Um ano de Natália na terra do tio Sam

Em 31.08.2016   Arquivado em Por aí

É verdade que todas as nossas escolhas mudam o curso das nossas vidas. Mas são apenas algumas escolhas que nos mudam para sempre. E embarcar no avião da American Airlines com destino a New York há exatamente um ano, sem sombra de dúvidas, me mudou para sempre.

Cheguei aqui crua. Quem me conhece sabe que eu mal cozinhava arroz…! Aposto que muita gente pensou “ela não vai conseguir. Já já volta para debaixo das asas da mamãe.” Eu sei que alguém aí pensou, porque eu mesma pensei! Muitas vezes ainda acho que vou fazê-lo, sinceramente falando.

Mas toda vez que esse pensamento surgia, eu lembrava o quão grande era o meu sonho de estudar e morar fora, de tudo o que eu fiz e o que eu sacrifiquei para estar aqui. E de repente a gratidão voltava e tudo parecia fazer sentido novamente.

Quando cheguei à terra do tio Sam…! Meu Deus, não vou negar. Fiquei deslumbrada e até meio frustrada porque parece que aqui tudo funciona! As pessoas não julgam, as leis são respeitadas, os preços das coisas são justos, a água da torneira é potável e digerível…!

Só que assim como aprendi a amar o país que me recebeu de braços abertos, comecei a dar valor ao meu país de origem. Aprendi que mesmo com os problemas pelos quais o Brasil está passando atualmente, não há lugar como o nosso lar. Não há comida tão saborosa quanto a nossa. Não há pessoas tão amáveis e calorosas como o brasileiro. Não há palavra no mundo capaz de substituir ou explicar o sentimento mais bonito e mais brasileiro do universo: saudade.

Saudade de ficar até tarde com a minha mãe na sala e acabar adormecendo ali porque havia passado o dia trabalhando e queria passar mais tempo com ela; saudade dos conselhos do meu pai que vinham do nada, mas sempre na hora certa; saudade de ouvir o Max latir porque o meu pai estava chegando do trabalho; saudade dos encontros com as amigas de escola; saudade dos churrascos com os amigos; saudades do Natal bagunçado com a família. Saudade. Simplesmente saudade.

Mas além da saudade que cresceu dentro de mim, um outro sentimento também assolou o meu corpo. E eu só tive consciência disso na noite passada, quando dirigia rumo ao Brooklyn, com as luzes de Manhattan me abraçando. Quando eu avistei um avião no céu.

Meus olhos marejaram instantaneamente ao me lembrar de que sim, há um ano era eu quem voava em um daqueles. E naquele momento eu estava a observar um avião que com alguma possível certeza no mundo trazia muitas vidas para uma nova e grande aventura como a minha.

O sentimento do qual eu falei logo acima eu vos digo agora: orgulho. Orgulho de saber que eu tive a coragem que nem todos possuem, de largar o conforto rumo ao desconhecido. Orgulho por eu não ter desistido quando cheguei e pensei naquele primeiro momento “não vou conseguir” (porque eu consegui!). Orgulho de ter mudado e amadurecido, mas não ter perdido os meus valores e a minha essência. Orgulho da minha história e de como ela me trouxe até aqui. Hoje, independente de quanto dinheiro eu tenho no bolso, independente do glamour que isso tudo pareça ter, eu finalmente posso dizer com a boca cheia que eu sinto orgulho de quem eu me tornei. E de quem eu ainda vou me tornar.

Obrigada, Brasil. Obrigada, Estados Unidos.

Au Pair: melhorando o application

Em 28.08.2015   Arquivado em Por aí

AuPair

Como o combinado do último post sobre o assunto, hoje vim falar um pouquinho sobre as horas de experiência com kids que devem ser preenchidas, pois sei que isso pode ser um problema para as pessoas que querem participar e esbarram nesse obstáculo por terem pouca experiência (ou nenhuma).

Eu também nunca fui uma babá que recebia por esses serviços, por isso não se preocupem. Isso não é de fato, um problema. Toda experiência “duradoura” com crianças é válida. Se você cuidou dos seus irmãos mais novos, dos primos, dos sobrinhos, já é uma experiência. Eu tive uma experiência mínima com meus vizinhos.

