Saindo dos trilhos

Em 21.09.2015   Arquivado em Crônicas

Trem

Skinny Love – Birdy

Aí vem o trem que me levará a outra direção. Tudo o que eu carrego é uma mala onde eu acredito estar a minha vida. Isso depois de uma história muito mal resolvida.

É uma história sobre o momento em que deixo de ser alguém com quem você realmente se importa.

Sempre achei que fosse pra sempre, sabe? Eu e você. Mas acho que essa ideia boba mudou quando eu comecei a arrumar a minha mala e vi que você apenas ficou encostado no batente da porta, assistindo àquilo. Eu tentei juntar minhas coisas até que devagar, na esperança de você me pedir pra ficar.

Idiota. Acho que essa história é mais sobre como fui idiota do que sobre nós. Tantas mentiras, tantas traições… E eu ainda preferia uma vida com você do que uma vida comigo mesma.

Começo a ter aqueles questionamentos que eu deveria ter tido durante todo o nosso relacionamento. Você me amou? Você realmente segurou a minha mão para me salvar ou me atirar no precipício em que estou?

Pena que eu só percebi tudo isso agora, sentada no banco enquanto espero o trem mais demorado da minha vida. O trem que finalmente me fará mudar de estação. E então eu darei aquele passo que eu deveria ter dado há muito tempo. Aquele que me fará ir embora sem olhar para trás, a fim de uma nova vida. Uma vida sem você.

Aí vem o trem.

Um conto sem fadas

Em 16.09.2015   Arquivado em Crônicas

Lost It To Tyring – Son Lux

Talvez tenha sido o jeito com que você andou até mim no meio daquela festa à fantasia. Não diria que foi como aquelas cenas de filme, em que o garoto passa pela pista de maneira única, chamando a atenção de todos. Na verdade, foi uma entrada como outra qualquer. Um cara vestido de pirata com uma espada presa ao cinto e uma caneca de cerveja levantada no alto enquanto gargalhava. Romântico, não?

E eu ali, com a fantasia tão ou mais clichê quanto a sua: anjinho. E não sei por que raios acabei chamando a sua atenção. Quando dei por mim, já estava dançando com você em meio àquela multidão de personagens bêbados e histéricos.

Pulávamos e dançávamos como se houvesse apenas nós dois dentro daquele salão. O seu rosto estava mal iluminado devido ao jogo de luzes que ficava piscando frequentemente, mas ainda assim dava para ver o quão era lindo.

Não vou dizer que você me ganhou na conversa, porque na altura do campeonato, nós nem conseguíamos ouvir o que o outro falava com aquele som alto que enchia o ambiente. Era inútil tentar se comunicar, então logo começávamos a rir, um da cara do outro. Também não havia muita coisa para ser dita naquele momento. Nossos olhares eram capazes de se entender muito bem, obrigada. Estava claro. Eu queria você, e você me queria.

Nossos olhares haviam se conectado desde o momento em que eu o vi com a cerveja que você quase derrubou porque alguém havia lhe esbarrado. E naquele momento eu soube.

Nunca fui uma princesa, então nunca imaginei que fosse encontrar um príncipe encantado. Sempre gostei de algo mais aventureiro e avassalador. No fundo, sempre tive uma inclinação para piratas, sabe?

Mas quer saber qual é a vantagem de eu não viver num conto de fadas? Deu meia-noite e eu não precisei sair correndo para voltar para casa na minha abóbora gigante, nem perder meu sapatinho de cristal na corrida que não aconteceu. Deu meia-noite, e lá estávamos, eu e você.

E melhor do que nesses contos, nossa história não acabou com um beijo e um “feliz para sempre.” Terminou de uma maneira muito melhor. De uma maneira que eu sabia: haveria continuação.

– Posso te levar pra casa?

