Saindo dos trilhos

Em 21.09.2015   Arquivado em Crônicas

Trem

Skinny Love – Birdy

Aí vem o trem que me levará a outra direção. Tudo o que eu carrego é uma mala onde eu acredito estar a minha vida. Isso depois de uma história muito mal resolvida.

É uma história sobre o momento em que deixo de ser alguém com quem você realmente se importa.

Sempre achei que fosse pra sempre, sabe? Eu e você. Mas acho que essa ideia boba mudou quando eu comecei a arrumar a minha mala e vi que você apenas ficou encostado no batente da porta, assistindo àquilo. Eu tentei juntar minhas coisas até que devagar, na esperança de você me pedir pra ficar.

Idiota. Acho que essa história é mais sobre como fui idiota do que sobre nós. Tantas mentiras, tantas traições… E eu ainda preferia uma vida com você do que uma vida comigo mesma.

Começo a ter aqueles questionamentos que eu deveria ter tido durante todo o nosso relacionamento. Você me amou? Você realmente segurou a minha mão para me salvar ou me atirar no precipício em que estou?

Pena que eu só percebi tudo isso agora, sentada no banco enquanto espero o trem mais demorado da minha vida. O trem que finalmente me fará mudar de estação. E então eu darei aquele passo que eu deveria ter dado há muito tempo. Aquele que me fará ir embora sem olhar para trás, a fim de uma nova vida. Uma vida sem você.

Aí vem o trem.

Um conto sem fadas

Em 16.09.2015   Arquivado em Crônicas

Lost It To Tyring – Son Lux

Talvez tenha sido o jeito com que você andou até mim no meio daquela festa à fantasia. Não diria que foi como aquelas cenas de filme, em que o garoto passa pela pista de maneira única, chamando a atenção de todos. Na verdade, foi uma entrada como outra qualquer. Um cara vestido de pirata com uma espada presa ao cinto e uma caneca de cerveja levantada no alto enquanto gargalhava. Romântico, não?

E eu ali, com a fantasia tão ou mais clichê quanto a sua: anjinho. E não sei por que raios acabei chamando a sua atenção. Quando dei por mim, já estava dançando com você em meio àquela multidão de personagens bêbados e histéricos.

Pulávamos e dançávamos como se houvesse apenas nós dois dentro daquele salão. O seu rosto estava mal iluminado devido ao jogo de luzes que ficava piscando frequentemente, mas ainda assim dava para ver o quão era lindo.

Não vou dizer que você me ganhou na conversa, porque na altura do campeonato, nós nem conseguíamos ouvir o que o outro falava com aquele som alto que enchia o ambiente. Era inútil tentar se comunicar, então logo começávamos a rir, um da cara do outro. Também não havia muita coisa para ser dita naquele momento. Nossos olhares eram capazes de se entender muito bem, obrigada. Estava claro. Eu queria você, e você me queria.

Nossos olhares haviam se conectado desde o momento em que eu o vi com a cerveja que você quase derrubou porque alguém havia lhe esbarrado. E naquele momento eu soube.

Nunca fui uma princesa, então nunca imaginei que fosse encontrar um príncipe encantado. Sempre gostei de algo mais aventureiro e avassalador. No fundo, sempre tive uma inclinação para piratas, sabe?

Mas quer saber qual é a vantagem de eu não viver num conto de fadas? Deu meia-noite e eu não precisei sair correndo para voltar para casa na minha abóbora gigante, nem perder meu sapatinho de cristal na corrida que não aconteceu. Deu meia-noite, e lá estávamos, eu e você.

E melhor do que nesses contos, nossa história não acabou com um beijo e um “feliz para sempre.” Terminou de uma maneira muito melhor. De uma maneira que eu sabia: haveria continuação.

– Posso te levar pra casa?

