Um ano de Natália na terra do tio Sam

Em 31.08.2016   Arquivado em Por aí

É verdade que todas as nossas escolhas mudam o curso das nossas vidas. Mas são apenas algumas escolhas que nos mudam para sempre. E embarcar no avião da American Airlines com destino a New York há exatamente um ano, sem sombra de dúvidas, me mudou para sempre.

Cheguei aqui crua. Quem me conhece sabe que eu mal cozinhava arroz…! Aposto que muita gente pensou “ela não vai conseguir. Já já volta para debaixo das asas da mamãe.” Eu sei que alguém aí pensou, porque eu mesma pensei! Muitas vezes ainda acho que vou fazê-lo, sinceramente falando.

Mas toda vez que esse pensamento surgia, eu lembrava o quão grande era o meu sonho de estudar e morar fora, de tudo o que eu fiz e o que eu sacrifiquei para estar aqui. E de repente a gratidão voltava e tudo parecia fazer sentido novamente.

Quando cheguei à terra do tio Sam…! Meu Deus, não vou negar. Fiquei deslumbrada e até meio frustrada porque parece que aqui tudo funciona! As pessoas não julgam, as leis são respeitadas, os preços das coisas são justos, a água da torneira é potável e digerível…!

Só que assim como aprendi a amar o país que me recebeu de braços abertos, comecei a dar valor ao meu país de origem. Aprendi que mesmo com os problemas pelos quais o Brasil está passando atualmente, não há lugar como o nosso lar. Não há comida tão saborosa quanto a nossa. Não há pessoas tão amáveis e calorosas como o brasileiro. Não há palavra no mundo capaz de substituir ou explicar o sentimento mais bonito e mais brasileiro do universo: saudade.

Saudade de ficar até tarde com a minha mãe na sala e acabar adormecendo ali porque havia passado o dia trabalhando e queria passar mais tempo com ela; saudade dos conselhos do meu pai que vinham do nada, mas sempre na hora certa; saudade de ouvir o Max latir porque o meu pai estava chegando do trabalho; saudade dos encontros com as amigas de escola; saudade dos churrascos com os amigos; saudades do Natal bagunçado com a família. Saudade. Simplesmente saudade.

Mas além da saudade que cresceu dentro de mim, um outro sentimento também assolou o meu corpo. E eu só tive consciência disso na noite passada, quando dirigia rumo ao Brooklyn, com as luzes de Manhattan me abraçando. Quando eu avistei um avião no céu.

Meus olhos marejaram instantaneamente ao me lembrar de que sim, há um ano era eu quem voava em um daqueles. E naquele momento eu estava a observar um avião que com alguma possível certeza no mundo trazia muitas vidas para uma nova e grande aventura como a minha.

O sentimento do qual eu falei logo acima eu vos digo agora: orgulho. Orgulho de saber que eu tive a coragem que nem todos possuem, de largar o conforto rumo ao desconhecido. Orgulho por eu não ter desistido quando cheguei e pensei naquele primeiro momento “não vou conseguir” (porque eu consegui!). Orgulho de ter mudado e amadurecido, mas não ter perdido os meus valores e a minha essência. Orgulho da minha história e de como ela me trouxe até aqui. Hoje, independente de quanto dinheiro eu tenho no bolso, independente do glamour que isso tudo pareça ter, eu finalmente posso dizer com a boca cheia que eu sinto orgulho de quem eu me tornei. E de quem eu ainda vou me tornar.

Obrigada, Brasil. Obrigada, Estados Unidos.

Ser viajante não são só flores

Em 22.06.2016   Arquivado em Por aí

Ser viajante não são só flores. Morar fora não é só glamour como todos pensam. Quer dizer… É muito fácil ver as fotos de paisagens de tirar o fôlego das pessoas pensando o quão sortudas e o quão boa é a vida delas sem nem questionar quantas foram as coisas das quais elas tiveram de abrir mão, os sonhos mundanos que tiveram que sacrificar, os centavos que economizaram ou os obstáculos que enfrentam no dia a dia para estar com aquele sorriso que estampam as fotos. Estou falando isso porque eu já fui esse alguém olhando as fotos e desejando que aquela fosse a minha vida.

Para se aventurar não é preciso dinheiro, como a grande maioria acha que é disso que o mundo todo se trata. Se aventurar, se lançar em alto mar sem olhar pra trás, pegar um avião e abandonar a terra-mãe… Tudo isso tem muito mais a ver com coragem do que qualquer outra coisa.

