Aqueles Olhos

Em 08.07.2015   Arquivado em Crônicas

AquelesOlhos

Tenerife Sea – Ed Sheeran

Aqueles olhos. Por mais que eu tente eles não saem da minha cabeça, não consigo me esquecer. Não consigo me esquecer de como eles brilhavam, refletindo a luz que emanava do céu, fosse dia ou noite. Fosse sol ou chuva.

Aqueles olhos que eram capazes de transmitir todos os sentimentos do mundo numa só encarada. Era carinho, era dor, era mistério. Eles sorriam, eles choravam.

Já faz tempo que eu não os vejo. Me sinto no escuro, esperando por mais um dia como aqueles em que eu tinha a sorte de vê-los se abrirem para ganhar a claridade do quarto. As pupilas se contraíam rapidamente, como se a luz as assustassem de prontidão. Mas era tudo muito rápido. Era preciso ficar muito atento se quisesse ver tudo isso acontecendo, pois em questão de segundos seus olhos já ganhavam a calma do Mar Cáspio. Então era como se eu mergulhasse, me afogando na beleza deles.

Era como se eles me dessem a vida e a morte. Meu coração acelerava e parecia querer rasgar o meu peito como uma seda que vai se desfiando facilmente. E eu podia ficar olhando para eles durante o dia todo, juro que não me importaria.

Eles tinham um certo poder sobre mim. Droga, como me doía quando eles choravam e eu sabia que eu era o culpado! Era como se as suas lágrimas fossem lâminas cortantes que me atingiam lentamente enquanto aquele azul me encarava e perguntava “Por quê?”.

E mesmo não os vendo mais, sinto que esse poder, essa hipnose continua. Porque quando fecho os meus olhos, eles são tudo o que eu consigo ver. Aqueles olhos.

Onde estarão agora? Em outro quarto, do outro lado do mundo? Iluminando-se e mostrando-se Cáspio para outro alguém que não eu? Mostrando-se um puro mistério pronto para ser desvendado? Fazendo-se serem mergulhados?

Eu espero que esse alguém lhes dê a mesma atenção e valor que eu lhes dava. Que esse alguém não perca um único detalhe da maravilha que é vê-los acordando para um novo dia. Aqueles olhos.

 

 

Resenha: Antes Que Eu Queime

Em 02.06.2015   Arquivado em Livros

Resenha

Hoje vim falar de uma história diferente e que me enlouqueceu! Sabe aqueles livros que te ganham pela capa? Esse mesmo! Diferente de todos os livros que eu citei até agora, “Antes Que Eu Queime” é uma obra pouco conhecida aqui no Brasil, mas que não deixa de ter uma história incrível.

O livro é escrito pelo norueguês Gaute Heivoll e é um romance documental (uma obra de ficção baseada em uma história verídica) sobre uma série de incêndios que aconteceu em Finsland em 1978. Coincidentemente é o mesmo ano em que o autor nasceu, o que faz com que ele intercale sua história pessoal com um recorte de fatos históricos durante um espaço de tempo de 20 anos.

De uma forma atraente, ele consegue cruzar dados reais com ficção sem que aquilo parecesse uma coisa bizarra e sem sentido.

Na trama, você acompanha a história de um menino tímido que certa vez ouve de sua professora que ele tem um incrível dom para a escrita e anos mais tarde… Adivinha! Ele vira escritor! Depois, entra na busca louca de reunir todos os dados para documentar aquilo que se passou. Você percebe que apesar do foco central serem os incêndios, tudo gira em torno do “escrever a história”. Então, voltamos no tempo através de flashbacks que reconstroem o seu passado e a história dos incêndios misteriosos.

antesqueuqueime

Apesar de não ser fã de cidades pequenas, adoro livros que trazem esse tipo de cenário, principalmente quando se trata de resolver algum caso de investigação, pois de alguma maneira, todos os personagens se conectam e lhe dão a resposta. E na pequena vila de Finsland não é diferente. Um é professor de outro, que é amigo de outro, que é vizinho de outro… É uma rede que se forma e você fica doido. Cada hora você acha que o culpado é um!

