Aqueles Olhos

Em 08.07.2015   Arquivado em Crônicas

AquelesOlhos

Tenerife Sea – Ed Sheeran

Aqueles olhos. Por mais que eu tente eles não saem da minha cabeça, não consigo me esquecer. Não consigo me esquecer de como eles brilhavam, refletindo a luz que emanava do céu, fosse dia ou noite. Fosse sol ou chuva.

Aqueles olhos que eram capazes de transmitir todos os sentimentos do mundo numa só encarada. Era carinho, era dor, era mistério. Eles sorriam, eles choravam.

Já faz tempo que eu não os vejo. Me sinto no escuro, esperando por mais um dia como aqueles em que eu tinha a sorte de vê-los se abrirem para ganhar a claridade do quarto. As pupilas se contraíam rapidamente, como se a luz as assustassem de prontidão. Mas era tudo muito rápido. Era preciso ficar muito atento se quisesse ver tudo isso acontecendo, pois em questão de segundos seus olhos já ganhavam a calma do Mar Cáspio. Então era como se eu mergulhasse, me afogando na beleza deles.

Era como se eles me dessem a vida e a morte. Meu coração acelerava e parecia querer rasgar o meu peito como uma seda que vai se desfiando facilmente. E eu podia ficar olhando para eles durante o dia todo, juro que não me importaria.

Eles tinham um certo poder sobre mim. Droga, como me doía quando eles choravam e eu sabia que eu era o culpado! Era como se as suas lágrimas fossem lâminas cortantes que me atingiam lentamente enquanto aquele azul me encarava e perguntava “Por quê?”.

E mesmo não os vendo mais, sinto que esse poder, essa hipnose continua. Porque quando fecho os meus olhos, eles são tudo o que eu consigo ver. Aqueles olhos.

Onde estarão agora? Em outro quarto, do outro lado do mundo? Iluminando-se e mostrando-se Cáspio para outro alguém que não eu? Mostrando-se um puro mistério pronto para ser desvendado? Fazendo-se serem mergulhados?

Eu espero que esse alguém lhes dê a mesma atenção e valor que eu lhes dava. Que esse alguém não perca um único detalhe da maravilha que é vê-los acordando para um novo dia. Aqueles olhos.

 

 

Resenha: “X” – Ed Sheeran

Em 25.03.2015   Arquivado em Música

 

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Olá pessoal, meu nome é Lucas, sou colaborador do blog e farei resenhas de álbuns e (muito raramente) shows para vocês. Espero que curtam.

Meu post de estreia em Além do Meu Mundo, apesar de não ser uma novidade, é um presente à digníssima Natália Petrosky, autora do blog e fã incondicional de Ed Sheeran.

Além disso, é importante lembrar que em Abril teremos uma série de shows dele no Brasil. Ou seja, aproveitei a ocasião e matei dois coelhos numa cajadada só.

Então aperta o play e vem comigo!

Ed Sheran – “X” (2014)

“X” (2014) é o segundo álbum de estúdio da carreira de Ed Sheeran (às fãs mais exaltadas, digo que sei que ele gravou uma porção de EP’s anteriormente). Apesar de se manter fiel às suas origens e ainda beber na fonte de Damien Rice, Sheeran aposta em uma mistura entre a sua já conhecida melancolia acústica e a sonoridade mais pop que o mainstream não pede – exige.

A faixa “One” abre o disco sem muitas surpresas. Pessoalmente acredito que uma música mais pulsante seria mais adequada, mas tudo bem – essa passa. Em seguida temos a excelente “I’m a Mess”. Orgânica, pulsante e moderna, é música pra apagar a luz e curtir numa boa.

Em seguida temos aquela música que pode ser considerada o seu divisor de águas. Feita em parceria com o cantor/produtor/rei dos ‘featurings’ Pharrel Willians, “Sing” é uma canção extremamente pop, marcante e fácil de assimilar. Com ares de hino de futebol gaélico, merecia ter sido escolhida como faixa de abertura do disco (sim, eu falo ‘disco’, sou velho e até que convivo numa boa com tudo isso J)

Já entrando no miolo do álbum temos “Don’t” e “Nina”, ambas com forte influência de Hip Hop anos 90 e Rn’B moderno. Entretanto, vale salientar que Ed Sheeran soube fugir da cafonice dos sintetizadores e efeitos na voz que marcaram esses dois estilos. Manter a pegada acústica em boa parte do tempo é o que faz esse álbum soar tão bem. Ponto pra ele.

“Photograph” provavelmente deve ser a faixa preferida das fãs de Ed Sheeran. Nesta faixa, as cordas abafadas do violão dão vazão à melodia marcante que credencia Sheeran como um grande hitmaker. Menção honrosa ao simples, mas belíssimo arranjo de fundo.

Eis que chega a minha faixa favorita. “Bloodstream”, entre palhetadas e sussurros, relata as alucinações de Sheeran sob o efeito de ecstasy. É a faixa mais extasiante do álbum – não poderia ser diferente, né?

“Tenerife Sea” é magnífica. Tem corpo, alma e um coro apaixonante. Sério, essa faixa me surpreendeu. Mais à frente temos “Runaway”, onde podemos novamente notar o toque de Black Music dado por Pharrel Willians. Detalhe: é uma das poucas faixas em que se pode ouvir uma banda completa (baixo, bateria, guitarra e teclados).

Em “The Man” Ed Sheeran extravasa todas as suas aflições e literalmente expõe suas cicatrizes, fazendo dos fãs seus confidentes. O dub de fundo dá o ritmo de sua história e conversa perfeitamente com os outros instrumentos. Haja fôlego e coragem.

“Thinking Out Loud” soa como uma verdadeira homenagem a Marvin Gaye (não vou dizer que é plágio, pois seria uma heresia. Mas a base é bem parecida com “Let’s Get It On”). É aquela música pra dançar coladinho com a pessoa amada (ou quem sabe fazer uma serenata, hein?).

“Afire Love” fecha o álbum como um ponto de interrogação. A canção soa um pouco deslocada do álbum e poderia ter sido evitada, mas também não chega a comprometer.

Obs: Preferi não incluir as faixas da versão Deluxe na resenha (ninguém merece um textão desses)

 

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Nota: 8,0

Álbum para ouvir: Sozinho no último volume

Pontos altos: “I’m a Mess”, “Bloodstream” e “Tenerife Sea”

Pontos baixos: “One” e “Afire Love”

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