Onde está o meu frio na barriga?

Em 14.07.2015   Arquivado em Off topic

desabafo3

Hoje o post vai ser meio diferente. Talvez você aí, que esteja lendo se identifique com o esse drama, ou talvez seja apenas mais um post que venha a se tornar “polêmico”. Depende de qual grupo você se encaixa.

Quais são teus planos? É, é isso mesmo, você não leu errado. Hm, deixe-me ver…

Se está no ensino médio, está estudando feito maluco(a), para passar no vestibular sem ter que enfrentar o cursinho. Se já está na faculdade, deve estar pirando com a montanha de trabalhos, projetos e provas. Além disso, deve estar correndo atrás de um estágio legal que lhe proporcione um salário aceitável e uma boa experiência.

E aí? Qual o plano depois? Já sei! Conseguir um trabalho que pague bem. Você vai ralar muito, talvez até de final de semana. Mas e daí? É o emprego dos seus sonhos, a profissão que você ansiou desde cedo…! AH, É! Depois a ideia é conhecer um cara/uma moça legal pra namorar, casar e ter filhos. Então vai ser hora de guardar ainda mais grana pra dar tudo aquilo que os seus pais ralaram pra te dar. Mas agora é a vez dos seus filhos, né? Então eles vão estudar, estudar, estudar, pra depois passar no vestibular, pra entrar na faculdade, conseguir um bom estágio e…! Notou alguma coincidência nessa história?

“Esse é seu plano para ser feliz?”, perguntaria Margo Roth Spiegelman, de “Cidades de Papel”. E você diria “Oras, é sim!”

Só que aí você se forma na faculdade… E vê que nada saiu e nem vai sair como o planejado. Depois de fazer estágios em empresas grandes e renomadas, você está sem emprego, disparando seu currículo para todos os lados, desesperando-se e torcendo pra aparecer uma oportunidade. Qual era a oportunidade mesmo? Poxa, você achou que poderia escolher no que trabalharia… Mas ai, a crise, a economia… Não tá dando pra escolher, né? Então o que vier é lucro, certo?

Aí você percebe que em todos esses anos você nem se deu o trabalho de ter um plano B. Qual é teu plano? Passa os dias pensando onde errou, tentando dar um jeito com uma cola que parece que não gruda nada. Tem tanto tempo pra pensar, que começa a questionar as próprias escolhas. Será mesmo que escolheu a área que queria? Será que é isso mesmo o que você quer pra vida? Percebe que a pergunta que respondia com tanta certeza já não é respondida com a mesma facilidade.

A frustração faz isso com a gente, mesmo. Faz a gente questionar até mesmo a nossa essência. É como se você estivesse no fim de um corredor e não houvesse pra onde correr enquanto algo está no nosso encalço. É você fugindo da pressão. Da pressão de ser alguém que você não sabe quem, mas que deve sê-lo. Quando foi que viver se tornou algo tão complicado, mesmo?

O pior de tudo é que você fica tão bitolado(a) com o plano da sua vida, e tão frustrado(a) quando tudo parece estar dando errado, que parece que não há outro jeito ou solução… Acaba se esquecendo daquela coisa incrível, aquele sentimento que fazia você estar sempre em movimento.

Se você que chegou até aqui se identificou, que tal mudar? Se você não está contente, é porque alguma coisa PRECISA mudar nessa história. Lembro que eu tinha uma amiga que me dizia o seguinte. “Um problema só é problema se tiver solução.”

É hora de tentar sair da neura desse mundo estranho e parar de pensar no que os outros vão pensar. É VOCÊ quem precisa pensar. Esqueça tudo e todos. Olhe pra si e se pergunte:

Onde está o meu frio na barriga?

Procure por essa resposta. Talvez ela esteja mais próxima do que você imagina.

 

“Não são os grandes planos que dão certo; são os pequenos detalhes.”

            ~Stephen Kanitz~

Entre Livros

Em 23.06.2015   Arquivado em Crônicas

EntreLivros

Por que ainda doi falar sobre você? Cruzes, sinto minhas pernas bambearem só de ouvir alguém pronunciar o seu nome. Mesmo quando nem se trata de você. É como se você fosse o único que se chamasse assim.

Dizem que quando as coisas são inacabadas, é assim que as pessoas acabam se sentindo. Você se sente assim?

Foi o que os meus olhos procuraram saber quando te encontrei na livraria.

E mesmo depois de tanto tempo sem se ver, parecia que era só mais um dia, depois de uma das nossas brigas idiotas.

Engraçado. Eu que tanto sei atuar, me vi como uma adolescente besta, quase se enfiando entre as estantes de livros quando percebi que era você. Só que não deu tempo.

“E aí, Jujuba?”. Só você me chamava de Jujuba. Droga.

“Hm. Oi!”. Tentei soar surpresa, como se não tivesse te notado antes, com um livro qualquer nas mãos. Nem consegui falar seu nome. Será que você percebeu?

Será que pra você foi fácil me chamar daquela forma sem que nada diferente batesse contra o seu peito? Lembro que mentia tão bem quanto eu.

Sim, essa onda de detalhismos e pensamentos invadiram a minha mente nesses poucos segundos em que tudo se seguiu.

Meus ombros caíram quando você me deu um abraço surpresa e um tanto quanto demorado. Demorei milésimos de segundos para me recuperar do mini-choque e lhe retribuir o gesto, mas para mim aquilo durou minutos infinitos.

“Tudo bem?”. Você perguntou enquanto ainda me abraçava.

“Tudo… E você?”. Minha voz saiu meio fraca, como se eu estivesse tentando preservar um pouco de fôlego depois de correr uma maratona. Até deixei o livro cair.

O barulho foi o suficiente para fazer com que você percebesse a demora do seu abraço, e então se afastou.

“Tudo bem”, finalmente respondeu enquanto se abaixava para pegar o livro caído no chão. Tudo isso sem perder o constante contato visual comigo. Era como se suas amêndoas me escaneassem e tentassem ler tudo o que você havia perdido nesses dois anos em que estivemos afastados.

De novo, ficamos nos encarando, como se não existisse mais ninguém além de nós na livraria. Analisei o seu rosto. Nada havia mudado nele. Fiquei feliz. Outro indício de que talvez nosso afastamento fosse só um pesadelo e que aqueles dois anos nem tinham existido. Por que foi que nos afastamos, mesmo?

Meu devaneio foi interrompido quando você esticou a mão direita para entregar o livro.

“Distraída como sempre.”

Você deu um sorriso fraco antes de se afastar, e toda aquela situação me frustrou. Você não havia sentido nada, afinal.

Abaixei meus olhos, ligeiramente decepcionada. Foi quando percebi um papel se sobressaindo no meio do livro. Puxei-o instintivamente, e para a minha surpresa, reconheci aquela letra corrida e levemente inclinada:

 

“Ainda sinto sua falta.

 

Meu número ainda é o mesmo, caso tenha se perguntado.”

 

Não consegui evitar um riso baixo enquanto meu coração acelerou.

Estava tão distraída que nem percebi quando ele colocou aquele papel dentro do livro enquanto nos encarávamos.

Distraída e sempre.

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