Insanamente

Em 07.07.2015   Arquivado em Crônicas

Insanamente

Minha mente é daquelas que funcionam de maneira insana na madrugada. Isso doi, machuca, corroi.

Pois é quando o silêncio da rua nasce, na calada da noite, que tudo começa a pipocar dentro da minha cabeça. Meus fantasmas acordam e resolvem fazer uma festa.

A amiga insônia é a primeira a chegar, o que me faz ficar deitada, encarando o teto. E se fecho os olhos, sou importunada por aqueles pensamentos que simplesmente não me deixam.

Continuam fortes, correndo pela minha cabeça. Não entendo muito bem de anatomia nem de como o corpo funciona, mas tenho a impressão que existe um atalho do meu cérebro que vai direto ao coração, porque os pensamentos brincam dentro de mim como crianças correm em um parque de diversões. E quando atinge o meu coração, o pensamento que era pensamento se torna sentimento. E essa é a hora que eu mais sofro.

Sofro sentindo o que já passei e o que estou para passar. Sempre fui dessas de sofrer por antecipação, sabe? Daquelas que vive num eterno drama, sofrendo antes, durante e depois.

Essa sou eu, insana e imprecisa como um tornado. Intensa como a própria força da natureza. Mas enganados aqueles que acham que sou dura feito uma rocha, firme feito as raízes das árvores. Sou tão frágil e tão mutável quanto aquela folha que você vê caindo e dançando com o vento até chegar ao chão. Aliás… É onde eu sempre termino depois de passar a noite em claro pensando. No chão.

O tempo que o tempo tem

Em 01.07.2015   Arquivado em Crônicas

OTempo

A verdade é que não importa quanto tempo passe, eu sempre vou lembrar de você. Ao escutar aquela música que chamávamos de nossa. Aquela que dizia que nunca iríamos nos separar, e que você insistia em cantar bem baixinho no meu ouvido, como se fosse mesmo uma promessa.

E foi assim por muito tempo. Tanto tempo que achei que nunca acabaria. Mesmo com as nossas brigas. Mesmo com o seu ciúmes bobo de tudo e de todos. Porque por trás daquela pose de desconfiado… Por trás daquela imagem do cara palhaço que gostava de fazer graça pra me arrancar uma maldita risada… Existia um coração.

Um coração que poucos tiveram a honra de tocar. E nossa! Como me sinto feliz de pensar que eu fui uma dessas pessoas. Mesmo que eu não tenha permanecido. Mesmo que tenha sido de passagem.

Às vezes não importa muito se a pessoa vai ficar. Às vezes importa mais o que ela deixou.

E quer saber? Acho que eu deixei a minha marca em você. Assim como você deixou a sua em mim.

Antes pensava que ia doer, sabe. Falar sobre você. Mas acho que me enganei, porque toda vez que penso em você, só me vem boas memórias.

Se sinto saudades? Talvez apenas do tempo que se foi. Do tempo que não volta. Ou do tempo que desperdiçamos. Engraçado como a palavra “tempo” se encaixa em tudo aqui, né?

Porque foi o tempo que passou. Foi o tempo que nos separou. Foi o tempo que me lembrou.

E eu sei que não importa quanto tempo passe. Você também vai lembrar.

Divino drama

Em 09.06.2015   Arquivado em Crônicas

DivinoDrama

Eu digo que é medo, porque não sei perceber se você não quer. Estou indo além, me enganando e me sentindo mais amada, quando talvez o amor não esteja presente todo esse tempo em que estou aqui.

Você poderia ser mais honesto e não me manter aqui mais um ano. Mas não. Você realmente não regride um segundo sequer. E quando mesmo não me desejando, não diz adeus. Não me deve satisfações, porque nunca foi capaz de me prometer nada. Ainda bem, porque odeio promessas. Principalmente quando sei que você não vai cumprir.

E a chave de tudo está nisso: saber. Ou melhor (pra você, pior pra mim), fingir não saber.

E você deve rir, como se eu estivesse me perdendo e te perder fosse um erro daqueles. Cacete! Talvez você esteja aproveitando o máximo que pode ser tirado de mim. Você pode me roubar o sorriso e o olhar mais doce que eu posso emitir cada vez que te vejo. Você anda conhecendo meus dias e meus risos. E você, enfim, me viu chorar e mostrar os meus medos. Mas você não me conhece. E sinto dizer que não te conheço e nem sei com quem estou lidando.

 

Você diz que só sei fazer drama. Mal sabe que o único drama é ter medo de se entregar. Que o único mal é não admitir nas horas certas. E saber que você vai lembrar.

Eu tenho os melhores dias que você é capaz de me oferecer. Eu tive as melhores fases e até te odiei. Por segundos. Por impulsos. Por existir. Como te faço memória. Como te moldo. Por vontade. Por vontade de você.

Bullying não é brincadeira!

