Metades por inteiro

Em 21.03.2016   Arquivado em Crônicas

MetadesPorInteiro

Amei Te Ver – Tiago Iorc

 

Eu deitei pra dormir, eu juro.

Mas quando você tá apaixonada, não é deitar e dormir. Porque de repente, a primeira coisa que vem no seu pensamento é aquele sorriso, aquele olhar que faz o seu coração bater rápido e o mundo ficar em câmera lenta.

Dizem que nada é por acaso. E acho que eu nunca pude comprovar uma teoria tão na prática como quando você cruzou o meu caminho e mudou o meu mundo.

Você chegou sem avisar com esse jeito marrento e irreverente. Nem pediu licença e por aqui foi ficando. E a cada dia que passava, você conquistava mais um pedacinho de mim. A cada dia, o que era uma trivialidade começou a se tornar necessidade. E não vou nem dizer que ganhamos intimidade porque parece que isso existe desde sempre entre a gente. Como se nos conhecêssemos de outras vidas. Essa é a única conclusão na qual eu pude chegar depois de tanto matutar. Foi o encontro de duas almas que estavam à procura, uma da outra. E a coincidência, o acaso, ou o destino – chame do que preferir -, nos colocou frente a frente, na 42 com a 8ª avenida.

Eu não sei o que aconteceu. Nem mesmo como. Há uma porção de coisas no mundo que até hoje não temos as respostas. E dentre os mistérios do universo e dos sete mares, com certeza podemos encontrar um espacinho para encaixar a nossa história.

Uma história que modéstia à parte, é digna de um livro com direito a reprodução cinematográfica. Que faz qualquer um suspirar e ficar boquiaberto com o nosso desenrolar. E eu, que sempre quis escrever uma história arrebatadora e de tirar o fôlego… Ironicamente a estou escrevendo. Mas com a sua ajuda.

E sim, eu disse que você chegou sem pedir licença, mesmo. E no começo eu achei que fosse pra bagunçar tudo. Demorou alguns dias até eu perceber que na verdade já estava uma bagunça, e que você estava ali, na realidade, pra colocar no lugar. E então, do meu coração… Você fez tua morada.

Eu já me perguntei o que diabos estava acontecendo. E eu juro que tentei entender… Mas depois de um tempo, eu simplesmente parei de tentar e passei a aceitar… Que eu estou honestamente, verdadeiramente e completamente apaixonada por você. De todas as maneiras que alguém pode se apaixonar. Aliás, você me conquistou de todas as maneiras que alguém pode conquistar uma pessoa. Dos pés à cabeça, de dentro pra fora e de fora pra dentro.

Você me faz acreditar que o próximo dia sempre vale à pena. Que pra tudo sempre existe uma solução. E que o amor… O amor sempre vence. Sempre. Sempre. Sempre.

Eu não vou mentir. Aliás, acho que essa palavra nem existe no nosso vocabulário. Já lhe disse e não foi uma… Não foram duas nem três vezes: eu estou com medo. Medo do que seremos e se seremos. Não é do julgamento e nem das más línguas. É daquilo tudo que não enxergamos, mas que existe. O tempo, a distância, a saudade.

Sou daquelas que sofre por antecipação e sente dor antes mesmo de levar a pancada. Talvez seja culpa das surras que a vida já deu, quem sabe. Só não digo que isso faz parte da minha natureza porque venho aprendido o contrário contigo. Quero que a gente dê certo. Quero fazer certo e quero você, de certo. E sei que você também me quer, pois somente um louco faria tudo o que fizeste até agora se não quisesse. Por isso, me apoio nas suas atitudes. Porque todo dia que acordei com a dúvida de saber se conseguiríamos passar por isso, você esteve ali, me provando que sim. E eu sei que você o fará quantas vezes mais forem necessárias, por querer e sem querer.

E eu só espero que a gente vença esse obstáculo. Aliás, espero que esse seja o único grande obstáculo que irá nos separar por um tempo.

Que o desejo seja realizado; que o vazio seja preenchido; que o sentimento cresça; que a distância se encurte; que as horas não nos afaste; que as metades sejam por inteiro.

Me espera.

O tempo que o tempo tem

Em 01.07.2015   Arquivado em Crônicas

OTempo

A verdade é que não importa quanto tempo passe, eu sempre vou lembrar de você. Ao escutar aquela música que chamávamos de nossa. Aquela que dizia que nunca iríamos nos separar, e que você insistia em cantar bem baixinho no meu ouvido, como se fosse mesmo uma promessa.

E foi assim por muito tempo. Tanto tempo que achei que nunca acabaria. Mesmo com as nossas brigas. Mesmo com o seu ciúmes bobo de tudo e de todos. Porque por trás daquela pose de desconfiado… Por trás daquela imagem do cara palhaço que gostava de fazer graça pra me arrancar uma maldita risada… Existia um coração.

Um coração que poucos tiveram a honra de tocar. E nossa! Como me sinto feliz de pensar que eu fui uma dessas pessoas. Mesmo que eu não tenha permanecido. Mesmo que tenha sido de passagem.

Às vezes não importa muito se a pessoa vai ficar. Às vezes importa mais o que ela deixou.

E quer saber? Acho que eu deixei a minha marca em você. Assim como você deixou a sua em mim.

Antes pensava que ia doer, sabe. Falar sobre você. Mas acho que me enganei, porque toda vez que penso em você, só me vem boas memórias.

Se sinto saudades? Talvez apenas do tempo que se foi. Do tempo que não volta. Ou do tempo que desperdiçamos. Engraçado como a palavra “tempo” se encaixa em tudo aqui, né?

Porque foi o tempo que passou. Foi o tempo que nos separou. Foi o tempo que me lembrou.

E eu sei que não importa quanto tempo passe. Você também vai lembrar.

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