Memórias mundanas

Em 20.08.2015   Arquivado em Crônicas

MemóriasMundanas

Skinny Love – Birdy

Ainda sinto o cheiro de canela emanar do meu travesseiro toda vez que afundo o meu rosto nele. Ainda consigo encontrar o seu olhar toda vez que me escondo debaixo do edredom, como costumávamos fazer de madrugada, com uma lanterna. Ainda lembro do som da sua risada, toda vez que eu fazia uma piada, mesmo quando ela era sem graça. E ela sempre era.

Lembro como você ficava irritada toda vez que eu tentava contar as sardas do seu rosto e acabava perdido nas próprias contas. Ou de como as minhas covas das bochechas apareciam tímidas quando você passava a ponta dos meus dedos sobre elas e me fazia sentir cócegas. Ainda lembro de como você enrugava o nariz e torcia a boca quando algo não lhe agradava.

Ainda guardo na memória como você ficava linda com aquele jeans surrado. E o barulho que aquele seu par de All Star branco encardido fazia no assoalho da minha casa. De como eu me escondia toda vez que eu a escutava subir as escadas para lhe dar um susto. Mas no final, era sempre eu que me assustava.
Sinto saudades de como nossas risadas combinavam. De como sua mão cabia dentro da minha. Sinto saudades de quando você praguejava porque eu encostava meus pés gelados nos seus para me esquentar. E de como você sempre se dava por vencida.

Funcionávamos tão bem juntos! Era como se você tivesse sido feita sob medida pra mim. Sim, era você quem havia sido feita pra mim, e não o contrário. Você sempre dizia isso, lembra? Porque eu sou três anos mais velho. Porque quando veio ao mundo, eu já estava nele. Portanto, você nunca havia vivido num mundo em que eu não estivesse antes. E por causa disso, parece que você se achou no direito de me fazer viver num mundo sem você.
Num momento eu tinha tudo! E agora… Não existe mais canela, nem olhares, nem lanterna, nem risada, nem piada. Não existem sardas ou covinhas. Nem rugas no nariz ou boca torta. Que dirá o jeans surrado e o barulho do All Star no meu assoalho! Não existe mais sua mão dentro da minha, nem o calor pra me esquentar. Porque você deixou o meu mundo. E não me levou com você.

Quarto Azul

Em 04.08.2015   Arquivado em Crônicas

Quarto Azul

The Blower’s Daughter – Damien Rice

Eu já estive aqui tantas vezes… Minhas pernas bambeiam só de pensar que tive a oportunidade de pisar nesse quarto azul mais uma vez, mesmo sendo escondido.

Ainda consigo sentir o cheiro de nós dois em todas as paredes tão decoradas de coisas. Havia só dois meses que eu não entrava nesse quarto, e percebi como sentia falta do seu mundo, das suas particularidades.

Eu estava li feito bobo olhando cada detalhe daquele lugar tão azul e tão você que eu não queria esquecer. Quadrinhos pequenos e cheios de frases moderninhas que você vive tirando do Tumblr ou do WeHeartIt. Um calendário velho dos Beatles, estrelinhas que brilham no escuro… Todos tão delicadamente expostos na parede. Olho para cima já esperando encontrar o rosto do Damien Rice no teto. Você deve ser a única maluca que gruda pôsters no teto. Aliás, você deve ser a única maluca que acha o Damien Rice o cara mais bonito no universo. Garotas normais gostam de One Direction, do Justin Bieber… Mas não você. Porque você não é uma garota qualquer. Você é a Melina Becker. A garota por quem eu sou apaixonado desde a terceira série.

E só seis anos depois eu tive a chance de ser alguém que eu realmente queria ser pra você. Passei de colega de sala a amigo, de amigo a melhor amigo. Ouvi durante anos você falar dos carinhas de quem estava a fim. Ouvia com afinco, fingindo para que cada detalhe não soasse como uma apunhalada no meu estômago e isso não ficasse explícito na minha cara.

