A vitrine

Em 16.06.2015   Arquivado em Crônicas

 A-vitrine

É engraçado como algumas coisas simplesmente perdem o valor depois de um certo tempo.

Digo isso porque esses dias passei na frente daquela loja de CD’s que adorávamos passar as nossas tardes planejando o nosso futuro. Lembrei de como escolhíamos a trilha sonora de cada plano. Ou de como tentávamos adivinhar qual música o outro estava pensando quando pegava um CD na mão.

E lembro que quando terminamos eu nem podia passar na frente daquela loja, porque era capaz de começar a chorar ali mesmo.

Ouvir música? Impossível faze-lo sem lembrar de você. Era o que adorávamos fazer juntos! E pensar naquela letra sem você pra compartilhar o dueto comigo era simplesmente a morte. Você sempre me deixava fazer a primeira voz, lembra?

Tive que mudar todo o meu repertório de músicas do iPod e ouvir coisas que não tínhamos ouvido juntos para não pensar em você.

E quando você está mal parece que aquela dor nunca vai embora e você vai passar o resto da sua vida sofrendo pelo o que poderíamos ter sido, mas não fomos.
Você levanta da cama a força e continua a sua rotina como se estivesse no automático, afinal de contas, o mundo não para porque você está definhando por dentro.

E você acaba seguindo a vida assim, cumprindo suas obrigações e seus compromissos. Os detalhes nem fazem mais tanta importância, sabe?

Mas um dia eu simplesmente passei em frente àquela loja. Parei na vitrine para ver o que tinha de novo. E aquele CD que era o nosso favorito ainda estava lá!
Fiquei encarando a capa por alguns segundos sem saber o que pensar direito. Me senti estranha, pois nenhum sentimento me consumiu, nada me atingiu da maneira como costumava atingir.

Então eu percebi que havia te esquecido.

Fazia tempo eu não pensava em você ou no que estava fazendo. Já não te procurava obsessivamente nas redes sociais e nem ligava no seu celular como número desconhecido só para te ouvir dizer “alô?”.

Tentei pensar em você daquela maneira que costumava pensar, mas não pude. Não consegui. Aquela vitrine já não significava mais nada, era só mais uma vitrine.

Encarei o vidro, e dessa vez meus olhos focaram no meu próprio reflexo.

Eu esqueci você e lembrei de mim.

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