Coragem para deixar a família, os amigos, a cidade, a rotina, as coisas com as quais está habituado para enfrentar o desconhecido em uma terra da qual pouco tem-se conhecimento – mesmo que tenhamos passado dias e noites lendo sobre cada detalhe do destino. Na teoria tudo é muito bonito, realmente.

Mas na prática… Nós já vamos sentindo o coração apertar quando começamos a fazer a bagagem e percebemos que muitas vezes nossa vida cabe e se resume a uma mala. Aquilo passa a ser tudo o que temos. Não temos mais amigos, não temos mais casa. Mesmo quando vamos com um lugar específico para morar, dificilmente conseguimos chamá-lo de lar.

Então descobrimos que aquilo que chamávamos de “ser sozinho”, no nosso quarto, rodeado com as nossas coisas, não é nada perto do que é realmente estar sozinho em uma cidade cheia de vidas cruzando a sua a cada milissegundo. E calma, porque eu nem estou dizendo que essa sensação seja ruim. Muito pelo contrário!

Finalmente descobrimos que teremos de aprender a lidar com o nosso maior inimigo: nós mesmos.

Lutamos contra o medo de nos perdermos, de não termos amigos. Lutamos contra as estações que diferem tanto do nosso país – isso sem mencionar a língua e a alimentação -. Lutamos contra a própria mente que nos consomem noites a fio e nos fazem perguntar a nós mesmos se largar tudo foi a escolha certa. Lutamos contra a distância que faz com que algumas das pessoas mais próximas se tornem apenas estranhas. Lutamos contra a saudade que aperta e machuca. Lutamos contra a tela do computador/celular tentando tocar o rosto de quem amamos e nos conformando que aquilo nada mais é do que uma imagem com a qual precisaremos nos contentar por tempo indeterminado.

E mesmo assim iremos sorrir. Sentimos orgulho de nós mesmos toda vez que pensamos em tudo o que fomos capazes de fazer até agora. E é por isso que sorrimos tanto nas fotos. Não é porque estamos esfregando na sua cara o quão melhor nossa vida é do que a tua. Mas porque nos sentimos vencedores de estarmos ali, porque nada foi fácil. Nada é fácil. Mas a cada dia crescemos e aprendemos um pouquinho mais. Por bem ou por mal. Na boa ou na marra.

E quando estamos ali, com aquela paisagem engolindo nossos olhos e nos roubando todo o ar, acredite, meu velho. Pensar em mostrar que somos melhores que você, que está dando o like na foto, é a última coisa na qual realmente estamos pensando.

Então, da próxima vez que for dar um like na foto de um amigo/parente viajante, dê um like como se o congratulasse. Pense que assim como você tem momentos de tristeza e felicidade, o viajante também tem. E sobre você não postar fotos suas em um mau dia/momento? A mesma regra se aplica ao tal viajante.

Pense que esse seu amigo/parente tem bravura. Porque ser viajante… Ser viajante não são só flores.

Metades por inteiro

Em 21.03.2016   Arquivado em Crônicas

MetadesPorInteiro

Amei Te Ver – Tiago Iorc

 

Eu deitei pra dormir, eu juro.

Mas quando você tá apaixonada, não é deitar e dormir. Porque de repente, a primeira coisa que vem no seu pensamento é aquele sorriso, aquele olhar que faz o seu coração bater rápido e o mundo ficar em câmera lenta.

Dizem que nada é por acaso. E acho que eu nunca pude comprovar uma teoria tão na prática como quando você cruzou o meu caminho e mudou o meu mundo.

Você chegou sem avisar com esse jeito marrento e irreverente. Nem pediu licença e por aqui foi ficando. E a cada dia que passava, você conquistava mais um pedacinho de mim. A cada dia, o que era uma trivialidade começou a se tornar necessidade. E não vou nem dizer que ganhamos intimidade porque parece que isso existe desde sempre entre a gente. Como se nos conhecêssemos de outras vidas. Essa é a única conclusão na qual eu pude chegar depois de tanto matutar. Foi o encontro de duas almas que estavam à procura, uma da outra. E a coincidência, o acaso, ou o destino – chame do que preferir -, nos colocou frente a frente, na 42 com a 8ª avenida.