Memórias mundanas

Em 20.08.2015   Arquivado em Crônicas

MemóriasMundanas

Skinny Love – Birdy

Ainda sinto o cheiro de canela emanar do meu travesseiro toda vez que afundo o meu rosto nele. Ainda consigo encontrar o seu olhar toda vez que me escondo debaixo do edredom, como costumávamos fazer de madrugada, com uma lanterna. Ainda lembro do som da sua risada, toda vez que eu fazia uma piada, mesmo quando ela era sem graça. E ela sempre era.

Lembro como você ficava irritada toda vez que eu tentava contar as sardas do seu rosto e acabava perdido nas próprias contas. Ou de como as minhas covas das bochechas apareciam tímidas quando você passava a ponta dos meus dedos sobre elas e me fazia sentir cócegas. Ainda lembro de como você enrugava o nariz e torcia a boca quando algo não lhe agradava.

Ainda guardo na memória como você ficava linda com aquele jeans surrado. E o barulho que aquele seu par de All Star branco encardido fazia no assoalho da minha casa. De como eu me escondia toda vez que eu a escutava subir as escadas para lhe dar um susto. Mas no final, era sempre eu que me assustava.
Sinto saudades de como nossas risadas combinavam. De como sua mão cabia dentro da minha. Sinto saudades de quando você praguejava porque eu encostava meus pés gelados nos seus para me esquentar. E de como você sempre se dava por vencida.

Funcionávamos tão bem juntos! Era como se você tivesse sido feita sob medida pra mim. Sim, era você quem havia sido feita pra mim, e não o contrário. Você sempre dizia isso, lembra? Porque eu sou três anos mais velho. Porque quando veio ao mundo, eu já estava nele. Portanto, você nunca havia vivido num mundo em que eu não estivesse antes. E por causa disso, parece que você se achou no direito de me fazer viver num mundo sem você.
Num momento eu tinha tudo! E agora… Não existe mais canela, nem olhares, nem lanterna, nem risada, nem piada. Não existem sardas ou covinhas. Nem rugas no nariz ou boca torta. Que dirá o jeans surrado e o barulho do All Star no meu assoalho! Não existe mais sua mão dentro da minha, nem o calor pra me esquentar. Porque você deixou o meu mundo. E não me levou com você.

Sobre sonhos, âncoras e a tal da liberdade

Em 26.06.2015   Arquivado em Crônicas

SobreSonhos

Eu quase larguei tudo. Tudo mesmo: faculdade, família, emprego, amigos, namorado.

Quando no meio daquela avenida tão cinza (e ao mesmo tempo, tão colorida) eu encontrei aquelas pessoas sentadas no chão, vendendo símbolos, pulseiras de pedras naturais e filtros dos sonhos.

Havia quem passasse por eles e pensasse “bando de hippie folgado e vagabundo”. Vagabundos porque eles decidiram viver do jeito que lhes convinham? Então eu os chamaria de corajosos. Corajosos porque não mediram esforços para estarem ali. Provavelmente devem ter sido crucificados pela família. “Você se matou anos na faculdade pra isso?”

E daí? Não é a pergunta que nos fazemos todos os dias quando somos explorados em um emprego onde não somos reconhecidos e que sequer é o nosso emprego dos sonhos?

Sonhos. Meus olhos tinham grudado nos filtros dos sonhos enquanto eu passava apressada para o meu compromisso.

Não sei que diabo me fez dar meia volta e dar atenção ao grupo de pessoas sentadas na calçada enquanto realizavam algum trabalho manual de artesanato. As roupas da maioria que ali se encontrava eram claras. De alguma maneira me lembrava do aspecto da natureza, não sei bem como explicar.

Eu, que antes havia me encantado apenas com o filtro, agora me via com os olhos correndo curiosos por cada artefato diferente exposto em um tecido escuro que cobria o asfalto.

“Fica à vontade pra experimentar o que quiser”, disse o rapaz estranho de dreads que estava de pé. Nem o havia notado ali.

Me abaixei para ver melhor o trabalho deles. Enquanto corria o dedo pelas pedras naturais, uma menina sentada me chamou a atenção. Ela parecia estar fazendo uma pulseira com alguns cordões escuros.