E se você é como eu, que ama histórias bem ambientadas e super descritivas, vai se APAIXONAR por essa obra, escuta o que eu tô te falando, mermão. Chega momentos em que você consegue imaginar com detalhes absurdos os cenários que o autor cita.

Gente, o Heivoll é simplesmente um gênio. Eu nunca li nada parecido com esse livro. Ele conseguiu, com maestria, fazer com que a própria história dele fosse tão importante quanto os fatos que assombraram o sul da Noruega. O livro é bão, pessoas, de verdade. Não é à toa que ganhou o Prêmio Brage 2010 (Noruega).

Com isso, eu concluo essa resenha apenas com uma dica:

ReadTheBook

E não esquece de me contar depois!

 

“[Este livro] é baseado no que aconteceu, mas ao mesmo tempo foi escrito no espaço livre entre a realidade e o sonho.”

Gaute Heivoll

Leia um trecho de “Antes Que Eu Queime”!

Um café e um mistério, por favor

Em 18.05.2015   Arquivado em Crônicas

 

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Quem é você, Amélia, Amélie? Esse é mesmo o seu nome? Por que toda essa maquiagem escura em volta desses olhos que mais parecem gelo? O que você tem que não se deixa derreter, garota?

Acho que é o que me pergunto todos dias enquanto como no Café Madame Nola todas as manhãzinhas. Ela se esconde na montanha de waffles que pede rotineiramente.

Os olhos dela me parecem sempre cansados. São assim desde sempre, eu acho. Desde que nos trombávamos na cantina da escola. Já faz três anos. Três anos que a percebo ao meu redor. Mesmo que sem querer. Acho que é sem querer.

É como se enquanto eu estivesse saindo para trabalhar, ela estivesse voltando. Os cabelos sempre como se ela tivesse acabado de sair de uma fuga louca contra o vento gelado e cortante do inverno que vem chegando.

Mas ao mesmo tempo que dos olhos dela brotam a ressaca, do corpo parece nascer uma certa vibração. Como se estivesse eletrocutado, ligado, aceso. E os olhos… Bem. Parecem luzes, luzes cinzas e turvas que costumam aparecer no escuro do horizonte quando um marujo está perdido no oceano. Aquele tipo de luz que traz esperança ao desespero. A luz que eu sempre imaginei que precisava.

Os cabelos loiros caindo ao lado do ombro esquerdo enquanto ela apoia o corpo sobre a mesa. Posso jurar que ela me percebe mas finge que não. Como sempre. Enquanto eu me esforço pra fazer parte disso, de uma olhada, de um sorriso, de um momento. Um mundo que nem sei se existe. Um universo que queria conhecer. Acho que pra me tirar dessa mesmice, desse óbvio, dessa coisa certa demais.

Amélia, Amélie. Quem foi você? Quem é você? Qual era o nome que suas amigas costumavam lhe chamar pra guardar um lugar na mesa da cantina, mesmo? Era algo que se perdia no meio de tantas vozes. Algo que se perdia porque eu não conseguia olhar pra outra coisa que não fosse pra ela. Um mistério.

Já perguntei para a Madame Nola, a dona da lanchonete. Umas sete vezes, eu acho. Ela não sabe. Disse que só sabe que ela mora aqui por perto. E que gosta de waffles. Uma montanha de waffles.

Fico me perguntando se é o destino me dando uma chance de conhecer o desconhecido. O desconhecido que faz parte de mim há três anos. Na escola, nas redondezas. Na manhã.

Então os quase 25 minutos que tenho para conhecê-la de longe sempre acabam. Ela passa apressada vestindo o casaco e a bolsa jogada no ombro. Sempre ao lado da minha mesa. Três anos criando a história de uma garota que passa por mim no Café Madame Nola.

Mas me surpreendo quando dessa vez me flagro encarando botas pretas e gastas ao lado da minha mesa. Subo meu olhar e dou de cara com ela. Olhos cinzas, borrados, turvos, vivos. Um guardanapo jogado em cima do meu prato.

“É Amélie.”

Leio enquanto escuto a porta de vidro se fechar.

Resenha: Quem é Você, Alasca?