Só Deus sabia como aquilo doía, mas eu preferia estar ali e fazer parte da sua vida daquele jeito do que simplesmente não estar por perto. Fazia piadas e fingia não estar me mordendo de ciúmes por eu nunca ser o cara dos seus sonhos.

Suspiro em meio a penumbra do seu quarto azul. Sei que não deveria ter vindo aqui assim, na calada da noite, mas eu meio que precisava. Se você sonhar que invadi seu quarto pela janela, provavelmente cortaria as minhas pernas. Essa era sempre a sua ameaça para qualquer ato meu.

Olho para a sua cama. A cabeceira de metal toda decorada com piscas-piscas de led. Acesas como sempre. E você. Que saudade de ver você dormindo assim. Quantas noites eu não dormi nessa mesma cama, cada um deitado com a cabeça em uma extremidade diferente. Você adorava cutucar as minhas costas com os pés para saber se eu estava acordado.

E sua mãe nem se incomodava com tudo aquilo. Éramos melhores amigos há tanto tempo! Ninguém via mal nenhum naquilo.

Na verdade, só eu via. O maior mal era estar ali ao seu lado todos os dias, amá-la… E amá-la secretamente sem ser percebido. Esse era o meu maior mal. Uns chamariam de castigo, outros de carma… Eu chamo de destino.

Os piscas-piscas refletiam o azul da sua parede no seu rosto, como em todas as noites. E você se nomeava a menina azul. O mesmo velho cenário… Só que eu não faço mais parte dele.

Porque inventei de finalmente surtar por causa de mais um cara na sua vida. Outro cara que não sabia nada sobre você, não conhece seus gostos, medos e angústias. Não sabe que você mistura Nescau Cereal com o Froot Loops e acha isso gostoso. Não sabe que você prefere os filmes velhos aos novos. E mesmo assim ele é o dono do seu coração azul, e não eu.

Mas em vez de apenas dizer o que eu sentia e que estava guardado durante todo esse tempo, eu quebrei o código. Queimei o cara e vi você o defendendo. E você o escolheu em vez de escolher a mim. É claro que isso não foi dito, mas algumas coisas são subentendidas na vida, não é?

Observo você respirando tão lentamente. Também perdi a conta de quantas vezes velei seu sono assim. Às vezes com o seu rosto marcado por lágrimas…. Ou às vezes porque eu simplesmente adorava assisti-la dormindo.

Antes que pudesse me arrepender, coloco o envelope azul sobre a mesinha ao lado da sua cama. Quando me direciono à janela, piso em alguma coisa e isso acaba perturbando seu sono. Meu coração foi para a boca e eu corri para fora da janela o mais rápido possível, e eu sei que a única coisa que seus olhos captaram foi a janela se fechando em meio ao escuro azul do seu quarto.

 

Gostou da crônica? Quer que ela tenha continuação? Comenta aqui pra tia Nats, manda mensagenzinha aqui, sinal de fumaça ou o que mais você preferir. Vamos brincar de “Você Decide”? 

Onde está o meu frio na barriga?

Em 14.07.2015   Arquivado em Off topic

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Hoje o post vai ser meio diferente. Talvez você aí, que esteja lendo se identifique com o esse drama, ou talvez seja apenas mais um post que venha a se tornar “polêmico”. Depende de qual grupo você se encaixa.

Quais são teus planos? É, é isso mesmo, você não leu errado. Hm, deixe-me ver…

Se está no ensino médio, está estudando feito maluco(a), para passar no vestibular sem ter que enfrentar o cursinho. Se já está na faculdade, deve estar pirando com a montanha de trabalhos, projetos e provas. Além disso, deve estar correndo atrás de um estágio legal que lhe proporcione um salário aceitável e uma boa experiência.