Eu não sei o que aconteceu. Nem mesmo como. Há uma porção de coisas no mundo que até hoje não temos as respostas. E dentre os mistérios do universo e dos sete mares, com certeza podemos encontrar um espacinho para encaixar a nossa história.

Uma história que modéstia à parte, é digna de um livro com direito a reprodução cinematográfica. Que faz qualquer um suspirar e ficar boquiaberto com o nosso desenrolar. E eu, que sempre quis escrever uma história arrebatadora e de tirar o fôlego… Ironicamente a estou escrevendo. Mas com a sua ajuda.

E sim, eu disse que você chegou sem pedir licença, mesmo. E no começo eu achei que fosse pra bagunçar tudo. Demorou alguns dias até eu perceber que na verdade já estava uma bagunça, e que você estava ali, na realidade, pra colocar no lugar. E então, do meu coração… Você fez tua morada.

Eu já me perguntei o que diabos estava acontecendo. E eu juro que tentei entender… Mas depois de um tempo, eu simplesmente parei de tentar e passei a aceitar… Que eu estou honestamente, verdadeiramente e completamente apaixonada por você. De todas as maneiras que alguém pode se apaixonar. Aliás, você me conquistou de todas as maneiras que alguém pode conquistar uma pessoa. Dos pés à cabeça, de dentro pra fora e de fora pra dentro.

Você me faz acreditar que o próximo dia sempre vale à pena. Que pra tudo sempre existe uma solução. E que o amor… O amor sempre vence. Sempre. Sempre. Sempre.

Eu não vou mentir. Aliás, acho que essa palavra nem existe no nosso vocabulário. Já lhe disse e não foi uma… Não foram duas nem três vezes: eu estou com medo. Medo do que seremos e se seremos. Não é do julgamento e nem das más línguas. É daquilo tudo que não enxergamos, mas que existe. O tempo, a distância, a saudade.

Sou daquelas que sofre por antecipação e sente dor antes mesmo de levar a pancada. Talvez seja culpa das surras que a vida já deu, quem sabe. Só não digo que isso faz parte da minha natureza porque venho aprendido o contrário contigo. Quero que a gente dê certo. Quero fazer certo e quero você, de certo. E sei que você também me quer, pois somente um louco faria tudo o que fizeste até agora se não quisesse. Por isso, me apoio nas suas atitudes. Porque todo dia que acordei com a dúvida de saber se conseguiríamos passar por isso, você esteve ali, me provando que sim. E eu sei que você o fará quantas vezes mais forem necessárias, por querer e sem querer.

E eu só espero que a gente vença esse obstáculo. Aliás, espero que esse seja o único grande obstáculo que irá nos separar por um tempo.

Que o desejo seja realizado; que o vazio seja preenchido; que o sentimento cresça; que a distância se encurte; que as horas não nos afaste; que as metades sejam por inteiro.

Me espera.

Au Pair: Namoro a distância

Em 15.10.2015   Arquivado em Por aí

distância

Pois é. Depois de muitos pedidos, resolvi falar do assunto que assusta muito as futuras au pairs que deixarão o país e são comprometidas.

Aí vocês devem estar se perguntando: “Como sobreviver a isso?”/”Nosso amor vai acabar!”

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Meu primeiro conselho é:

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Calmou? Então agora vamos lá!

Ninguém aqui tá falando que vai ser uma coisa simples, porque não é. E eu acho que eu sou a melhor pessoa pra falar sobre isso por motivos de: já passei por isso antes.

Há dois anos atrás eu tive um namorado que foi fazer intercâmbio em Dublin e ficou lá 8 meses. Aí vocês devem estar pensando: “Você deve ter morrido.”

Pra ser sincera, eu achei que fosse mesmo.

MAKEITSTOP

Só que não. Ao que contrário do que podem pensar, aprendi MUITA COISA com essa distância. Aprendi a me conhecer melhor, a saber meus gostos, a ficar sozinha… E descobri que ficar sozinha é totalmente diferente de ser sozinha, e que em alguns momentos isso é uma delícia!

É claro que eu não descobri isso de cara, né, gente. Tive que aprender na marra. Nós dois aprendemos com os erros e estamos tentando não cometer os mesmos erros que cometemos quando ele foi, e mesmo assim, todo dia é uma nova lição a aprender!

Então eu estou aqui para tentar acalmar o coração dessas moças todas com algumas diquinhas primordiais pra que esse relacionamento perdure.