“Gostou de alguma coisa?”. Os olhos verdes dela se destacavam com o cabelo escuro e extremamente curto.

“Posso ver aquele pingente?”, apontei para o pequeno objeto que parecia feito de ouro velho.

Ela o colocou na palma da minha mão e eu passei a admirá-lo. O pingente era uma âncora. Não sei o que me chamou a atenção, afinal, a âncora em si nunca teve um significado especial pra mim.

“Vocês estão sempre por aqui?”, perguntei sem tirar os olhos do artefato na minha mão.

“Na verdade estamos indo embora hoje!”

“É mesmo? E pra onde vão?”. Agora a menina havia ganhado a minha atenção novamente.

“Vamos para as praias do Nordeste.” Ela sorriu.

“Já viajamos o Brasil todo assim. Com pouco dinheiro e pouca roupa. Mas sempre voltamos com a bagagem cheia de histórias.” O rapaz de dreads voltou e eu nem sabia de onde ele tinha saído de novo.

Histórias. Sempre gostei de histórias.

“Há quanto tempo fazem isso?”, perguntei olhando pra ele.

“Há muito tempo! Mas ela está com a gente faz dois meses.”

Virei para a menina novamente. Esta me encarava com um sorriso no olhar.

“Quantos anos você tem?”, eu perguntei de novo.

“Tenho 21!”

“Eu também! Estou terminando a minha faculdade!”

“Sério? Eu tinha começado a minha, mas conheci o pessoal e resolvi tentar algo novo, pra variar.”

Pra variar.

Como podíamos ter a mesma idade e vivermos em mundos tão diferentes? Onde o mundo dela começava? Onde o meu terminava? Quão fina era a linha da liberdade que nos separava?

Nossa conversa morreu ali, sem pé nem cabeça.

“Vou levar a âncora.”

O rapaz rapidamente me fez um cordão para pendura-lo no pescoço.

“Boa escolha. É a esperança na tempestade.”

Eu espero que seja. Pra variar.

Entre Livros

Em 23.06.2015   Arquivado em Crônicas

EntreLivros

Por que ainda doi falar sobre você? Cruzes, sinto minhas pernas bambearem só de ouvir alguém pronunciar o seu nome. Mesmo quando nem se trata de você. É como se você fosse o único que se chamasse assim.

Dizem que quando as coisas são inacabadas, é assim que as pessoas acabam se sentindo. Você se sente assim?

Foi o que os meus olhos procuraram saber quando te encontrei na livraria.

E mesmo depois de tanto tempo sem se ver, parecia que era só mais um dia, depois de uma das nossas brigas idiotas.

Engraçado. Eu que tanto sei atuar, me vi como uma adolescente besta, quase se enfiando entre as estantes de livros quando percebi que era você. Só que não deu tempo.

“E aí, Jujuba?”. Só você me chamava de Jujuba. Droga.

“Hm. Oi!”. Tentei soar surpresa, como se não tivesse te notado antes, com um livro qualquer nas mãos. Nem consegui falar seu nome. Será que você percebeu?

Será que pra você foi fácil me chamar daquela forma sem que nada diferente batesse contra o seu peito? Lembro que mentia tão bem quanto eu.

Sim, essa onda de detalhismos e pensamentos invadiram a minha mente nesses poucos segundos em que tudo se seguiu.

Meus ombros caíram quando você me deu um abraço surpresa e um tanto quanto demorado. Demorei milésimos de segundos para me recuperar do mini-choque e lhe retribuir o gesto, mas para mim aquilo durou minutos infinitos.

“Tudo bem?”. Você perguntou enquanto ainda me abraçava.

“Tudo… E você?”. Minha voz saiu meio fraca, como se eu estivesse tentando preservar um pouco de fôlego depois de correr uma maratona. Até deixei o livro cair.

O barulho foi o suficiente para fazer com que você percebesse a demora do seu abraço, e então se afastou.

