Ser viajante não são só flores

Em 22.06.2016   Arquivado em Por aí

Ser viajante não são só flores. Morar fora não é só glamour como todos pensam. Quer dizer… É muito fácil ver as fotos de paisagens de tirar o fôlego das pessoas pensando o quão sortudas e o quão boa é a vida delas sem nem questionar quantas foram as coisas das quais elas tiveram de abrir mão, os sonhos mundanos que tiveram que sacrificar, os centavos que economizaram ou os obstáculos que enfrentam no dia a dia para estar com aquele sorriso que estampam as fotos. Estou falando isso porque eu já fui esse alguém olhando as fotos e desejando que aquela fosse a minha vida.

Para se aventurar não é preciso dinheiro, como a grande maioria acha que é disso que o mundo todo se trata. Se aventurar, se lançar em alto mar sem olhar pra trás, pegar um avião e abandonar a terra-mãe… Tudo isso tem muito mais a ver com coragem do que qualquer outra coisa.

Coragem para deixar a família, os amigos, a cidade, a rotina, as coisas com as quais está habituado para enfrentar o desconhecido em uma terra da qual pouco tem-se conhecimento – mesmo que tenhamos passado dias e noites lendo sobre cada detalhe do destino. Na teoria tudo é muito bonito, realmente.

Mas na prática… Nós já vamos sentindo o coração apertar quando começamos a fazer a bagagem e percebemos que muitas vezes nossa vida cabe e se resume a uma mala. Aquilo passa a ser tudo o que temos. Não temos mais amigos, não temos mais casa. Mesmo quando vamos com um lugar específico para morar, dificilmente conseguimos chamá-lo de lar.

Então descobrimos que aquilo que chamávamos de “ser sozinho”, no nosso quarto, rodeado com as nossas coisas, não é nada perto do que é realmente estar sozinho em uma cidade cheia de vidas cruzando a sua a cada milissegundo. E calma, porque eu nem estou dizendo que essa sensação seja ruim. Muito pelo contrário!

Finalmente descobrimos que teremos de aprender a lidar com o nosso maior inimigo: nós mesmos.

Lutamos contra o medo de nos perdermos, de não termos amigos. Lutamos contra as estações que diferem tanto do nosso país – isso sem mencionar a língua e a alimentação -. Lutamos contra a própria mente que nos consomem noites a fio e nos fazem perguntar a nós mesmos se largar tudo foi a escolha certa. Lutamos contra a distância que faz com que algumas das pessoas mais próximas se tornem apenas estranhas. Lutamos contra a saudade que aperta e machuca. Lutamos contra a tela do computador/celular tentando tocar o rosto de quem amamos e nos conformando que aquilo nada mais é do que uma imagem com a qual precisaremos nos contentar por tempo indeterminado.

E mesmo assim iremos sorrir. Sentimos orgulho de nós mesmos toda vez que pensamos em tudo o que fomos capazes de fazer até agora. E é por isso que sorrimos tanto nas fotos. Não é porque estamos esfregando na sua cara o quão melhor nossa vida é do que a tua. Mas porque nos sentimos vencedores de estarmos ali, porque nada foi fácil. Nada é fácil. Mas a cada dia crescemos e aprendemos um pouquinho mais. Por bem ou por mal. Na boa ou na marra.

E quando estamos ali, com aquela paisagem engolindo nossos olhos e nos roubando todo o ar, acredite, meu velho. Pensar em mostrar que somos melhores que você, que está dando o like na foto, é a última coisa na qual realmente estamos pensando.

Então, da próxima vez que for dar um like na foto de um amigo/parente viajante, dê um like como se o congratulasse. Pense que assim como você tem momentos de tristeza e felicidade, o viajante também tem. E sobre você não postar fotos suas em um mau dia/momento? A mesma regra se aplica ao tal viajante.

Pense que esse seu amigo/parente tem bravura. Porque ser viajante… Ser viajante não são só flores.

Au Pair: Adaptação

Em 22.09.2015   Arquivado em Por aí

Adaptação

Alguém notou que eu dei uma diminuída nos posts sobre au pair? Vocês: Siiim, Nats! Mals aê!

Então, haviam me pedido pra falar sobre o tema antes… Mas eu precisava exatamente de um tempinho para poder escrever sobre isso. Se bem que eu estou aqui apenas há quase três semanas, então não sei o quão eficaz esse post será, mas tudo bem.

