Triste felicidade

Em 10.11.2015   Arquivado em Crônicas

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O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.

Como fingir a dor que se sente de verdade, Fernando Pessoa?
No auge de tudo o que já vivi (e vivo), nunca consegui essa proeza. A grosso modo, não consigo sequer escrever uma “autopsicografia¹” quando estou feliz. Deprimente, não?
Soará estranho dizer, mas ouso ficar feliz de estar triste, pois só assim sou capaz de deixar que um lápis ganhe vida em minha mão e passe a dizer o que se passa em meu coração.
Talvez me deixe feliz saber que mesmo triste, ao concluir essas linhas, alguma coisa boa tirarei daquela tristeza. Pois ao passo de que vou escrevendo, vou me entendendo. Ao passo de que vou escrevendo, talvez não saia só rabiscos e palavras desconexas. Se olhar atentamente, verás a tristeza se esvaindo de mim, dando um até logo, como se voltasse em breve, com a tal dor de Fernando Pessoa.
Enquanto isso, eu sorrio para as minhas queridas amigas: as palavras que nunca me faltam.

1. Pode ser entendida como “escrita automática da própria alma”;

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