Bullying não é brincadeira!

Em 07.05.2015   Arquivado em Off topic

 

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Não, não saia. Não feche a aba do seu navegador agora que você viu o assunto do qual eu vim falar hoje. Já está cada vez mais comum as pessoas ignorarem o tema por acharem que é bobeira, que falar de bullying é algo totalmente clichê.

Se fosse clichê, com certeza não haveria tantos casos se desenrolando dentro das escolas do mundo todo, dia após dia. Aliás… Achar que o sofrimento das pessoas é clichê é algo muito grave. Só confirma o quanto os valores da sociedade estão completamente invertidos.

Eu sei que já tiraram sarro de você. Já tiraram sarro de mim também, mas felizmente eu fui uma criança bem comunicativa e do tipo que não levava desaforo pra casa. Mas sabemos que cada pessoa é uma pessoa, cada mente é um universo diferente. Eu sabia me defender, me impor. Mas e aquele carinha inteligente e quietinho que sentava sozinho na sua sala? Será que ele sabia se defender? E aquela menina um pouquinho acima do peso? Será que ela sabia se defender? Será que ela era gordinha porque queria?

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Mas a pergunta que não quer calar é… Por que as pessoas se importam e se incomodam tanto quando alguém acaba destoando em meio a sala? Eu tenho a resposta, quer saber? Tudo se resume a uma palavra: intolerância.

E ao contrário do que muitos pensam, infelizmente, ser intolerante nem sempre se trata da educação que os bullies (quem pratica o bullying) receberam em casa, apesar de isso colaborar bastante. Sabe do que se trata? Caráter.

Porque não é possível que alguém seja capaz de se divertir ofendendo, provocando e agredindo outrem. Pra mim, essa pessoa tem que ter muitos probleminhas internos pra achar isso engraçado. Porque não é engraçado, cara. Pode até ser na hora, quando você é do tipo de pessoa que precisa ser o centro das atenções e gosta de fazer os coleguinhas rirem das suas piadas, que para serem engraçadas, precisam machucar alguém. Mas será que você vai achar engraçado quando encontrar aquele cara inteligente e sem amigos doente? Será que vai ser engraçado quando descobrir que aquela menina acima do peso acabou sofrendo de anorexia? Será que você vai achar engraçado quando souber que a culpa é sua?

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Então eu peço que entenda esse texto não como mais uma frescurinha, de uma revoltada em busca de revolução ou coisas do tipo. Isso aqui é só um apelo a um assunto que precisa ser melhor compreendido.

Como trabalho de conclusão de curso da faculdade, eu e um amigo escrevemos um livro-reportagem chamado “Fim do Silêncio – Retratos do Bullying”. Nele, trouxemos depoimentos de 5 vítimas do bullying e as consequências que as agressões (físicas ou psicológicas) trouxeram a elas, além de entrevistas com profissionais das áreas jurídicas, psiquiátricas e pedagógicas para falar sobre esse fenômeno social.

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Nós produzimos esse livro porque frequentemente vemos como a imprensa trata do tema “bullying”. O que você vê na mídia? “Adolescente invade escola e mata alunos”. “Adolescente sofre bullying por ser bonita”. Sim, o tema só entra em discussão quando algo do tipo acontece. Mas nenhuma matéria com profundidade, nada que explique o tema ou as motivações dos casos. Então, resolvemos trazer algo diferente, mostrando como as vítimas se sentiam, o que elas passavam, o que elas pensavam no momento em que estavam sendo agredidas. A ideia é fazer com que os leitores sintam na pele o que essas vítimas já sentiram. Uma maneira incomum de conscientizar a sociedade. Ainda não temos nosso livro disponível. Estamos pensando em investir e procurar alguma editora que se interesse pela obra.

Mas caso tenha se interessado pelo tema, você pode conhecer mais casos reais de outras pessoas que sofrem ou sofreram com esse mal social. Seguem duas indicações.

 

O garoto que cantou sua história de vítima do bullying no “Britain’s Got Talent” – Legendado

 

Documentário “Bullying”

 

Como indicação, também tem esse filme incrível com a Emily Osment, Cyberbully, que trata de um fenômeno que creio, todo mundo conhece. Vale a pena conferir! Deixo o trailer pra vocês sentirem um gostinho de quero mais!

Fica aqui a minha parte para um mundo melhor, gente.

O que vocês acham sobre o assunto? Fiquem à vonts para comentar!

Opinião sobre dar opinião

Em 24.03.2015   Arquivado em Off topic

 

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Apesar da foto não fazer menção exatamente ao que vim falar hoje, acho que foi a imagem que mais conseguiu traduzir como venho me sentindo nos últimos tempos.

Para quem me conhece ou frequenta o blog, sabe que sou uma jornalista recém-formada, ou seja… Estudei muito sobre censura. E sim, fui muito censurada. Infelizmente isso acaba fazendo parte do meu dia-a-dia quando se trata da profissão que escolhi. Não vou dizer que estou conformada com isso, mas é algo da qual fui alertada desde o primeiro dia em que coloquei meu pé dentro da faculdade, não é algo que do qual eu já não tivesse conhecimento. Então vamos dizer que “tudo bem.”

Agora… Quem me conhece também, sabe que apesar de jornalista, tenho minhas próprias opiniões sobre as notícias e acontecimentos que vêm preenchendo o nosso dia-a-dia enquanto cidadã, pessoa de bem e tudo mais. Sabe que não sou o tipo de pessoa que sai publicando tudo o que pensa ou deixa de pensar sobre todos esses assuntos nas minhas redes sociais.

Só que todos os dias vejo essas minhas mesmas redes sociais lotadas de textos super bem elaborados, super bem escritos, super cheios de opinião… Mas também super cheios de intolerância. E sim, eu acho que o mal da sociedade é essa maldita intolerância. Por quê?

Porque a cada dia que passa eu sinto mais medo de expor o que eu penso. A sociedade está num nível que tudo o que é brincadeira, tudo o que é distração, acaba ganhando peso e medidas de algo que sequer foi pensado. Eu sei que temos que pensar e repensar em muita coisa antes de dizê-las, porque tudo tem mais de uma interpretação nessa vida. Toda história tem dois ou mais lados. Quem estudou jornalismo sabe bem disso. Mas interpretação e distorção são coisas bem distintas.

Vejam bem, que fique claro que não estou criticando ou censurando o ato das pessoas publicarem suas opiniões. Pois senão não faria o menor sentido escrever sobre censura ~dã~. O que estou querendo dizer é que muitas vezes (não generalizando, porque né…), essas mesmas pessoas que publicam suas verdades se ofendem com a verdade de um fulano ou de um ciclano. Sabe qual é a coisa mais triste? Ter que pensar mil vezes antes de escrever o que você realmente pensa sobre o que QUER QUE SEJA. Perceberam que só nesse parágrafo tentei me explicar mais de uma vez para não ser mal interpretada?

Não se pode mais dizer que prefere a cor azul, porque senão quem gosta de amarelo se ofende, mesmo que a cor amarela não tenha sido descartada por você. Aliás, quando foi que você disse que não gostava de amarelo, mesmo? Quando foi que pensar uma coisa exclui a possibilidade de se pensar outra? E aquela história de que cada um tem o seu gosto/sua opinião? Quando deixou de existir o diferente? Entendem onde quero chegar, afinal?

Eu não sei quando o mundo deixou de ser um lugar maneiro pra abrigar coisas tão sem graças e tão cheias de exagero, tão cheias de “mimimi”, mas fica aqui a minha triste opinião sobre o que é dar opinião.

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