“Tudo bem”, finalmente respondeu enquanto se abaixava para pegar o livro caído no chão. Tudo isso sem perder o constante contato visual comigo. Era como se suas amêndoas me escaneassem e tentassem ler tudo o que você havia perdido nesses dois anos em que estivemos afastados.

De novo, ficamos nos encarando, como se não existisse mais ninguém além de nós na livraria. Analisei o seu rosto. Nada havia mudado nele. Fiquei feliz. Outro indício de que talvez nosso afastamento fosse só um pesadelo e que aqueles dois anos nem tinham existido. Por que foi que nos afastamos, mesmo?

Meu devaneio foi interrompido quando você esticou a mão direita para entregar o livro.

“Distraída como sempre.”

Você deu um sorriso fraco antes de se afastar, e toda aquela situação me frustrou. Você não havia sentido nada, afinal.

Abaixei meus olhos, ligeiramente decepcionada. Foi quando percebi um papel se sobressaindo no meio do livro. Puxei-o instintivamente, e para a minha surpresa, reconheci aquela letra corrida e levemente inclinada:

 

“Ainda sinto sua falta.

 

Meu número ainda é o mesmo, caso tenha se perguntado.”

 

Não consegui evitar um riso baixo enquanto meu coração acelerou.

Estava tão distraída que nem percebi quando ele colocou aquele papel dentro do livro enquanto nos encarávamos.

Distraída e sempre.

Divino drama

Em 09.06.2015   Arquivado em Crônicas

DivinoDrama

Eu digo que é medo, porque não sei perceber se você não quer. Estou indo além, me enganando e me sentindo mais amada, quando talvez o amor não esteja presente todo esse tempo em que estou aqui.

Você poderia ser mais honesto e não me manter aqui mais um ano. Mas não. Você realmente não regride um segundo sequer. E quando mesmo não me desejando, não diz adeus. Não me deve satisfações, porque nunca foi capaz de me prometer nada. Ainda bem, porque odeio promessas. Principalmente quando sei que você não vai cumprir.

E a chave de tudo está nisso: saber. Ou melhor (pra você, pior pra mim), fingir não saber.

E você deve rir, como se eu estivesse me perdendo e te perder fosse um erro daqueles. Cacete! Talvez você esteja aproveitando o máximo que pode ser tirado de mim. Você pode me roubar o sorriso e o olhar mais doce que eu posso emitir cada vez que te vejo. Você anda conhecendo meus dias e meus risos. E você, enfim, me viu chorar e mostrar os meus medos. Mas você não me conhece. E sinto dizer que não te conheço e nem sei com quem estou lidando.

 

Você diz que só sei fazer drama. Mal sabe que o único drama é ter medo de se entregar. Que o único mal é não admitir nas horas certas. E saber que você vai lembrar.

Eu tenho os melhores dias que você é capaz de me oferecer. Eu tive as melhores fases e até te odiei. Por segundos. Por impulsos. Por existir. Como te faço memória. Como te moldo. Por vontade. Por vontade de você.

Uma guerra fria

Em 04.06.2015   Arquivado em Crônicas

Uma guerra fria

Você sabe que é a ultima vez que vai ver uma pessoa quando os dois sentam-se à mesa e durante o jantar, ninguém tem algo a dizer. Quando o rótulo da Coca-Cola parece ser mais fácil de ler do que os olhos daquele que você achava que conhecia por tanto tempo.

Então você percebe que a sua comida favorita simplesmente perdeu o gosto e você precisa fazer um esforço enorme para conseguir engoli-la.

Você percebe que é a última vez que vai ver uma pessoa quando os dois inventam uma desculpa para ir ao banheiro o tempo todo para não precisarem inventar alguma conversa boba só para que o silêncio não reine.

O celular nunca pareceu tão mais interessante e fácil de tocá-lo do que a pessoa a sua frente. A mesa é só o obstáculo mais superficial entre vocês agora.

Então você se pega desejando ser as pessoas das outras mesas, que parecem estar mais felizes do que você. Na sua mesa nenhum som é emitido além de pigarros.