Em 07.05.2015   Arquivado em Off topic

 

bullying

Não, não saia. Não feche a aba do seu navegador agora que você viu o assunto do qual eu vim falar hoje. Já está cada vez mais comum as pessoas ignorarem o tema por acharem que é bobeira, que falar de bullying é algo totalmente clichê.

Se fosse clichê, com certeza não haveria tantos casos se desenrolando dentro das escolas do mundo todo, dia após dia. Aliás… Achar que o sofrimento das pessoas é clichê é algo muito grave. Só confirma o quanto os valores da sociedade estão completamente invertidos.

Eu sei que já tiraram sarro de você. Já tiraram sarro de mim também, mas felizmente eu fui uma criança bem comunicativa e do tipo que não levava desaforo pra casa. Mas sabemos que cada pessoa é uma pessoa, cada mente é um universo diferente. Eu sabia me defender, me impor. Mas e aquele carinha inteligente e quietinho que sentava sozinho na sua sala? Será que ele sabia se defender? E aquela menina um pouquinho acima do peso? Será que ela sabia se defender? Será que ela era gordinha porque queria?

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Mas a pergunta que não quer calar é… Por que as pessoas se importam e se incomodam tanto quando alguém acaba destoando em meio a sala? Eu tenho a resposta, quer saber? Tudo se resume a uma palavra: intolerância.

E ao contrário do que muitos pensam, infelizmente, ser intolerante nem sempre se trata da educação que os bullies (quem pratica o bullying) receberam em casa, apesar de isso colaborar bastante. Sabe do que se trata? Caráter.

Porque não é possível que alguém seja capaz de se divertir ofendendo, provocando e agredindo outrem. Pra mim, essa pessoa tem que ter muitos probleminhas internos pra achar isso engraçado. Porque não é engraçado, cara. Pode até ser na hora, quando você é do tipo de pessoa que precisa ser o centro das atenções e gosta de fazer os coleguinhas rirem das suas piadas, que para serem engraçadas, precisam machucar alguém. Mas será que você vai achar engraçado quando encontrar aquele cara inteligente e sem amigos doente? Será que vai ser engraçado quando descobrir que aquela menina acima do peso acabou sofrendo de anorexia? Será que você vai achar engraçado quando souber que a culpa é sua?

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Então eu peço que entenda esse texto não como mais uma frescurinha, de uma revoltada em busca de revolução ou coisas do tipo. Isso aqui é só um apelo a um assunto que precisa ser melhor compreendido.

Como trabalho de conclusão de curso da faculdade, eu e um amigo escrevemos um livro-reportagem chamado “Fim do Silêncio – Retratos do Bullying”. Nele, trouxemos depoimentos de 5 vítimas do bullying e as consequências que as agressões (físicas ou psicológicas) trouxeram a elas, além de entrevistas com profissionais das áreas jurídicas, psiquiátricas e pedagógicas para falar sobre esse fenômeno social.

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Nós produzimos esse livro porque frequentemente vemos como a imprensa trata do tema “bullying”. O que você vê na mídia? “Adolescente invade escola e mata alunos”. “Adolescente sofre bullying por ser bonita”. Sim, o tema só entra em discussão quando algo do tipo acontece. Mas nenhuma matéria com profundidade, nada que explique o tema ou as motivações dos casos. Então, resolvemos trazer algo diferente, mostrando como as vítimas se sentiam, o que elas passavam, o que elas pensavam no momento em que estavam sendo agredidas. A ideia é fazer com que os leitores sintam na pele o que essas vítimas já sentiram. Uma maneira incomum de conscientizar a sociedade. Ainda não temos nosso livro disponível. Estamos pensando em investir e procurar alguma editora que se interesse pela obra.

Mas caso tenha se interessado pelo tema, você pode conhecer mais casos reais de outras pessoas que sofrem ou sofreram com esse mal social. Seguem duas indicações.

 

O garoto que cantou sua história de vítima do bullying no “Britain’s Got Talent” – Legendado

 

Documentário “Bullying”

 

Como indicação, também tem esse filme incrível com a Emily Osment, Cyberbully, que trata de um fenômeno que creio, todo mundo conhece. Vale a pena conferir! Deixo o trailer pra vocês sentirem um gostinho de quero mais!

Fica aqui a minha parte para um mundo melhor, gente.

O que vocês acham sobre o assunto? Fiquem à vonts para comentar!

Divagações

Em 17.04.2015   Arquivado em Crônicas

 

divagações

Lá estava eu, com aquela mania boba, de novo.

Quando mantenho meu olhar fixo em uma mesma coisa por muito tempo é melhor se preocupar. Se não estou viajando mentalmente de olhos abertos (mas vazios), com certeza estou refletindo mesmo sobre o que estou observando. E ultimamente isso tem acontecido muito quando olho fotos.