E aumentei isso um pouquinho ao longo do processo com outras kids. Mesmo que você já tenha essas 200 horas, mais experiência nunca é demais, sabe. Até mesmo pra você se conhecer e saber se você realmente combina com esse programa. Sei que já disse isso, mas não custa repetir! Isso aqui não é um intercâmbio comum onde você só estuda e curte a vida. Você estará indo ESPECIALMENTE para trabalhar, e precisa ter afinidade com os seus deveres, gostar de crianças e tudo mais.

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“Ah, então quer dizer que você é praticamente a Super Nanny, Natália?”. Não, nem de longe, meu amô. Apesar das poucas experiências que tive, depois é que percebi que eu me dava bem com crianças, sabe? Nunca vi isso como uma qualidade ou um dom especial. E foi realmente bom descobrir isso em mim.

“Tá, tá… Você tá falando que dá pra melhorar o application. Como?”. Simples, caros Watsons. Já ouviram falar em trabalho voluntário?

Sim, é a saída pra tudo, ACREDITEM. Existem muitas creches e escolinhas que aceitam esse tipo de trabalho! Basta você entrar em contato com as que existem nas redondezas de onde você mora e explicar o que você pretende e tudo mais. E LEMBREM-SE de depois solicitar que eles assinem aquele documento do qual eu falei por cima nesse post aqui, porque ele será a prova de que você realmente fez o trabalho voluntário.

Não só você pode buscar escolinhas como já existem ONGs com projetos voltados a atividades com crianças nos quais vocês podem se inscrever! Eu mesma participei da Semana Mundial do Brincar, que aconteceu no Parque Ibirapuera e foi MA-RA-VI-LHO-SO, uma experiência mais do que única!

Aquilo não significou só aumentar horas e fazer bonito pras host families se interessarem por mim, foi um aprendizado interior.

Além desse projeto, existem outros vários como o Massacuca, que entrou em contato comigo recentemente, e é um projeto INCRÍVEL. Inclusive, eles têm conhecimento que muitas meninas precisam desse tipo de ajuda com horas para o processo de au pair, e estão à procura! Por isso, basta entrar em contato, viu?

Sei que muitos esperavam uma receita mágica pra melhorar o application, mas a verdade é que não existe. Essa parada de trabalho voluntário é, como eu disse, a melhor saída. É uma coisa que faz um bem danado não só para o seu application, mas pra você mesma e para as pessoas a quem você se dedica nesse período, então não ignorem essa dica!

Outra coisa que é muito importante é estar aberto(a) a opiniões externas. Pergunte à sua agente sobre seu vídeo e a sua carta, se está realmente bom, se ela sugere alguma alteração e seja RECEPTIVA. Não encare a sugestão como uma crítica destrutiva. Lembrem-se que é trabalho delas orientar e dizer o que é bom e o que não é… Afinal de contas elas entendem do ramo, né não?

Aguentem firme que ainda falarei sobre entrevistas e match!

É nóis! Flw vlw! <3

Au pair: o começo

Em 18.08.2015   Arquivado em Por aí

AuPair - o começo

Muito bem, depois do meu post sobre a novidade do meu intercâmbio como au pair em NYC, eu obtive bastante pedidos e solicitações pra escrever mais sobre não só a minha experiência (que ainda nem começou), como também todo o processo pelo qual eu passei até o meu bendito match (quando você finalmente fecha com a família).

Se você não faz a menor ideia do que eu tô falando, dá uma de egípcia e acessa esse post aqui.

Então… Resolvi começar pelo começo, porque tudo tem um começo, não é mesmo?

Bom, acho que como 99,9% dos jovens, eu queria passar pela oportunidade de um intercâmbio, e esse sempre foi o meu sonho desde os meus 12 anos de idade. Porém, no entanto, todavia, nós sabemos que fazer intercâmbio não é NADA barato e meus pais não tinham condição para me bancar fora do país.

Pois bem, os anos passaram e em 2014 eu me formei em jornalismo! O contrato do meu estágio acabou e…!

atenção

Exato, nada estava funcionando. Sem emprego, sem perspectiva… E a frustração crescendo dentro de mim. Eu passei de uma estudante universitária para uma desempregada, e quando se está desempregada você tem bastante tempo para pensar. E quando você pensa demais, se frustra demais, né? Né.