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Vim falar do primeiro terror de uma Au Pair assim que ela pisa nos States: a adaptação. E sim, tem MUITA coisa relacionada a isso, por isso resolvi listar algumas coisinhas pra vocês se prepararem para se acostumar:

 

“Mi casa es su casa”

Sim. É a primeira coisa mais estranha com a qual você vai ter que se acostumar a partir do momento em que você pisa na casa da sua Host Family. OPS, a partir do momento em que você pisa na sua casa.

amigas

A Host Family vai dizer te falar: “Quero que você se sinta à vontade. Aqui agora é a sua casa. Sei que parece meio óbvio, mas você pode abrir a geladeira e os armários sempre que sentir fome.” Também vão falar: “Tem algo que você goste de comer que você gostaria que a gente comprasse?”. Como se a gente fosse realmente dizer, né?

Pois é. É muito estranho tentar se sentir à vontade, porque é algo que você acaba tentando se forçar a fazer. Mas relaxa, isso vem com o tempo. A primeira vez em que fui abrir a geladeira perto deles eu ainda soltei um “licença”. E sinceramente, o único lugar que me sinto REALMENTE à vontade é no meu quarto e no meu banheiro. Mas sei que aos poucos isso vai mudar.

E minha host family é muito boa pra mim. Acho que isso é primordial! Eles estão sempre preocupados comigo, com o meu bem-estar, sempre me dão espaço pra falar o que eu acho e como eu me sinto.

 

Comida

Já que citei a parte da comida, aí vai! Aqui tem muita diversidade, então você não vai sentir falta de muita coisa, a não ser de coisas específicas da sua região. Mas mesmo assim, é possível encontrar tudo aqui, sem brincadeira.

Mas a parte da diversidade também pode ser um problema pra quem não quer engordar – tipo eu. Eu sinto que já engordei e estou em um drama interno comigo mesma. Já comecei a maneirar, porque senão… Xá pra lá.

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Kids

Acho que essa é a parte mais aterrorizante, porque você, mais do que nunca, vai fazer de TUDO pra que as crianças gostem de você. Vai tentar agradar, vai levar foras, vai acertar, vai errar.

O começo é sempre a pior parte, principalmente porque muitas vezes você não será a primeira au pair deles. Vai haver comparação, vai haver saudade… Então você precisa estar preparada e ser forte.

Meu primeiro afazer quando peguei no batente foi a preparação para ir para a escola pela manhã. Eu não sei o que foi que eu mais me senti: perdida ou inútil.

Worthless

Eu não sabia o que eu tinha que fazer primeiro. Café da manhã? Roupa da escola? Checar mochila? E pra piorar, em vez de eles me pedirem as coisas, pediam aos pais, que estavam correndo se preparando para irem trabalhar. Eu estava desesperada, porque eu fui contratada pra fazer isso. Se eu não estou fazendo, por que diabos me terão em casa?

E eu realmente sentia que não ia rolar, porque os meninos são super tímidos, sabe? Eu achava que eles me ODIAVAM. Mas acontece que uma hora eles VÃO precisar falar com você, então não se preocupe. O elo começa a se formar por necessidade e depois vira até afeição!

Quase morri quando o mais novinho disse que eu era a melhor au pair essa semana.

Strong

Então desencana. Lembre-se que se pra você tudo é novo, para as crianças também é. Imagina o quão difícil é ter que se desapegar de uma au pair e ter que se acostumar com tudo de novo? Ainda mais em se tratando de crianças. Dê tempo ao tempo e não tente forçar situações.

 

Afazeres

Parece que não vai funcionar e que foi a maior furada da sua vida ter inventado ser au pair. Você não sabe lavar roupa. Você não sabe passar roupa. Você não sabe cozinhar. Você não sabe TANTAS COISAS! CALMA LÁ, SOLDADO.

É tudo como um novo emprego. Você vai errar, você vai fazer 300 perguntas repetidas, vai se frustrar, vai querer morrer. Mas não vai morrer. Porque quando você acerta UMA VEZ tudo começa a caminhar.

Primeiro que tudo depende da sua Host Family. Você vai acertar seus afazeres antes de vir, claro. Então você pode se preparar (ou não). Eu, por exemplo, sou uma LÁSTIMA na cozinha.

cozinhando

Mas eu sabia que ia ter que saber cozinhar umas coisinhas e eles sabiam que eu não manjavam. A host mom se comprometeu a me ensinar algumas coisas. Além disso, internet tá aí pra isso, né, gentis? Eu estou aprendendo, já ouvi das kids “isso tá horrível!”. Mas também também ouvi “sua comida está ficando cada vez melhor.” Você tem que se prontificar a aprender e não desistir fácil.