E aí? Qual o plano depois? Já sei! Conseguir um trabalho que pague bem. Você vai ralar muito, talvez até de final de semana. Mas e daí? É o emprego dos seus sonhos, a profissão que você ansiou desde cedo…! AH, É! Depois a ideia é conhecer um cara/uma moça legal pra namorar, casar e ter filhos. Então vai ser hora de guardar ainda mais grana pra dar tudo aquilo que os seus pais ralaram pra te dar. Mas agora é a vez dos seus filhos, né? Então eles vão estudar, estudar, estudar, pra depois passar no vestibular, pra entrar na faculdade, conseguir um bom estágio e…! Notou alguma coincidência nessa história?

“Esse é seu plano para ser feliz?”, perguntaria Margo Roth Spiegelman, de “Cidades de Papel”. E você diria “Oras, é sim!”

Só que aí você se forma na faculdade… E vê que nada saiu e nem vai sair como o planejado. Depois de fazer estágios em empresas grandes e renomadas, você está sem emprego, disparando seu currículo para todos os lados, desesperando-se e torcendo pra aparecer uma oportunidade. Qual era a oportunidade mesmo? Poxa, você achou que poderia escolher no que trabalharia… Mas ai, a crise, a economia… Não tá dando pra escolher, né? Então o que vier é lucro, certo?

Aí você percebe que em todos esses anos você nem se deu o trabalho de ter um plano B. Qual é teu plano? Passa os dias pensando onde errou, tentando dar um jeito com uma cola que parece que não gruda nada. Tem tanto tempo pra pensar, que começa a questionar as próprias escolhas. Será mesmo que escolheu a área que queria? Será que é isso mesmo o que você quer pra vida? Percebe que a pergunta que respondia com tanta certeza já não é respondida com a mesma facilidade.

A frustração faz isso com a gente, mesmo. Faz a gente questionar até mesmo a nossa essência. É como se você estivesse no fim de um corredor e não houvesse pra onde correr enquanto algo está no nosso encalço. É você fugindo da pressão. Da pressão de ser alguém que você não sabe quem, mas que deve sê-lo. Quando foi que viver se tornou algo tão complicado, mesmo?

O pior de tudo é que você fica tão bitolado(a) com o plano da sua vida, e tão frustrado(a) quando tudo parece estar dando errado, que parece que não há outro jeito ou solução… Acaba se esquecendo daquela coisa incrível, aquele sentimento que fazia você estar sempre em movimento.

Se você que chegou até aqui se identificou, que tal mudar? Se você não está contente, é porque alguma coisa PRECISA mudar nessa história. Lembro que eu tinha uma amiga que me dizia o seguinte. “Um problema só é problema se tiver solução.”

É hora de tentar sair da neura desse mundo estranho e parar de pensar no que os outros vão pensar. É VOCÊ quem precisa pensar. Esqueça tudo e todos. Olhe pra si e se pergunte:

Onde está o meu frio na barriga?

Procure por essa resposta. Talvez ela esteja mais próxima do que você imagina.

 

“Não são os grandes planos que dão certo; são os pequenos detalhes.”

            ~Stephen Kanitz~

Filme: Cidades de Papel

Em 13.07.2015   Arquivado em Na tela

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EU SEI, demorei, mas o post chegou lindamente! Assim que o filme Cidades de Papel lançou nos cinemas, corri o mais rápido que pude para assistir. A minha ansiedade era realmente grande porque o livro é um dos meus favoritos na VIDA. Não é à toa que até já o resenhei aqui no blog.

Galera que não assistiu ainda, NÃO SE PREOCUPE, não haverá spoilers.

Pra quem não conhece a história, aqui vai a sinopsezinha!

Quentin Jacobsen (Nat Wolff), mais conhecido apenas como Q, é um garoto comum que acredita que todo mundo tem o seu próprio milagre na vida, e o dele foi ser vizinho e colega de escola de Margo Roth Spiegelman (Cara Delevingne).