Até mesmo os garçons são capazes de sentir o ar pesado que rodeia a sua mesa e parecem se sentirem mal só de olhar. Dá para apostar que eles ficam desejando internamente que vocês não o chamem mais uma vez.

É como uma guerra-fria em que ninguém quer xingar, ninguém quer gritar até que os pulmões pareçam estar explodindo e entrando em colapso com o coração. Nenhum dos dois está disposto a puxar o gatilho da arma, embora ambas estejam engatilhadas para acabar com tudo de uma vez. Ninguém quer assumir que algo já se esvaiu faz algum tempo. Aquele tempo, lembra? Mas não precisa dizer. No momento, as ações estão literalmente falando mais do que as palavras. Não há confronto de um contra o outro, mas contra si próprio.

Então você sabe que é a última vez que vai vê-lo quando chega em casa e prefere escrever um texto como esse do que ter-lhe dito tudo o que sentiu. E você sabe que não terá mais outra chance. Porque vocês não vão mais se ver. Porque vocês nem mais se enxergavam.

Você percebe que tudo não passou de últimos olhares, últimos sentidos, últimas palavras. No final tudo se trata da última vez, e você sabe disso. Porque assim como tão memoráveis são as primeiras vezes… Tão dolorosas são as últimas vezes. E infelizmente… Tudo tem a sua última vez.

Acerto de erros

Em 27.05.2015   Arquivado em Crônicas

acertodeerros

De: Breno

Para: Nina

Data: 12 de abril de 2015 03:15

Assunto: Acerto de erros

 

Sei que são 02h54 da manhã. Sei que provavelmente você já deve estar no seu décimo quinto sono. Na verdade, você sempre teve facilidade pra dormir, e eu sempre invejei isso.

Sempre fui do tipo “atormentado” pelos próprios pensamentos em plena madrugada. Principalmente quando o assunto é você.

Sei que não é normal escrever um e-mail dessa procedência nessa hora da madrugada, mas não estou aguentando essa barreira que você colocou entre nós. Já não atende mais minhas ligações, me bloqueou no Skype, no Facebook, no Instagram, e até mesmo no maldito Snapchat. E quando vou até o seu prédio, você pede para o Seu Floriano dizer que não está.

Então, decidi mandar este e-mail, antes que você se lembre de me bloquear por aqui também.

Sei que brigamos o tempo todo. Sei que meu ciúmes me domina, sei que você é estourada e odeia minhas “brincadeiras de moleque”. E sei que errei também quando te escondi a verdade. Sei que isso o que eu fiz foi mais uma molecagem. Mas eu sei mais que tudo que eu te amo e não queria magoá-la.

Droga, Nina… A única coisa que eu não sei é porque sou tão idiota.

A minha vida toda… Eu só fiz cagada. Nunca fui o melhor aluno ou o filho exemplar. Nunca fui o cara mais fiel, nem “o cara certo pra casar”. Na verdade, sempre fui do tipo que “surfa conforme a onda”, sabe? Daqueles que acreditam no sentimento do momento e pronto.

Aí você apareceu… Com esse jeito de menina mandona arrogante, querendo botar a banca e dizendo que sabia tudo sobre tudo. E eu lembro que quando tentei te lançar uma das minhas cantadas baratas, você teve a audácia de me responder: “Cuidado, moleque… Vai acabar se apaixonando por mim se continuar perto assim.”

Eu ri. Ri na sua cara, me achando o tal. Ri, ri, ri…. E no final, quem tava rindo era você. Rindo de mim de quatro por você. Rindo da minha risada, rindo o meu riso, rindo comigo.

Do dia pra noite você passou a fazer parte da minha vida, da minha casa, da minha cama, dos meus sonhos.

Parte de mim mesmo.

Botou a banca, e botou pra valer. Me botou na linha, me botou no caminho, me botou no lugar. E ali eu fui ficando, gostando, cuidando, me arrumando, te amando.

Só que moleque é moleque. Cai na piada, cai na dos amigos. Não vou ser cretino e dizer que a culpa foi deles. A culpa foi minha. Porque tive medo.