 

Diálogo

Esse é o primeiro item porque provavelmente é a primeira coisa que acontece quando você decide que quer ser au pair. Vocês vão precisar conversar sério e honestamente para saber o que será do relacionamento de vocês a partir deste momento.

Você vai. Essa é a primeira coisa a ser dita. Vocês vão continuar o relacionamento? Ele(a) aceita continuar o namoro? Como vai funcionar? Vocês vão se ver? Ele(a) vai te visitar?

Como você pode ver, tem MUITO assunto pra ser resolvido.

Não faça novela novela mexicana antes da hora.

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Compreensão

Esse item é primordial no relacionamento, ainda mais em se tratando de intercâmbio. E isso não serve só pra quem está ficando, mas pra quem está partindo também.

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Pra quem fica

Não vou ser hipócrita, até porque já estive no lugar de quem fica. Esse é o papel mais difícil. É compreender logo de cara que o seu amor deseja realizar algo pessoal do qual você não irá necessariamente fazer parte, mas que isso não é de um todo ruim (só que você só percebe isso depois). É compreender que o egoísmo precisa ser deixado de lado. Acho que essa foi a parte mais complicada pra mim quando ele foi, e eu sinto muito por isso até hoje. Sei que era mais nova, mas acho que eu poderia tentar levar as coisas um pouco menos na emoção, só pra variar um pouquinho.

Também tem que compreender que o seu amor está indo desbravar uma outra terra e conhecerá pessoas novas, mas isso (pelo menos no nosso caso) não será uma ameaça ao seu relacionamento.

 

Pra quem vai

Apesar de você estar com a cabeça à mil, com visto, malas, família, ansiedade tudo ao mesmo tempo, terá que abrir um espaço gigante pra compreender que o seu amor que está ficando vai sofrer mais do que você nesse período, e isso é triste e inevitável. Não adiantará você dizer que tudo vai dar certo, que vocês vão passar por isso, que você continuará amando-o(a). Nada faz o sentimento de “perda” dele(a) ir embora, e você precisa entender que isso não é necessariamente sua culpa. Você vai ficar triste e vai sofrer junto, óbvio. Mas não se sinta culpada(o).

Você vai ter que compreender que “cada cabeça é uma sentença”, e que ele(a) pode reagir de diferentes maneiras. Talvez ele(a) queira participar de todo o processo, queira te ajudar com as malas, queira saber dos seus planos (como no caso do meu namorado). Mas pode ser que ele(a) não queira nem ouvir a palavra “intercâmbio” ou o nome do destino para onde você vai. Talvez ele(a) não aguente e comece a chorar só de pensar à respeito (como no meu caso. Culpada nos dois itens). E de novo, eu muito me arrependo da minha postura diante disso, pois era um momento em que meu namorado precisava de apoio e eu não o dei. Peço desculpas pra ele até hoje por isso.

 

Paciência

Como se não bastasse vocês terem que lidar com a própria situação e com a saudade de matar, ainda tem aquelas pessoas que fazem você perder a cabeça, tentando te fazer pensar besteira mesmo sem intenção. Não entendeu?

Sabe aquele primo que solta: “Nossa, mas relacionamento a distância não dá certo, cês sabem, né?” ou “Iiiiih, quem vai trair primeiro?”. Melhor: “Ahh, mas comigo não rolou não. Terminamos no primeiro mês.”

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SEMPRE vai ter uma pessoa querida assim pra te “ajudar” a passar por essa situação, então o que eu tenho pra dizer é: respira fundo e confia no seu relacionamento.

Você já conversou com o seu/sua parceiro(a) a respeito e vocês são os ÚNICOS que sabem do relacionamento de vocês. Não deixe que ninguém possa ditar o que será de vocês agora. As únicas pessoas que vão fazer isso dar certo (ou não) são vocês dois e PONTO FINAL.

 

Ciúmes

Cheguei onde todo mundo queria, né? NÉ!

É inevitável, gente, sinto dizer. Até o ser menos ciumento do universo vai virar a Namorada Sinistra nesse momento.

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A culpa é da distância, que aumenta tudo na gente: a saudade, a insegurança, o medo de perder. Mas também digo que a culpa será sua se ficar se encanando com qualquer coisa.

Não pense você, que vai ficar no Brasil, que seu boy/sua girl vai ficar entocado em casa nos finais de semana e dias off, porque eles não vão. Eles estão em um país diferente e TAMBÉM querem curtir. E não pense você, que tá viajando, que seu boy/sua girl também não vão querer sair pra se distrair, uma vez que você não está lá para fazerem isso juntos. É uma troca justa, né?