Quando crianças, Q e Margo era bem próximos e estavam sempre juntos, brincando e andando de bicicleta pelo bairro, mas depois de uma tarde em que os dois, aos 10 anos de idade, encontram o corpo de um homem morto, tudo muda. Eles acabam se afastando e vivendo seus próprios mundos, mas Q continuou a amá-la secretamente durante seis anos.

Q está no último ano do ensino médio e faltam apenas duas semanas para o fim de toda aquela etapa de sua vida. Não poderia estar mais feliz, tudo estava correndo como deveria correr. Sim, ESTAVA. Até a noite em que Margo aparece na janela convocando-o para se juntar a ela em um plano de vingança contra seus amigos e namorado. Sim, ele vai. E não se arrepende.

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Se diverte e conhece Margo além da beleza exorbitante que ela emana e se vê ainda mais apaixonado por ela. Se diverte e se sente mais vivo ao lado da garota, que o instiga e o desafia, fazendo-o conhecer seus próprios limites. Se sente… Único.

Nada poderia ser mais incrível, e Q mal podia esperar pelo dia seguinte na escola. Estava louco para saber como seria a relação deles depois de uma noite maluca como aquela. Só que esse encontro nunca acontece, porque Margo acaba sumindo misteriosamente.

Inconformado, Q e seus amigos começam a procurar pelas pistas que Margo sempre deixa para as pessoas quando some, e a coisa os leva para um mar de mistérios sem fim que só assistindo pra saber.

Bom, tenho que dizer que o filme foi mais fiel ao livro do que eu esperava. Foram uma ou duas cenas que eu realmente senti falta, mas mais por ser fã do livro do que por necessidade da cena em si. A história foi super bem amarradinha, e não ficou nenhuma coisa sem entendimento.

A coisa que mais me cativou foi a química entre Q (Nat Wolff), Ben (Austin Abrams) e Radar (Justice Smith). É aquela coisa que me conquistou logo de cara, sabe? Eles conseguiram mesmo transmitir aquela cumplicidade entre adolescentes. Impossível não se identificar com aquela zoeira sem limites, e ao mesmo tempo, aquela amizade pra qualquer hora. Me arrancaram loucas risadas. Quase enfartei com os três cantando a música-tema de Pokémon!

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Outra coisa que me surpreendeu bastante foi a atuação da Cara Delevingne como Margo Roth Spiegelman. Por mais que eu já gostasse bastante dela, não esperava muito, sabe? Era aquela dúvida de “será que ela só está no filme porque está em evidência na mídia?”. Mas ela realmente mandou bem e soube dar vida à misteriosa e divertida Margo. Sem exagerar e sem faltar. A Margo é aquilo mesmo e pronto, perfeito. As cenas entre Nat e Cara me arrepiavam, me deixavam curiosa. Os olhares, os gestos… Não existiriam atores melhores.

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Isso tudo sem falar da trilha sonora MA-RA-VI-LHO-SA. Tudo se encaixava no lugar certo e dava aquele ar de filme dos anos 90 sem ser dos anos 90. Já pesquisei a trilha todinha pra colocar no meu iPod, porque sim. A que eu mais gostei foi a música em que toca no momento em que Q e Margo estão dentro do carro e ela coloca a cabeça pra fora. Fiquei realmente extasiada.

Pra quem ficou com a curiosidade em saber qual é:

Lost It To Trying (Paper Towns Mix) – Son Lux

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A verdade é que eu saí da sala de cinema querendo dizer “missão cumprida” pro elenco, produção e toda a equipe que fez parte desse filme, juro. As mínimas mudanças não alteraram em nada com relação a trama e a lição final. Continuei com o mesmo frio na barriga e a reflexão que se apossou do meu cérebro no momento em fechei o livro há um ano atrás. E acho que se isso tudo saiu tão fiel a obra literária, foi graças ao próprio John Green, que participou das gravações do começo ao fim. Ter o autor ali do ladinho deve ter colaborado muito para que a fidelidade e a essência não fossem perdidos.

