A farsa da Mulher-Maravilha

Em 04.11.2015   Arquivado em Crônicas

mulhermaravilha

Wondergirl – Hey Monday

Você já sentiu como se não fizesse parte do seu próprio mundo? Se a resposta é sim, então acho que sabe do que estou falando. Se a reposta é não, acho que vai passar a entender agora.

Durante todo esse tempo, eu apenas tentei não decepcionar ninguém. Afinal de contas, sempre depositaram fé em tudo o que eu me prontificava a fazer. Fé até demais.

Sem querer, fui criando uma imagem de que eu era mesmo uma pessoa incrível e célebre. A mais inteligente da turma, a melhor companhia para festas, o melhor ombro para chorar, o melhor ouvido para desabafar.

E quando eu percebi, era tarde. Já era o “Sonho Americano” de todos os que me rodeavam. E sabe de uma coisa? É um saco! As pessoas sempre esperam que você não erre. Porque você é perfeita. Porque você foi criada para não cometer erros. E quando os comete, é como se o mundo desmoronasse.

Eu não deveria me sentir mal por isso. Mas me sinto. Porque não posso apenas jogar tudo para o alto, não posso me desligar do mundo, sumir das redes sociais e colocar o celular no modo avião. Não posso encher a cara e acordar no tapete de uma casa onde passei a noite inteira festejando. Não é simplesmente assim que as coisas funcionam.

Não sou nada do que os outros pensam que eu sou. Ninguém me conhece. Nem eu me conheço! Dizem que gastamos uma vida toda para conhecermos a si mesmos, e que algumas pessoas sequer conseguem cumpri-lo. Frustrante, eu sei.

Eu posso ser forte, mas não sou invencível. Só queria que as pessoas parassem de me colocar num pedestal e depositassem toda a fé que lhes restam em mim. Ser a Mulher-Maravilha não vai me salvar.

Eu sou só uma menina. Uma menina tentando se encaixar no seu próprio mundo.

Au Pair: Namoro a distância

Em 15.10.2015   Arquivado em Por aí

distância

Pois é. Depois de muitos pedidos, resolvi falar do assunto que assusta muito as futuras au pairs que deixarão o país e são comprometidas.

Aí vocês devem estar se perguntando: “Como sobreviver a isso?”/”Nosso amor vai acabar!”

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Meu primeiro conselho é:

bitchpause

Calmou? Então agora vamos lá!

Ninguém aqui tá falando que vai ser uma coisa simples, porque não é. E eu acho que eu sou a melhor pessoa pra falar sobre isso por motivos de: já passei por isso antes.

Há dois anos atrás eu tive um namorado que foi fazer intercâmbio em Dublin e ficou lá 8 meses. Aí vocês devem estar pensando: “Você deve ter morrido.”

Pra ser sincera, eu achei que fosse mesmo.

MAKEITSTOP

Só que não. Ao que contrário do que podem pensar, aprendi MUITA COISA com essa distância. Aprendi a me conhecer melhor, a saber meus gostos, a ficar sozinha… E descobri que ficar sozinha é totalmente diferente de ser sozinha, e que em alguns momentos isso é uma delícia!

É claro que eu não descobri isso de cara, né, gente. Tive que aprender na marra. Nós dois aprendemos com os erros e estamos tentando não cometer os mesmos erros que cometemos quando ele foi, e mesmo assim, todo dia é uma nova lição a aprender!

Então eu estou aqui para tentar acalmar o coração dessas moças todas com algumas diquinhas primordiais pra que esse relacionamento perdure.

 

Diálogo

Esse é o primeiro item porque provavelmente é a primeira coisa que acontece quando você decide que quer ser au pair. Vocês vão precisar conversar sério e honestamente para saber o que será do relacionamento de vocês a partir deste momento.

Você vai. Essa é a primeira coisa a ser dita. Vocês vão continuar o relacionamento? Ele(a) aceita continuar o namoro? Como vai funcionar? Vocês vão se ver? Ele(a) vai te visitar?

Como você pode ver, tem MUITO assunto pra ser resolvido.

Não faça novela novela mexicana antes da hora.

novelamexicana

 

Compreensão

Esse item é primordial no relacionamento, ainda mais em se tratando de intercâmbio. E isso não serve só pra quem está ficando, mas pra quem está partindo também.