E sim, haverão amigos novos, principalmente quem estiver viajando. E isso faz parte, so sorry, mate.

É claro que é preciso estabelecer certos “limites”. E quando eu digo “limites”, não é impor nem viver em um “relacionamento abusivo”. Vamos chamar isso de bom senso, ok?

“Como assim, Nats?” Bom. Sempre que você for fazer algo e pensar se aquilo vai magoar seu/sua parceiro(a), pense “E se fosse o contrário? Eu me chatearia?”. Sim sim. Sabe aquela frase da nossa mamãe “Não faça aos outros o que você não quer que façam com você?”. Adote e siga com amor e carinho e todos ficarão felizes (e vivos).

 

Confiança

Apesar de esse item estar intrinsecamente ligado ao item acima, resolvi dar um espacinho especial para falar. Isso não é novidade e não é a primeira vez que você ouvir (ler, no caso): Confiança é a base e todo o relacionamento.

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Acredito que você conhece com quem está namorando e sabe muito bem o que esperar e o que não esperar do(a) seu/sua parceiro(a). Nesse ponto vocês já conversaram bastante e sabem o que é saudável e o que não é para o relacionamento de vocês, certo? Diz que sim, for Christ Sake.

Vocês passarão por muitas provações e muitos mal-entendidos, e aí entra aquele item do diálogo, lembra? Não interprete nada antes de conversar, não dê espaço para que sua interpretação seja a história real sem antes ouvir o outro lado.

 

Honestidade

Eu poderia ter falado isso tudo no item acima, mas também acho primordial falar sobre isso separadamente. Fale SEMPRE o que sente. Nunca deixe pra falar depois, fale quando der na telha, no momento em que estiver sentindo.

Se estiver inseguro(a) diga. Se estiver com saudade diga. Se estiver com raiva diga. Se estiver triste diga. Se estiver sofrendo diga. Se estiver feliz e quiser compartilhar uma novidade diga. Se estiver confuso diga. Não deixe nada passar.

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Se em algum momento do relacionamento um dos dois sentir que não conseguirá mais lidar com a distância por qualquer motivo… Seja por estar desgastado(a), cansado(a) ou até mesmo interessado(a) em outra pessoa, diga.

Se você não ama mais a pessoa com quem está, pelo menos respeite a história e o amor que compartilharam pelo tempo em que estiveram juntos. Seja homem/mulher e fale a verdade. Não magoe quem está à sua espera. Não magoe quem está longe, porque não é justo com ninguém.

 

Bom, acho que o post já virou uma bíblia, então eu deixarei esse assunto em aberto porque ainda falarei sobre diquinhas fofas para manter o relacionamento.

 

O que você acha de namoro a distância? Acha que conseguiria lidar? Deixe suas dúvidas, críticas, mágoas e frustrações aqui! RIRI

Memórias mundanas

Em 20.08.2015   Arquivado em Crônicas

MemóriasMundanas

Skinny Love – Birdy

Ainda sinto o cheiro de canela emanar do meu travesseiro toda vez que afundo o meu rosto nele. Ainda consigo encontrar o seu olhar toda vez que me escondo debaixo do edredom, como costumávamos fazer de madrugada, com uma lanterna. Ainda lembro do som da sua risada, toda vez que eu fazia uma piada, mesmo quando ela era sem graça. E ela sempre era.

Lembro como você ficava irritada toda vez que eu tentava contar as sardas do seu rosto e acabava perdido nas próprias contas. Ou de como as minhas covas das bochechas apareciam tímidas quando você passava a ponta dos meus dedos sobre elas e me fazia sentir cócegas. Ainda lembro de como você enrugava o nariz e torcia a boca quando algo não lhe agradava.

Ainda guardo na memória como você ficava linda com aquele jeans surrado. E o barulho que aquele seu par de All Star branco encardido fazia no assoalho da minha casa. De como eu me escondia toda vez que eu a escutava subir as escadas para lhe dar um susto. Mas no final, era sempre eu que me assustava.
Sinto saudades de como nossas risadas combinavam. De como sua mão cabia dentro da minha. Sinto saudades de quando você praguejava porque eu encostava meus pés gelados nos seus para me esquentar. E de como você sempre se dava por vencida.