E não se sinta diminuída por ter que fazer algum trabalho doméstico. Aliás, é o mínimo que você pode fazer. Tudo bem que você está sendo paga pra cuidar das kids. Mas não se esqueça que você não está tendo gastos com comida, água, telefone, estadia… Não custa nada lavar uma loucinha ou dar uma varridinha, né? Além do mais, pra mim está sendo sensacional ter que finalmente me virar sem ajuda da mommy all the time.

 

Independência

Essa palavra parece uma música aos nossos ouvidos, né? Mas cuidado. A palavra “responsável” vem junto dessa primeira, principalmente sendo uma au pair.

Você vai poder ir e vir sem ter que dar satisfação. Você vai poder se programar do seu jeito sem ninguém ficar cagando regras (quando o assunto dizer respeito à SUA vida, que fique bem claro). Você vai se ser dona do seu nariz, vai cuidar das suas próprias coisas. Isso inclui roupas, comida, organização do quarto.

Eu não sei vocês, mas eu SUPER adorei isso tudo.

independent

Me sinto muito mais adulta, muito mais tudo. Eu realmente precisava disso.

Bom, mas lembra que eu te disse que você também estará ligada a outro tipo de responsabilidade? Pois é. Na minha casa funciona da seguinte maneira: tudo o que tem a ver com a vida dos meninos me diz respeito. Roupas, alimentação, material escolar, organização do quarto…

Calma, eu não ajo como mãe. Eu cuido das roupas porque é óbvio. A alimentação e o material também. Mas muitas coisas eu apenas me CERTIFICO de que estão sendo feitas, como por exemplo a lição de casa. Ou o banho, ou a organização dos brinquedos. Os meus host parentes sabem bem que o papel de pais deles é fundamental e não me sobrecarregam de forma alguma, o que é maravilhoso. Todo o tempo que eles estão em casa eles se dedicam inteiramente aos meninos, e eu acho isso muito admirável.

Mas mesmo assim, você sentiu o drama? Você será responsável por outras vidas além da sua. Isso é, ao mesmo tempo assustador e incrível.

 

Amizades

Acho que no momento essa tem sido a pior parte pra mim e que ainda estou levando um tempo para realmente me adaptar. Por mais que eu tenha meus amigos no Brasil e que eu fale com eles praticamente TODO DIA, sinto necessidade de ter amigos próximos aqui. É claro que ainda não tive tempo de fazer amigos AMIGOS aqui, né, gente. Amizade não se constroi em um dia.

O problema é que anseio tanto pelo momento de novas amizades (e preferencialmente gringas pra poder usar o inglês), que acaba não rolando. É tipo aquela história de amor, que quanto mais você procura, menor a chance de encontrar.

Quando eu parar de me importar vai rolar.

shailene-woodley-so-rad

Inglês

E falando em inglês… Aconselho vocês virem com um inglês minimamente bom, e não é brincadeira. Eu estudei 6 anos de inglês e ainda tirei o certificado de proficiência da Universidade de Michigan. E mesmo assim eu estou apanhandinho, juro.

No primeiro dia que cheguei aqui e escutei o sotaque nova-iorquino da minha Host Family pensei. “Whatahell eu tô fazendo aqui? Gente, não sei inglês. Tchau América, tô voltando pro meu BR.” Fiquei mega assustada e pensei que não conseguiria lidar.

Felizmente meus ouvidos já estão mais acostumados, e agora eu só apanho quando são coisas muito específicas, tipo utensílios de cozinha e alimentos. Mas essa semana mesmo escutei do meu Host Dad que meu inglês tá bem melhor do que quando cheguei. Isso também tem a ver com o nervosismo. Quando estou fora de casa dou um SHOW falando em inglês, mas em casa tem aquela coisa de “aceitação” e querer falar certo, sabe? Aí já viu. Mas manda a ver e fale sem medo.

E a parte mais engraçada é quando você esquece que não está no Brasil e às vezes a tecla SAP falha, aí você começa a falar em português e ninguém entende o que tá acontecendo. Faço isso sempre, apenas.

chocado2

Bom, acho que esse assunto ainda vai ter MUUUITO pano pra manga, mas por enquanto eu já dei bastante lição de casa pra vocês hoje, né, crianças?

professortiburcio

Continuem acompanhando e mandando suas dúvidas, que tá ficando lindo! <3

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