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O filme só me fez ter mais certeza do gênio que o John Green é. Já disse uma vez e repito: Green não é só mais um autor que escreve pra arrancar lágrimas de adolescentes. Ele escreve com propósito, com alma, com bagagens culturais inimagináveis… E com lições a se passar. Me fez pensar de novo e de novo sobre toda a minha vida. Me fez pensar no seguinte:

Qual é o meu milagre?

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Eu já quero o DVD! T-T

Quem aí já assistiu Cidades de Papel? O que achou? Compartilha aí! <3

Aqueles Olhos

Em 08.07.2015   Arquivado em Crônicas

AquelesOlhos

Tenerife Sea – Ed Sheeran

Aqueles olhos. Por mais que eu tente eles não saem da minha cabeça, não consigo me esquecer. Não consigo me esquecer de como eles brilhavam, refletindo a luz que emanava do céu, fosse dia ou noite. Fosse sol ou chuva.

Aqueles olhos que eram capazes de transmitir todos os sentimentos do mundo numa só encarada. Era carinho, era dor, era mistério. Eles sorriam, eles choravam.

Já faz tempo que eu não os vejo. Me sinto no escuro, esperando por mais um dia como aqueles em que eu tinha a sorte de vê-los se abrirem para ganhar a claridade do quarto. As pupilas se contraíam rapidamente, como se a luz as assustassem de prontidão. Mas era tudo muito rápido. Era preciso ficar muito atento se quisesse ver tudo isso acontecendo, pois em questão de segundos seus olhos já ganhavam a calma do Mar Cáspio. Então era como se eu mergulhasse, me afogando na beleza deles.

Era como se eles me dessem a vida e a morte. Meu coração acelerava e parecia querer rasgar o meu peito como uma seda que vai se desfiando facilmente. E eu podia ficar olhando para eles durante o dia todo, juro que não me importaria.

Eles tinham um certo poder sobre mim. Droga, como me doía quando eles choravam e eu sabia que eu era o culpado! Era como se as suas lágrimas fossem lâminas cortantes que me atingiam lentamente enquanto aquele azul me encarava e perguntava “Por quê?”.

E mesmo não os vendo mais, sinto que esse poder, essa hipnose continua. Porque quando fecho os meus olhos, eles são tudo o que eu consigo ver. Aqueles olhos.

Onde estarão agora? Em outro quarto, do outro lado do mundo? Iluminando-se e mostrando-se Cáspio para outro alguém que não eu? Mostrando-se um puro mistério pronto para ser desvendado? Fazendo-se serem mergulhados?

Eu espero que esse alguém lhes dê a mesma atenção e valor que eu lhes dava. Que esse alguém não perca um único detalhe da maravilha que é vê-los acordando para um novo dia. Aqueles olhos.

 

 

O tempo que o tempo tem

Em 01.07.2015   Arquivado em Crônicas

OTempo

A verdade é que não importa quanto tempo passe, eu sempre vou lembrar de você. Ao escutar aquela música que chamávamos de nossa. Aquela que dizia que nunca iríamos nos separar, e que você insistia em cantar bem baixinho no meu ouvido, como se fosse mesmo uma promessa.

E foi assim por muito tempo. Tanto tempo que achei que nunca acabaria. Mesmo com as nossas brigas. Mesmo com o seu ciúmes bobo de tudo e de todos. Porque por trás daquela pose de desconfiado… Por trás daquela imagem do cara palhaço que gostava de fazer graça pra me arrancar uma maldita risada… Existia um coração.

Um coração que poucos tiveram a honra de tocar. E nossa! Como me sinto feliz de pensar que eu fui uma dessas pessoas. Mesmo que eu não tenha permanecido. Mesmo que tenha sido de passagem.

Às vezes não importa muito se a pessoa vai ficar. Às vezes importa mais o que ela deixou.

E quer saber? Acho que eu deixei a minha marca em você. Assim como você deixou a sua em mim.