Funcionávamos tão bem juntos! Era como se você tivesse sido feita sob medida pra mim. Sim, era você quem havia sido feita pra mim, e não o contrário. Você sempre dizia isso, lembra? Porque eu sou três anos mais velho. Porque quando veio ao mundo, eu já estava nele. Portanto, você nunca havia vivido num mundo em que eu não estivesse antes. E por causa disso, parece que você se achou no direito de me fazer viver num mundo sem você.
Num momento eu tinha tudo! E agora… Não existe mais canela, nem olhares, nem lanterna, nem risada, nem piada. Não existem sardas ou covinhas. Nem rugas no nariz ou boca torta. Que dirá o jeans surrado e o barulho do All Star no meu assoalho! Não existe mais sua mão dentro da minha, nem o calor pra me esquentar. Porque você deixou o meu mundo. E não me levou com você.

Aqueles Olhos

Em 08.07.2015   Arquivado em Crônicas

AquelesOlhos

Tenerife Sea – Ed Sheeran

Aqueles olhos. Por mais que eu tente eles não saem da minha cabeça, não consigo me esquecer. Não consigo me esquecer de como eles brilhavam, refletindo a luz que emanava do céu, fosse dia ou noite. Fosse sol ou chuva.

Aqueles olhos que eram capazes de transmitir todos os sentimentos do mundo numa só encarada. Era carinho, era dor, era mistério. Eles sorriam, eles choravam.

Já faz tempo que eu não os vejo. Me sinto no escuro, esperando por mais um dia como aqueles em que eu tinha a sorte de vê-los se abrirem para ganhar a claridade do quarto. As pupilas se contraíam rapidamente, como se a luz as assustassem de prontidão. Mas era tudo muito rápido. Era preciso ficar muito atento se quisesse ver tudo isso acontecendo, pois em questão de segundos seus olhos já ganhavam a calma do Mar Cáspio. Então era como se eu mergulhasse, me afogando na beleza deles.

Era como se eles me dessem a vida e a morte. Meu coração acelerava e parecia querer rasgar o meu peito como uma seda que vai se desfiando facilmente. E eu podia ficar olhando para eles durante o dia todo, juro que não me importaria.

Eles tinham um certo poder sobre mim. Droga, como me doía quando eles choravam e eu sabia que eu era o culpado! Era como se as suas lágrimas fossem lâminas cortantes que me atingiam lentamente enquanto aquele azul me encarava e perguntava “Por quê?”.

E mesmo não os vendo mais, sinto que esse poder, essa hipnose continua. Porque quando fecho os meus olhos, eles são tudo o que eu consigo ver. Aqueles olhos.

Onde estarão agora? Em outro quarto, do outro lado do mundo? Iluminando-se e mostrando-se Cáspio para outro alguém que não eu? Mostrando-se um puro mistério pronto para ser desvendado? Fazendo-se serem mergulhados?

Eu espero que esse alguém lhes dê a mesma atenção e valor que eu lhes dava. Que esse alguém não perca um único detalhe da maravilha que é vê-los acordando para um novo dia. Aqueles olhos.

 

 

O tempo que o tempo tem

Em 01.07.2015   Arquivado em Crônicas

OTempo

A verdade é que não importa quanto tempo passe, eu sempre vou lembrar de você. Ao escutar aquela música que chamávamos de nossa. Aquela que dizia que nunca iríamos nos separar, e que você insistia em cantar bem baixinho no meu ouvido, como se fosse mesmo uma promessa.

E foi assim por muito tempo. Tanto tempo que achei que nunca acabaria. Mesmo com as nossas brigas. Mesmo com o seu ciúmes bobo de tudo e de todos. Porque por trás daquela pose de desconfiado… Por trás daquela imagem do cara palhaço que gostava de fazer graça pra me arrancar uma maldita risada… Existia um coração.

Um coração que poucos tiveram a honra de tocar. E nossa! Como me sinto feliz de pensar que eu fui uma dessas pessoas. Mesmo que eu não tenha permanecido. Mesmo que tenha sido de passagem.

Às vezes não importa muito se a pessoa vai ficar. Às vezes importa mais o que ela deixou.

E quer saber? Acho que eu deixei a minha marca em você. Assim como você deixou a sua em mim.

Antes pensava que ia doer, sabe. Falar sobre você. Mas acho que me enganei, porque toda vez que penso em você, só me vem boas memórias.