Em 20.04.2015   Arquivado em Livros

QuemÉVocêAlasca

Bom! Atendendo a milhares de pedidos, vim falar sobre um dos meus livros favoritos na vida TODA: Quem é Você, Alasca?

Apesar de ser um livro que eu li já faz um tempinho, é uma história tão marcante que não é como se eu tivesse esquecido o que de melhor me atraiu nessa história.

A primeira obra do célebre John Green narra a história de Miles Halter, um adolescente que possui uma coleção diferente de qualquer outra existente no mundo inteirinho: últimas palavras. Sim, ele gosta de descobrir quais foram as últimas palavras das personalidades antes delas morrerem. Estranho? Só um pouquinho!

Cansado da vida sem propósito que levava, Miles decide ingressar no colégio interno no qual seu pai estudara quando jovem. Tudo isso para ir em busca do seu “Grande Talvez”.

Lá ele conhece seu colega de quarto, que se intitula Coronel e lhe apelida de Gordo. Coronel lhe apresenta Takumi, Lara e Alasca. O novo grupo se diverte durante todo o ano letivo, bebendo e fumando escondido pelas redondezas da escola. Gordo passa a viver coisas que jamais ousou tentar viver antes!

Tá, tá, Nats… Mas quem é a Alasca?

Bom, a Alasca é uma garota inteligente, engraçada, problemática, sensual e completamente maluca. Ela é impulsiva, egocêntrica e inconstante, o que pode fazer com que você entre num conflito interno entre amá-la e odiá-la (no meu caso, amá-la). É ela quem guiará nosso Miles para um labirinto e o levará ao seu “Grande Talvez”.

Já Miles, é aquele cara que procura por uma mudança drástica na vida. Algo que finalmente dê um sentido a sua existência. E é isso o que a Alasca provoca nele e em todos nós quando nos deparamos com ela.

Apesar de algumas pessoas terem “aversão” de livros e autores que são modinha, eu vou dizer porquê vocês deveriam ler as obras do John Green.

Pra quem acha que o cara escreve livro bobo pra vender está MUITO enganado. Assim que você começa a ler qualquer um dos livros dele, percebe que ele tem uma bagagem literária e cultural muito grande. Sempre cita bandas, músicos e livros que são renomadíssimos e consegue trabalhar muito bem em cima deles sem que isso tire o foco da trama principal.

O Sr. Green é realmente um escritor contemporâneo especial. Cada livro é uma história completamente diferente, com personagens únicos que te arrematam de uma forma que é impossível não se apaixonar por eles.

Uma coisa que eu gosto muito nos personagens é justamente as particularidades que ele dá pra cada um. Coisas que eu mesma gostaria de ter como particularidade. Como por exemplo essa mania de últimas palavras do Miles, ou a mania das metáforas do Augustus (A Culpa é das Estrelas), ou a vontade de se tornar um mistério como a Margo (Cidades de Papel).

Outra coisa que me prende nessa história é o eterno jogo de sentimentos que existe entre Miles e Alasca e que você fica tentando desvendar do começo ao fim. E o mais incrível disso é que eles são tão comuns quanto eu ou você, mas ao mesmo tempo trazem aquele mistério que todo ser humano traz e que, de uma forma ou de outra, acaba tornando-os especiais.

Ah, é mesmo… Já ia me esquecendo de dar aquela diquinha básica. Espero que você seja do tipo de leitor(a) que espera de tudo, porque John Green brinca com nossos sentimentos o tempo todo. Ele não tem dó nem piedade.

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Além de tudo, o cara gosta de intrigar os leitores. O livro é dividido entre duas intrigantes partes: “Antes” e “Depois”. Resta saber por qual acontecimento essa história é dividida, não é mesmo? Vocês vão ter que descobrir sozinhos. RIRIRIRI.

Que tal vocês lerem e depois e me darem AQUELA opinião? Já leu? MELHOR AINDA! Conta pra Nats o que acharam. 🙂

 

“Mas que diabos significa “instantâneo”? Nada é instantâneo. Arroz instantâneo leva cinco minutos, pudim instantâneo uma hora. Duvido que um instante de dor intensa pareça instantâneo.”