Antes pensava que ia doer, sabe. Falar sobre você. Mas acho que me enganei, porque toda vez que penso em você, só me vem boas memórias.

Se sinto saudades? Talvez apenas do tempo que se foi. Do tempo que não volta. Ou do tempo que desperdiçamos. Engraçado como a palavra “tempo” se encaixa em tudo aqui, né?

Porque foi o tempo que passou. Foi o tempo que nos separou. Foi o tempo que me lembrou.

E eu sei que não importa quanto tempo passe. Você também vai lembrar.

Sobre sonhos, âncoras e a tal da liberdade

Em 26.06.2015   Arquivado em Crônicas

SobreSonhos

Eu quase larguei tudo. Tudo mesmo: faculdade, família, emprego, amigos, namorado.

Quando no meio daquela avenida tão cinza (e ao mesmo tempo, tão colorida) eu encontrei aquelas pessoas sentadas no chão, vendendo símbolos, pulseiras de pedras naturais e filtros dos sonhos.

Havia quem passasse por eles e pensasse “bando de hippie folgado e vagabundo”. Vagabundos porque eles decidiram viver do jeito que lhes convinham? Então eu os chamaria de corajosos. Corajosos porque não mediram esforços para estarem ali. Provavelmente devem ter sido crucificados pela família. “Você se matou anos na faculdade pra isso?”

E daí? Não é a pergunta que nos fazemos todos os dias quando somos explorados em um emprego onde não somos reconhecidos e que sequer é o nosso emprego dos sonhos?

Sonhos. Meus olhos tinham grudado nos filtros dos sonhos enquanto eu passava apressada para o meu compromisso.

Não sei que diabo me fez dar meia volta e dar atenção ao grupo de pessoas sentadas na calçada enquanto realizavam algum trabalho manual de artesanato. As roupas da maioria que ali se encontrava eram claras. De alguma maneira me lembrava do aspecto da natureza, não sei bem como explicar.

Eu, que antes havia me encantado apenas com o filtro, agora me via com os olhos correndo curiosos por cada artefato diferente exposto em um tecido escuro que cobria o asfalto.

“Fica à vontade pra experimentar o que quiser”, disse o rapaz estranho de dreads que estava de pé. Nem o havia notado ali.

Me abaixei para ver melhor o trabalho deles. Enquanto corria o dedo pelas pedras naturais, uma menina sentada me chamou a atenção. Ela parecia estar fazendo uma pulseira com alguns cordões escuros.

“Gostou de alguma coisa?”. Os olhos verdes dela se destacavam com o cabelo escuro e extremamente curto.

“Posso ver aquele pingente?”, apontei para o pequeno objeto que parecia feito de ouro velho.

Ela o colocou na palma da minha mão e eu passei a admirá-lo. O pingente era uma âncora. Não sei o que me chamou a atenção, afinal, a âncora em si nunca teve um significado especial pra mim.

“Vocês estão sempre por aqui?”, perguntei sem tirar os olhos do artefato na minha mão.

“Na verdade estamos indo embora hoje!”

“É mesmo? E pra onde vão?”. Agora a menina havia ganhado a minha atenção novamente.

“Vamos para as praias do Nordeste.” Ela sorriu.

“Já viajamos o Brasil todo assim. Com pouco dinheiro e pouca roupa. Mas sempre voltamos com a bagagem cheia de histórias.” O rapaz de dreads voltou e eu nem sabia de onde ele tinha saído de novo.

Histórias. Sempre gostei de histórias.

“Há quanto tempo fazem isso?”, perguntei olhando pra ele.

“Há muito tempo! Mas ela está com a gente faz dois meses.”

Virei para a menina novamente. Esta me encarava com um sorriso no olhar.

“Quantos anos você tem?”, eu perguntei de novo.

“Tenho 21!”

“Eu também! Estou terminando a minha faculdade!”