Se sinto saudades? Talvez apenas do tempo que se foi. Do tempo que não volta. Ou do tempo que desperdiçamos. Engraçado como a palavra “tempo” se encaixa em tudo aqui, né?

Porque foi o tempo que passou. Foi o tempo que nos separou. Foi o tempo que me lembrou.

E eu sei que não importa quanto tempo passe. Você também vai lembrar.

Entre Livros

Em 23.06.2015   Arquivado em Crônicas

EntreLivros

Por que ainda doi falar sobre você? Cruzes, sinto minhas pernas bambearem só de ouvir alguém pronunciar o seu nome. Mesmo quando nem se trata de você. É como se você fosse o único que se chamasse assim.

Dizem que quando as coisas são inacabadas, é assim que as pessoas acabam se sentindo. Você se sente assim?

Foi o que os meus olhos procuraram saber quando te encontrei na livraria.

E mesmo depois de tanto tempo sem se ver, parecia que era só mais um dia, depois de uma das nossas brigas idiotas.

Engraçado. Eu que tanto sei atuar, me vi como uma adolescente besta, quase se enfiando entre as estantes de livros quando percebi que era você. Só que não deu tempo.

“E aí, Jujuba?”. Só você me chamava de Jujuba. Droga.

“Hm. Oi!”. Tentei soar surpresa, como se não tivesse te notado antes, com um livro qualquer nas mãos. Nem consegui falar seu nome. Será que você percebeu?

Será que pra você foi fácil me chamar daquela forma sem que nada diferente batesse contra o seu peito? Lembro que mentia tão bem quanto eu.

Sim, essa onda de detalhismos e pensamentos invadiram a minha mente nesses poucos segundos em que tudo se seguiu.

Meus ombros caíram quando você me deu um abraço surpresa e um tanto quanto demorado. Demorei milésimos de segundos para me recuperar do mini-choque e lhe retribuir o gesto, mas para mim aquilo durou minutos infinitos.

“Tudo bem?”. Você perguntou enquanto ainda me abraçava.

“Tudo… E você?”. Minha voz saiu meio fraca, como se eu estivesse tentando preservar um pouco de fôlego depois de correr uma maratona. Até deixei o livro cair.

O barulho foi o suficiente para fazer com que você percebesse a demora do seu abraço, e então se afastou.

“Tudo bem”, finalmente respondeu enquanto se abaixava para pegar o livro caído no chão. Tudo isso sem perder o constante contato visual comigo. Era como se suas amêndoas me escaneassem e tentassem ler tudo o que você havia perdido nesses dois anos em que estivemos afastados.

De novo, ficamos nos encarando, como se não existisse mais ninguém além de nós na livraria. Analisei o seu rosto. Nada havia mudado nele. Fiquei feliz. Outro indício de que talvez nosso afastamento fosse só um pesadelo e que aqueles dois anos nem tinham existido. Por que foi que nos afastamos, mesmo?

Meu devaneio foi interrompido quando você esticou a mão direita para entregar o livro.

“Distraída como sempre.”

Você deu um sorriso fraco antes de se afastar, e toda aquela situação me frustrou. Você não havia sentido nada, afinal.

Abaixei meus olhos, ligeiramente decepcionada. Foi quando percebi um papel se sobressaindo no meio do livro. Puxei-o instintivamente, e para a minha surpresa, reconheci aquela letra corrida e levemente inclinada:

 

“Ainda sinto sua falta.

 

Meu número ainda é o mesmo, caso tenha se perguntado.”

 

Não consegui evitar um riso baixo enquanto meu coração acelerou.

Estava tão distraída que nem percebi quando ele colocou aquele papel dentro do livro enquanto nos encarávamos.

Distraída e sempre.

Divagações

Em 17.04.2015   Arquivado em Crônicas

 

divagações

Lá estava eu, com aquela mania boba, de novo.

Quando mantenho meu olhar fixo em uma mesma coisa por muito tempo é melhor se preocupar. Se não estou viajando mentalmente de olhos abertos (mas vazios), com certeza estou refletindo mesmo sobre o que estou observando. E ultimamente isso tem acontecido muito quando olho fotos.