Comecei a repensar a minha vida e aquela ideia de intercâmbio finalmente voltou à minha mente. Mas como fazer um intercâmbio sem uma Dilma no bolso? Exatamente. Aí comecei a caçar as coisas nas internet, o nosso melhor amigo nessas horas. E paralelamente comecei a falar com algumas amigas que estão fora do país. E foi aí que a luz na minha vida chegou quando eu cogitei em ser au pair.

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Depois de pesquisar bastante, decidi que essa seria a saída para eu realizar o meu sonho. Mas antes é MUITO importante pesquisar, gente. Leia o quanto puder sobre o assunto, porque tem muita gente que acha que a coisa vai ser só Party Rock Anthem and pussies on the floor. E não é. É um trabalho com extensão para estudos. Então é importante saber se você tem intimidade com o que é proposto. Você está indo para cuidar de crianças. Você pode? Você quer? Está disposto? Se a resposta for realmente sim, então você pode prosseguir.

Eu nunca fui de ser aquela louca por crianças, de ficar correndo e perseguindo qualquer uma que eu visse, mas sempre curti e tive facilidade com esses serezinhos. Mas assim… TEM QUE TER UM POUQUINHO DE EXPERIÊNCIA, e jájá eu vou explicar o por quê.

KID

Enfim! Inicialmente eu queria ir para a Europa, e tentei encontrar uma família sem agência. Para quem não sabe, existem sites que você pode, sem auxílio nenhum, montar o seu perfil e procurar famílias, aí você mesmo resolve tudindinho com eles. Porém, eu fui encontrando várias dúvidas e obstáculos, porque o único país da Europa que poderia me receber era a Holanda. A Inglaterra e a Irlanda não permitem au pairs brasileiras. Todas as outras nacionalidades podem, menos brasileiras. Por quê? BOA PERGUNTA. E a Inglaterra era a minha primeiríssima opção, ÓBVIO. Há meninas que vão na cara e na coragem, e não há nada demais. Mas se dá M* já viu, né? E como eu sou uma pessoa propensa a me f*, decidi não arriscar.

Decidi tentar Holanda, Alemanha, França… O problema é que esses dois últimos países, pra você entrar no país, precisa AO MENOS falar o básico da língua, e eu, óbvio, só sei falar Volkswagen e Carrefour nessas línguas. Ou seja… Fuén!

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Depois de várias portadas na cara e insistência dos meus pais, que estavam morrendo de medo de eu cair numa família furada e me ferrar de verde e amarelo em outro país, decidi ir atrás de uma agência.

Escolhi a STB, que trabalha conveniada com a AuPairCare lá fora. Nesta agência só dá pra ir pros States, mas a CI tem a opção da Holanda. Pensei MUITO à respeito, mas decidi USA porque ganha mais e eu tô precisando. Mas acabou que fiquei muito animada com a ideia!

Quando cheguei na STB já cheguei sentando, com medo do preço do programa. Como eu disse no começo do post, eu não tô lá muito ryca… E acabei me impressionando com o valor. Parecia um sinal de que era a coisa certa a se fazer. Eu paguei 500 dólares, o que na época equivalia a R$ 1.300 e pouquinho, graças ao bom Deus. Pra quem não sabe, o programa de au pair é o mais em conta que tem!

Entonces. Nesse mesmo dia, a sua agente já pergunta se você fala inglês. Sim, você tem que saber AO MENOS se comunicar. Lembre-se que você está indo pra cuidar de crianças. Se às vezes é difícil de entender uma criança de 3 anos brasileira falando, IMAGINA entender uma criança de mesma idade em INGLÊS. É DOSE. E nem adianta querer dar uma de espertinha e falar que sabe se você não souber, porque depois você vai ter que fazer uma provinha oral de conversação.

Outra duas coisas MUITO importantes que são primordiais pra você conseguir entrar no programa são: ter experiência de pelo menos 200 horas com crianças e já possuir carteira de motorista.

Exatamente. Cuidando de crianças como babá, ou dos irmãos, dos primos, qualquer criança no UNIVERSO! E você vai ter que provar isso igualmente.

Bom! A partir daí, vem a papelada! Mas essa parte eu vou deixar para o próximo post, pessoar!

E aí, alguma dúvida até aqui?

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