente?”. É, menina. Você não perde por esperar! Nem vou te contar muito sobre isso porque acho que quando você chegar lá as paisagens dirão muito mais do que eu posso dizer.

travel

E você não vai parar por aí. Sabe onde você vai morar, quirida? Em NEW YORK! Você vai conseguir, amiga. Aquelas cenas de filme que você fica namorando vão se tornar SEUS cenários. E vai ser incrível. Quer dizer… Está sendo incrível, porque estou exatamente nessa parte da nossa aventura maluca.

 

Sobre textos

E por último, mas não menos importante: Escreva. Escreva sempre sobre as experiências pelas quais você passa. Todo dia se puder. Você podia até voltar a fazer diário, né? Eu adoro ler meus diários até hoje, sabe? Até as conversas de MSN. Guardei MUITAS, e vira e mexe eu abro os arquivos pra lembrar o que vivi. Parece que consigo reviver cada momento só de ler! Então se você puder, documente mais sobre a sua vida. Não porque você vai ser famosa nem nada. Mas porque nostalgia é e sempre será seu nome do meio. Aliás! Muito do que você viver estará nas suas futuras palavras, nos seus futuros textos. Vai ter um pouquinho de Natália em cada frase, texto ou crônica que você escrever. Mesmo sem querer. Você é observadora e gosta de imaginar o que as pessoas vivem e como elas vivem. E isso nunca vai mudar. Pelo menos não mudou até agora.

keepwriting

Ah é. Eu sei que você já vai fazer isso mesmo sem eu falar, mas não custa nada. Continue SEMPRE sendo você mesma. Continue a não se importar com tendências, com opiniões, com críticas, com fofocas. Não deixe que ninguém mude seu modo de ver o mundo. Sempre opte pelo o que acha ser certo, não fácil. Aliás, você sabe que nada na sua vida foi fácil, então não comece a achar que isso vai mudar, porque não vai. Mas isso não é ruim, sabe? É muito mais gostoso conquistar as coisas dessa maneira. É muito mais satisfatório e gratificante quando você termina de subir a montanha e vê a vista lá de cima. Você vai saber que foi capaz de percorrer os caminhos. Porque você não desistiu. E eu estou aqui pra provar pra você.

beyourself

Um beijo e fica bem aí, que eu ficarei bem aqui.

Insanamente

Em 07.07.2015   Arquivado em Crônicas

Insanamente

Minha mente é daquelas que funcionam de maneira insana na madrugada. Isso doi, machuca, corroi.

Pois é quando o silêncio da rua nasce, na calada da noite, que tudo começa a pipocar dentro da minha cabeça. Meus fantasmas acordam e resolvem fazer uma festa.

A amiga insônia é a primeira a chegar, o que me faz ficar deitada, encarando o teto. E se fecho os olhos, sou importunada por aqueles pensamentos que simplesmente não me deixam.

Continuam fortes, correndo pela minha cabeça. Não entendo muito bem de anatomia nem de como o corpo funciona, mas tenho a impressão que existe um atalho do meu cérebro que vai direto ao coração, porque os pensamentos brincam dentro de mim como crianças correm em um parque de diversões. E quando atinge o meu coração, o pensamento que era pensamento se torna sentimento. E essa é a hora que eu mais sofro.

Sofro sentindo o que já passei e o que estou para passar. Sempre fui dessas de sofrer por antecipação, sabe? Daquelas que vive num eterno drama, sofrendo antes, durante e depois.

Essa sou eu, insana e imprecisa como um tornado. Intensa como a própria força da natureza. Mas enganados aqueles que acham que sou dura feito uma rocha, firme feito as raízes das árvores. Sou tão frágil e tão mutável quanto aquela folha que você vê caindo e dançando com o vento até chegar ao chão. Aliás… É onde eu sempre termino depois de passar a noite em claro pensando. No chão.

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