Se alguém ainda olha para as fotografias e não é capaz de pensar que é uma bruxaria ou algo do tipo, então pra mim esse alguém não é normal. Quer dizer… Olha essa maluquice toda! A foto é capaz de congelar um momento que nunca mais vai se repetir na sua vida. Não importa se você tirar a mesma foto no mesmo lugar com a mesma pose no dia seguinte ou dali três anos. A foto nunca será igual porque o momento não é o mesmo. Mas o mais incrível de tudo isso é que mesmo que você saiba que aquele momento nunca mais irá se repetir daquela forma, se olhar atentamente para a fotografia, é possível lembrar o sentimento que estava dentro de você naquele exato instante. Essa sim é a maior mágica.

Só que ultimamente eu tenho me achado mais anormal do que de costume. É possível você sentir saudade daquele momento, daquele sentimento… Afinal de contas foi algo que você viveu. Mas e quando você olha para uma foto de um estranho e sente saudade daquilo que aquele estranho, e não você viveu?

Foi o que eu senti quando vi a foto de um “conhecido” nas redes sociais viajando por aí. Comecei a contemplar a sombra dele que se formou porque a foto foi tirada contra a luz do sol. E aquele sol… Que brilhava como se estivesse se derretendo e manchando todo o céu com aquelas cores arroxeadas… E o calor que emanava dele não era ruim, apenas o bastante para aquecer a pele e fazer com que fechemos os olhos para sentí-lo melhor.

BOOM! Quando percebi a loucura que estava me fazendo passar, saí à procura de algo que explicasse aquela bizarrice toda. Corri meus olhos pela tela do notebook, meus dedos quase desesperados, caçando respostas que com certeza não seriam encontradas. É claro que eu não encontraria. Apesar de todos sermos iguais, algumas coisas da nossa personalidade são mesmo particularidades e não se encontra em mais nenhum lugar.

De qualquer maneira… A resposta mais próxima na qual eu cheguei se resumia em uma única expressão. “Wanderlust”. Mas que diabos, nunca havia ouvido falar nessa palavra gringa. E por mais que eu jogasse no buscador, não consegui nenhuma tradução próxima do nosso idioma. Porque assim como a palavra “saudade” não existe para outros países… Wanderlust não existe para nós. Bem… Mas para mim passou a existir.

Saudade daquilo que não se viveu, saudade de um lugar ao qual nunca esteve antes. Necessidade. Necessidade de uma busca interior. Necessidade de um caminho, um destino. De uma jornada que ultrapassa qualquer fotografia e espaço de tempo. Devagar. Divagar. De vagar.

Nós – Parte II

Em 02.04.2015   Arquivado em Crônicas

 

52

Ele

Oi, baixinha. Pensei em muitas maneiras de começar essa carta. Resolvi fazer como você, e escrever em frente ao mar. Me surpreendi, porque eu realmente me senti próximo de você. Como se pudéssemos nos ver, acenar um para o outro, ou até mesmo nos tocar.

Ainda não me acostumei com o tempo daqui. Diferente de você, odeio o frio. Mesmo estando no verão, ainda é gelado. Aí me peguei lembrando de como eu ficava irritado quando você dizia “Ora, o frio é psicológico.” Em seguida, você ria sem parar da carranca que se formava no meu rosto. E eu realmente sinto falta disso.

Ainda pela manhã estava um pouco chateado com a briga que tivemos ontem à noite no telefone. Sei que já nos resolvemos, mas toda vez que brigamos acabo me sentindo preso nessas 4 horas de fuso horário que nos separam. E doi.

Nós dois sabemos que isso tudo não tem sido fácil. A distância e o tempo catalisam discussões e conflitos que jamais aconteceriam em CNTP (Condições Normais de Temperatura e Pressão). Aposto que arranquei um sorriso de você, agora.

Apenas peço que não desista de nós, meu amor. Infelizmente tive que buscar algo do outro lado do mundo, e você não pôde vir comigo. Mas não pense que está sendo assim tão fácil pra mim. Já estou em um ponto em que tudo me faz lembrar do seu jeito e de como era bom dormir e acordar contigo. De como a sua risada se misturava com a minha e parecia uma música nossa. Só nossa.

Não tenha medo. A distância só fez com o que o nosso amor se estendesse até o outro lado do mundo. Continuamos ligados. Eu estou aqui, mas meu coração está aí, onde sempre irá ficar. Com você, seja onde for.

É verdade que as duas cidades são cinzas e parece que tudo se entristeceu. Então te peço apenas uma coisa: Sorria. Continue a sorrir, meu amor. Porque é isso que traz cor ao meu mundo. Sorria enquanto não chega o dia de você vir para se juntar a mim.

Então seremos você e eu.

Nós.

Nós – Parte I

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