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Pra quem fica

Não vou ser hipócrita, até porque já estive no lugar de quem fica. Esse é o papel mais difícil. É compreender logo de cara que o seu amor deseja realizar algo pessoal do qual você não irá necessariamente fazer parte, mas que isso não é de um todo ruim (só que você só percebe isso depois). É compreender que o egoísmo precisa ser deixado de lado. Acho que essa foi a parte mais complicada pra mim quando ele foi, e eu sinto muito por isso até hoje. Sei que era mais nova, mas acho que eu poderia tentar levar as coisas um pouco menos na emoção, só pra variar um pouquinho.

Também tem que compreender que o seu amor está indo desbravar uma outra terra e conhecerá pessoas novas, mas isso (pelo menos no nosso caso) não será uma ameaça ao seu relacionamento.

 

Pra quem vai

Apesar de você estar com a cabeça à mil, com visto, malas, família, ansiedade tudo ao mesmo tempo, terá que abrir um espaço gigante pra compreender que o seu amor que está ficando vai sofrer mais do que você nesse período, e isso é triste e inevitável. Não adiantará você dizer que tudo vai dar certo, que vocês vão passar por isso, que você continuará amando-o(a). Nada faz o sentimento de “perda” dele(a) ir embora, e você precisa entender que isso não é necessariamente sua culpa. Você vai ficar triste e vai sofrer junto, óbvio. Mas não se sinta culpada(o).

Você vai ter que compreender que “cada cabeça é uma sentença”, e que ele(a) pode reagir de diferentes maneiras. Talvez ele(a) queira participar de todo o processo, queira te ajudar com as malas, queira saber dos seus planos (como no caso do meu namorado). Mas pode ser que ele(a) não queira nem ouvir a palavra “intercâmbio” ou o nome do destino para onde você vai. Talvez ele(a) não aguente e comece a chorar só de pensar à respeito (como no meu caso. Culpada nos dois itens). E de novo, eu muito me arrependo da minha postura diante disso, pois era um momento em que meu namorado precisava de apoio e eu não o dei. Peço desculpas pra ele até hoje por isso.

 

Paciência

Como se não bastasse vocês terem que lidar com a própria situação e com a saudade de matar, ainda tem aquelas pessoas que fazem você perder a cabeça, tentando te fazer pensar besteira mesmo sem intenção. Não entendeu?

Sabe aquele primo que solta: “Nossa, mas relacionamento a distância não dá certo, cês sabem, né?” ou “Iiiiih, quem vai trair primeiro?”. Melhor: “Ahh, mas comigo não rolou não. Terminamos no primeiro mês.”

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SEMPRE vai ter uma pessoa querida assim pra te “ajudar” a passar por essa situação, então o que eu tenho pra dizer é: respira fundo e confia no seu relacionamento.

Você já conversou com o seu/sua parceiro(a) a respeito e vocês são os ÚNICOS que sabem do relacionamento de vocês. Não deixe que ninguém possa ditar o que será de vocês agora. As únicas pessoas que vão fazer isso dar certo (ou não) são vocês dois e PONTO FINAL.

 

Ciúmes

Cheguei onde todo mundo queria, né? NÉ!

É inevitável, gente, sinto dizer. Até o ser menos ciumento do universo vai virar a Namorada Sinistra nesse momento.

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A culpa é da distância, que aumenta tudo na gente: a saudade, a insegurança, o medo de perder. Mas também digo que a culpa será sua se ficar se encanando com qualquer coisa.

Não pense você, que vai ficar no Brasil, que seu boy/sua girl vai ficar entocado em casa nos finais de semana e dias off, porque eles não vão. Eles estão em um país diferente e TAMBÉM querem curtir. E não pense você, que tá viajando, que seu boy/sua girl também não vão querer sair pra se distrair, uma vez que você não está lá para fazerem isso juntos. É uma troca justa, né?

E sim, haverão amigos novos, principalmente quem estiver viajando. E isso faz parte, so sorry, mate.

É claro que é preciso estabelecer certos “limites”. E quando eu digo “limites”, não é impor nem viver em um “relacionamento abusivo”. Vamos chamar isso de bom senso, ok?