E o medo me fez te ver partir sem olhar pra trás, certa de que eu era o seu maior erro, quando mesmo errado, eu sabia que você era o meu maior acerto.

Você É meu maior acerto.

Nina, sei que nada do que eu falar justifica. E se estiver lendo até aqui, eu agradeço…. Porque nunca tive a chance nem a coragem de te dizer tudo isso. De te confessar o que você fez e é na minha vida.

Sei que não tenho quase nada a te oferecer, além de alguns acertos e muitos dos erros que provavelmente ainda cometerei. Sei que só tenho uns trocados e esse amor babaca… Mas… Mas eu te amo.

E… E eu ainda me lembro de como você me beijou debaixo da luz falha e turva da avenida. Eu ainda me lembro de como você sussurrou aquelas palavras meio sem sentido. Eu pensei que fosse efeito do álcool, mas acho que hoje eu finalmente entendi. Você disse:

 

– Tudo bem.

– Tudo bem o quê, maluca?

– Eu vou te perdoar, mas… Isso não significará muita coisa.

 

O problema é que significa, Nina. Você sabia que em algum momento eu ia errar contigo e mesmo assim decidiu ficar pra ver.

Você viveu um erro meio acertado. E eu vivi achando que era um acerto. Errado.

 

Só queria uma chance. Uma ficha. Uma aposta. Me deixa fazer certo?

 

Te amo.

Breno

Um café e um mistério, por favor

Em 18.05.2015   Arquivado em Crônicas

 

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Quem é você, Amélia, Amélie? Esse é mesmo o seu nome? Por que toda essa maquiagem escura em volta desses olhos que mais parecem gelo? O que você tem que não se deixa derreter, garota?

Acho que é o que me pergunto todos dias enquanto como no Café Madame Nola todas as manhãzinhas. Ela se esconde na montanha de waffles que pede rotineiramente.

Os olhos dela me parecem sempre cansados. São assim desde sempre, eu acho. Desde que nos trombávamos na cantina da escola. Já faz três anos. Três anos que a percebo ao meu redor. Mesmo que sem querer. Acho que é sem querer.

É como se enquanto eu estivesse saindo para trabalhar, ela estivesse voltando. Os cabelos sempre como se ela tivesse acabado de sair de uma fuga louca contra o vento gelado e cortante do inverno que vem chegando.

Mas ao mesmo tempo que dos olhos dela brotam a ressaca, do corpo parece nascer uma certa vibração. Como se estivesse eletrocutado, ligado, aceso. E os olhos… Bem. Parecem luzes, luzes cinzas e turvas que costumam aparecer no escuro do horizonte quando um marujo está perdido no oceano. Aquele tipo de luz que traz esperança ao desespero. A luz que eu sempre imaginei que precisava.

Os cabelos loiros caindo ao lado do ombro esquerdo enquanto ela apoia o corpo sobre a mesa. Posso jurar que ela me percebe mas finge que não. Como sempre. Enquanto eu me esforço pra fazer parte disso, de uma olhada, de um sorriso, de um momento. Um mundo que nem sei se existe. Um universo que queria conhecer. Acho que pra me tirar dessa mesmice, desse óbvio, dessa coisa certa demais.

Amélia, Amélie. Quem foi você? Quem é você? Qual era o nome que suas amigas costumavam lhe chamar pra guardar um lugar na mesa da cantina, mesmo? Era algo que se perdia no meio de tantas vozes. Algo que se perdia porque eu não conseguia olhar pra outra coisa que não fosse pra ela. Um mistério.

Já perguntei para a Madame Nola, a dona da lanchonete. Umas sete vezes, eu acho. Ela não sabe. Disse que só sabe que ela mora aqui por perto. E que gosta de waffles. Uma montanha de waffles.

Fico me perguntando se é o destino me dando uma chance de conhecer o desconhecido. O desconhecido que faz parte de mim há três anos. Na escola, nas redondezas. Na manhã.