Se alguém ainda olha para as fotografias e não é capaz de pensar que é uma bruxaria ou algo do tipo, então pra mim esse alguém não é normal. Quer dizer… Olha essa maluquice toda! A foto é capaz de congelar um momento que nunca mais vai se repetir na sua vida. Não importa se você tirar a mesma foto no mesmo lugar com a mesma pose no dia seguinte ou dali três anos. A foto nunca será igual porque o momento não é o mesmo. Mas o mais incrível de tudo isso é que mesmo que você saiba que aquele momento nunca mais irá se repetir daquela forma, se olhar atentamente para a fotografia, é possível lembrar o sentimento que estava dentro de você naquele exato instante. Essa sim é a maior mágica.

Só que ultimamente eu tenho me achado mais anormal do que de costume. É possível você sentir saudade daquele momento, daquele sentimento… Afinal de contas foi algo que você viveu. Mas e quando você olha para uma foto de um estranho e sente saudade daquilo que aquele estranho, e não você viveu?

Foi o que eu senti quando vi a foto de um “conhecido” nas redes sociais viajando por aí. Comecei a contemplar a sombra dele que se formou porque a foto foi tirada contra a luz do sol. E aquele sol… Que brilhava como se estivesse se derretendo e manchando todo o céu com aquelas cores arroxeadas… E o calor que emanava dele não era ruim, apenas o bastante para aquecer a pele e fazer com que fechemos os olhos para sentí-lo melhor.

BOOM! Quando percebi a loucura que estava me fazendo passar, saí à procura de algo que explicasse aquela bizarrice toda. Corri meus olhos pela tela do notebook, meus dedos quase desesperados, caçando respostas que com certeza não seriam encontradas. É claro que eu não encontraria. Apesar de todos sermos iguais, algumas coisas da nossa personalidade são mesmo particularidades e não se encontra em mais nenhum lugar.

De qualquer maneira… A resposta mais próxima na qual eu cheguei se resumia em uma única expressão. “Wanderlust”. Mas que diabos, nunca havia ouvido falar nessa palavra gringa. E por mais que eu jogasse no buscador, não consegui nenhuma tradução próxima do nosso idioma. Porque assim como a palavra “saudade” não existe para outros países… Wanderlust não existe para nós. Bem… Mas para mim passou a existir.

Saudade daquilo que não se viveu, saudade de um lugar ao qual nunca esteve antes. Necessidade. Necessidade de uma busca interior. Necessidade de um caminho, um destino. De uma jornada que ultrapassa qualquer fotografia e espaço de tempo. Devagar. Divagar. De vagar.

Nós – Parte I

Em 31.03.2015   Arquivado em Crônicas

 

nós

Ela

Está frio onde você está? Já dá pra contar as estrelas do céu? Afinal, são 9 mil quilômetros de distância e 4 horas de diferença no solstício. Aposto que aí ainda nem anoiteceu.

Hoje foi o dia mais frio dos últimos vinte anos aqui na cidade, sabia? Estou te contando isso porque… Você sabe, eu amo o inverno. Só que… Chegou um momento em que eu já não sei se o frio que estou sentindo é porque está fazendo 8º ou porque falta você do meu lado.

Estou sentada aqui na encosta do mar com James Blunt estourando nos meus ouvidos. E se eu fechar os olhos enquanto lhe escrevo esta carta, tenho certeza que posso escutar você dizendo: “James Blunt é um cara que respira sofrimento. Você gosta de sofrer, né, amor?”. Eu acho que gosto, mesmo. Gosto de ser intensa, de sentir até que tudo escape do meu peito. E no momento o que me escapa é essa saudade que eu tenho de você.

E sentada aqui no limite desta terra, me flagro encarando o horizonte do mar, imaginando se você está fazendo o mesmo no limite da terra em que você está. Fico sonhando que de alguma forma estamos nos olhando. Seria cômico se não fosse trágico.

Sempre gostei de ser sozinha, sabe. De ter meus momentos para pensar, escrever, refletir, sonhar e criar. O meu hobby favorito ainda é me trancar no mundo do meu quarto. Mas desde que você se foi, finalmente entendi o sentimento ruim que algumas pessoas descrevem sobre a solidão. E mais do que nunca, agora entendi que também é possível se sentir sozinha mesmo rodeada de pessoas. As presenças se tornam apenas sombras. Sombras fracas demais para ofuscar você nos meus pensamentos.

Tudo isso porque nós costumávamos dizer que éramos um só, lembra?

Agora a distância me dá medo. Medo de que ela faça uma vida se desmembrar para voltar a ser duas, sem contexto, sem ligação. Medo de que a cor que existia na pequena cidade próxima à serra se divida e não consiga mais mesclar nem aqui nem aí. Medo de que sejam apenas duas cidades cinzas. Duas vidas. Você e eu.

Você                                                                                                  e                                                                                                                  Eu.

 

Nós – Parte II

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