“Sério? Eu tinha começado a minha, mas conheci o pessoal e resolvi tentar algo novo, pra variar.”

Pra variar.

Como podíamos ter a mesma idade e vivermos em mundos tão diferentes? Onde o mundo dela começava? Onde o meu terminava? Quão fina era a linha da liberdade que nos separava?

Nossa conversa morreu ali, sem pé nem cabeça.

“Vou levar a âncora.”

O rapaz rapidamente me fez um cordão para pendura-lo no pescoço.

“Boa escolha. É a esperança na tempestade.”

Eu espero que seja. Pra variar.

Entre Livros

Em 23.06.2015   Arquivado em Crônicas

EntreLivros

Por que ainda doi falar sobre você? Cruzes, sinto minhas pernas bambearem só de ouvir alguém pronunciar o seu nome. Mesmo quando nem se trata de você. É como se você fosse o único que se chamasse assim.

Dizem que quando as coisas são inacabadas, é assim que as pessoas acabam se sentindo. Você se sente assim?

Foi o que os meus olhos procuraram saber quando te encontrei na livraria.

E mesmo depois de tanto tempo sem se ver, parecia que era só mais um dia, depois de uma das nossas brigas idiotas.

Engraçado. Eu que tanto sei atuar, me vi como uma adolescente besta, quase se enfiando entre as estantes de livros quando percebi que era você. Só que não deu tempo.

“E aí, Jujuba?”. Só você me chamava de Jujuba. Droga.

“Hm. Oi!”. Tentei soar surpresa, como se não tivesse te notado antes, com um livro qualquer nas mãos. Nem consegui falar seu nome. Será que você percebeu?

Será que pra você foi fácil me chamar daquela forma sem que nada diferente batesse contra o seu peito? Lembro que mentia tão bem quanto eu.

Sim, essa onda de detalhismos e pensamentos invadiram a minha mente nesses poucos segundos em que tudo se seguiu.

Meus ombros caíram quando você me deu um abraço surpresa e um tanto quanto demorado. Demorei milésimos de segundos para me recuperar do mini-choque e lhe retribuir o gesto, mas para mim aquilo durou minutos infinitos.

“Tudo bem?”. Você perguntou enquanto ainda me abraçava.

“Tudo… E você?”. Minha voz saiu meio fraca, como se eu estivesse tentando preservar um pouco de fôlego depois de correr uma maratona. Até deixei o livro cair.

O barulho foi o suficiente para fazer com que você percebesse a demora do seu abraço, e então se afastou.

“Tudo bem”, finalmente respondeu enquanto se abaixava para pegar o livro caído no chão. Tudo isso sem perder o constante contato visual comigo. Era como se suas amêndoas me escaneassem e tentassem ler tudo o que você havia perdido nesses dois anos em que estivemos afastados.

De novo, ficamos nos encarando, como se não existisse mais ninguém além de nós na livraria. Analisei o seu rosto. Nada havia mudado nele. Fiquei feliz. Outro indício de que talvez nosso afastamento fosse só um pesadelo e que aqueles dois anos nem tinham existido. Por que foi que nos afastamos, mesmo?

Meu devaneio foi interrompido quando você esticou a mão direita para entregar o livro.

“Distraída como sempre.”

Você deu um sorriso fraco antes de se afastar, e toda aquela situação me frustrou. Você não havia sentido nada, afinal.

Abaixei meus olhos, ligeiramente decepcionada. Foi quando percebi um papel se sobressaindo no meio do livro. Puxei-o instintivamente, e para a minha surpresa, reconheci aquela letra corrida e levemente inclinada:

 

“Ainda sinto sua falta.

 

Meu número ainda é o mesmo, caso tenha se perguntado.”

 

Não consegui evitar um riso baixo enquanto meu coração acelerou.

Estava tão distraída que nem percebi quando ele colocou aquele papel dentro do livro enquanto nos encarávamos.

Distraída e sempre.

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