 

Livro em PDF: Quem e voce, Alasca_ – John Green

Resenha: A verdade sobre o caso Harry Quebert

Em 23.03.2015   Arquivado em Livros

 

harryquebert

“Cerca de meio segundo após terminar o seu livro e ler a última palavra, o leitor deve se sentir invadido por uma sensação avassaladora. Por um instante fugaz, ele não deve pensar senão em tudo o que acabou de ler, admirar a capa e sorrir, com uma ponta de tristeza pela saudade que sentirá de todos os personagens. Um bom livro, Marcus, é um livro que lamentamos ter terminado.”

Acho que esse trecho consegue resumir completamente a onda de sensações na qual eu mergulhei ao ler a última página do livro “A verdade sobre o caso Harry Quebert”. Sabe aquele tipo de história que te prende do começo ao fim e faz você ficar pensando em cada capítulo o dia todo? Aquele livro que faz você ficar desejando mentalmente chegar logo em casa para poder se apossar daquelas palavras que tanto querem ser lidas? Com certeza é a obra do suíço Joël Dicker. Mexeu tanto comigo que resolvi dar uma palhinha pra vocês correrem atrás dele.

Pois bem! A nossa trama começa quando Marcus Goldman, um escritor boa pinta de 30 anos, acaba de sair do torpor do primeiro best-seller e precisa escrever um novo livro num prazo determinado pelo contrato realizado entre ele e a editora. Só que é aí que mora o problema. Marcus acaba se afundando na doença dos escritores, o famoso “bloqueio criativo”.

Desesperado, Goldman entra em contato com seu grande amigo, renomado escritor e ex-professor da faculdade, Harry Quebert, que o recebe de braços abertos e o convida para passar uma temporada longe dos holofotes de Nova York e se abrigar em sua maravilhosa casa à beira-mar, em Aurora, New Hampshire.

Eis que, numa tardezinha, enquanto estava no escritório de Harry tentando achar uma luz no fim do túnel para sua inspiração, Marcus acaba descobrindo que seu amigo teve um caso com uma garota de 15 anos quando ele mesmo tinha 34! E não foi um casinho qualquer, não! Os dois eram completamente apaixonados um pelo outro. Harry acaba contando o desfecho final daquele amor proibido: Nola Kellergan, a garota por quem se apaixonara, havia sumido desde o verão de 1975 e ninguém sabia seu paradeiro desde então.

Harry o faz prometer que jamais comentaria a alguém sobre aquele romance, ou o respeitado escritor teria grandes problemas.

Porém, meses depois o corpo de Nola é encontrado enterrado no jardim da casa de Harry após 33 anos, junto do original do livro que o consagrou como um dos maiores escritores do país. Encurralado pela polícia, ele finalmente admite ter tido um caso com a garota e diz ter escrito o livro para ela, porém alega inocência no caso do assassinato.

Sem um álibi que comprove o seu não-envolvimento, Quebert é preso, e para ajudar a salvar a pele do amigo, Marcus começa uma investigação por conta própria, o que o impulsiona a escrever um livro sobre o caso. Mais e mais pistas vão sendo desenterradas na pequena cidade de Aurora, e os segredos de seus cidadãos “pacatos” começam a vir à tona.

Faz tempo que um livro não me surpreende como esse, gente. Para aguentar as reviravoltas que essa história dá, como diz o Galvão, HAJA CORAÇÃO, viu!

Esse senhor Joël Dicker me segurou do começo ao fim. O jeito com que ele detalha e ambienta o lugar… É incrível. Faz você querer procurar no mapa a cidade de Aurora, sério mesmo! Fora a profundidade dos personagens, e como, de alguma forma, eles se interligam conforme o mistério é revelado. Palmas para o Sr. Dicker!

 

palmas

E aí? Será que Harry Quebert é mesmo o culpado pelo assassinato de seu grande amor? Não falo, não falo e não falo! A única coisa que posso falar é: VAI LER LOGO ESSE LIVRO, MOLIER/HOMI/SER/CRIATURA!

E como sou uma pessoa maior legal, vou disponibilizar o primeiro capítulo do livro! Que tal, que tal?

Trecho – A Verdade Sobre o Caso Harry Quebert – Joël Dicker

Depois dividam comigo o que acharam, valeu? VALEU!

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