Então os quase 25 minutos que tenho para conhecê-la de longe sempre acabam. Ela passa apressada vestindo o casaco e a bolsa jogada no ombro. Sempre ao lado da minha mesa. Três anos criando a história de uma garota que passa por mim no Café Madame Nola.

Mas me surpreendo quando dessa vez me flagro encarando botas pretas e gastas ao lado da minha mesa. Subo meu olhar e dou de cara com ela. Olhos cinzas, borrados, turvos, vivos. Um guardanapo jogado em cima do meu prato.

“É Amélie.”

Leio enquanto escuto a porta de vidro se fechar.

Sobre a melhor série do mundo: SKINS

Em 06.05.2015   Arquivado em Na tela

 

Skins

Vocês devem estar pensando que eu sou a louca do Brás por estar escrevendo sobre uma série que já acabou faz dois anos. Eu sou mesmo. Me tornei completamente louca e viciada em Skins e vocês sabem, adoro compartilhar os meus vícios.

A verdade é que eu tenho um bom argumento para escrever sobre séries que já estão fora do ar. Eu ODEIO acompanhar séries que ainda estão sendo gravadas (apesar de estar acompanhando três :x), porque eu fico feito uma retardada contando os dias para a nova temporada ser lançada, e o hiatos costuma fazer com que eu esqueça toda a trama, onde parou, e os detalhes todos se perdem. This really pisses me off.

Então aproveitei esse amor grande que tenho tido pelo Netflix, comecei a explorar cada cantinho dele e minha mãe mandou eu escolher este daqui: Skins.

Confesso que um dos motivos pra eu ter demorando tanto para assistir Skins é o mesmo motivo que uso para o resto da lista de séries que quero assistir: preguiça. Sim, vocês não leram errado. Eu tenho um sério problema para começar a assistir por pura preguiça de ter que me apegar a um novo seriado com uma nova trama e novos personagens, e sou meio “monogâmica”, gosto de venerar uma série por vez, se possível.

Bom, vamos ao que realmente importa, galere!

Pra quem nunca assistiu por falta de interesse ou preguiça, vou explicar um pouquinho do que se trata a bagaça.

Skins tem como foco contar histórias de adolescentes malucos e drogados de Bristol (Sudoeste da Inglaterra) e trata de assuntos que rodeiam todos nós: dramas familiares, transtornos mentais, sexualidade… Mas tudo isso com uma pitada a mais de sexo, drogas e rock ‘n roll. Apesar de serem assuntos tão clichês para se trazer em uma série adolescente, eu adorei o jeito como tudo é retratado, mesmo que em alguns momentos as situações se tornassem exageradas demais. Acho que o exagero e o escárnio acabaram trazendo mais leveza pra história.

A verdade é que tudo nessa série acabou me cativando. Os personagens, as histórias, a fotografia da ambientação, a trilha sonora… Tudo combina! E o que mais me surpreendeu foi a qualidade do trabalho e da atuação dos atores, porque eu nunca havia assistido uma série britânica. Agora estou até caçando mais produtos ingleses, porque me apaixonei MUITO, lad.

Outra coisa que gostei é a atemporalidade da série. A cada duas temporadas, muda a geração de “skinners”. Confesso que inicialmente isso me preocupou, porque como eu disse, sou daquelas que se apaixona eternamente pelos personagens. Mas acabou que eu nem senti tanto isso. Os novos personagens eram sempre tão intrigantes quanto os da antiga geração. Acho que isso fez com o que a série não ficasse naquela “mesmice” que muitas vezes acaba estragando a trama como um todo. E diferente de muita coisa que eu já assisti, os finais nem sempre são felizes. Os finais acabam sendo… Como têm que ser, assim como a vida (Nats sensível mode on ~snif snif~).

Já deu pra perceber que eu SUPER HIPER recomendo Skins, né, gentem? *-*

ohyeah

Quem mais já assistiu e compartilha da mesma opinião que eu? E quem não assistiu… Que tal dar uma bizoiada e me contar o que achou? Conte-me tudo e não esconda nada!

skins

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