“Como assim, Nats?” Bom. Sempre que você for fazer algo e pensar se aquilo vai magoar seu/sua parceiro(a), pense “E se fosse o contrário? Eu me chatearia?”. Sim sim. Sabe aquela frase da nossa mamãe “Não faça aos outros o que você não quer que façam com você?”. Adote e siga com amor e carinho e todos ficarão felizes (e vivos).

 

Confiança

Apesar de esse item estar intrinsecamente ligado ao item acima, resolvi dar um espacinho especial para falar. Isso não é novidade e não é a primeira vez que você ouvir (ler, no caso): Confiança é a base e todo o relacionamento.

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Acredito que você conhece com quem está namorando e sabe muito bem o que esperar e o que não esperar do(a) seu/sua parceiro(a). Nesse ponto vocês já conversaram bastante e sabem o que é saudável e o que não é para o relacionamento de vocês, certo? Diz que sim, for Christ Sake.

Vocês passarão por muitas provações e muitos mal-entendidos, e aí entra aquele item do diálogo, lembra? Não interprete nada antes de conversar, não dê espaço para que sua interpretação seja a história real sem antes ouvir o outro lado.

 

Honestidade

Eu poderia ter falado isso tudo no item acima, mas também acho primordial falar sobre isso separadamente. Fale SEMPRE o que sente. Nunca deixe pra falar depois, fale quando der na telha, no momento em que estiver sentindo.

Se estiver inseguro(a) diga. Se estiver com saudade diga. Se estiver com raiva diga. Se estiver triste diga. Se estiver sofrendo diga. Se estiver feliz e quiser compartilhar uma novidade diga. Se estiver confuso diga. Não deixe nada passar.

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Se em algum momento do relacionamento um dos dois sentir que não conseguirá mais lidar com a distância por qualquer motivo… Seja por estar desgastado(a), cansado(a) ou até mesmo interessado(a) em outra pessoa, diga.

Se você não ama mais a pessoa com quem está, pelo menos respeite a história e o amor que compartilharam pelo tempo em que estiveram juntos. Seja homem/mulher e fale a verdade. Não magoe quem está à sua espera. Não magoe quem está longe, porque não é justo com ninguém.

 

Bom, acho que o post já virou uma bíblia, então eu deixarei esse assunto em aberto porque ainda falarei sobre diquinhas fofas para manter o relacionamento.

 

O que você acha de namoro a distância? Acha que conseguiria lidar? Deixe suas dúvidas, críticas, mágoas e frustrações aqui! RIRI

Divino drama

Em 09.06.2015   Arquivado em Crônicas

DivinoDrama

Eu digo que é medo, porque não sei perceber se você não quer. Estou indo além, me enganando e me sentindo mais amada, quando talvez o amor não esteja presente todo esse tempo em que estou aqui.

Você poderia ser mais honesto e não me manter aqui mais um ano. Mas não. Você realmente não regride um segundo sequer. E quando mesmo não me desejando, não diz adeus. Não me deve satisfações, porque nunca foi capaz de me prometer nada. Ainda bem, porque odeio promessas. Principalmente quando sei que você não vai cumprir.

E a chave de tudo está nisso: saber. Ou melhor (pra você, pior pra mim), fingir não saber.

E você deve rir, como se eu estivesse me perdendo e te perder fosse um erro daqueles. Cacete! Talvez você esteja aproveitando o máximo que pode ser tirado de mim. Você pode me roubar o sorriso e o olhar mais doce que eu posso emitir cada vez que te vejo. Você anda conhecendo meus dias e meus risos. E você, enfim, me viu chorar e mostrar os meus medos. Mas você não me conhece. E sinto dizer que não te conheço e nem sei com quem estou lidando.

 

Você diz que só sei fazer drama. Mal sabe que o único drama é ter medo de se entregar. Que o único mal é não admitir nas horas certas. E saber que você vai lembrar.

Eu tenho os melhores dias que você é capaz de me oferecer. Eu tive as melhores fases e até te odiei. Por segundos. Por impulsos. Por existir. Como te faço memória. Como te moldo. Por vontade. Por vontade de você.

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