Au Pair: Quanto custa?

Em 30.06.2016   Arquivado em Por aí

Estou honestamente feliz de fazer um novo post sobre esse assunto que eu acabei deixando um pouquinho de lado aqui no blog (pra falar a verdade, o blog todo foi deixado de lado, mas faz a pêssega e ignora), mas a pedidos, resolvi falar sobre um assunto que muita gente sempre tem dúvida sobre o lance de ser au pair. Afinal de contas, tudo no mundo depende de uma coisinha: grana.

makemoneyrain

Pois bem, achei esse assunto pertinente, porque muita gente fica se perguntando qual o preço do programa e se o salário é bom. Então vamos por partes, como já diria Jack, o Estripador.

Primeiro de tudo, falarei sobre o preço do programa em si, que é bem acessível, se comparado aos outros programas de intercâmbio. E é muito bom ressaltar isso, porque muitos conhecidos meus (e de muitas outras au pairs, posso apostar), acham que a gente é podre de rica e está indo passar férias nos States com tudo pago e uma passagem grátis pra Disney ou sei lá o quê. Então vou deixar tudo bem claro e explicadinho.

Não, nós não estamos cagando dinheiro quando decidimos ser au pair. É justamente o contrário. Aliás, o programa de au pair é mais barato pelo simples fato de que você vai trabalhar para famílias americanas como babá em troca de salário, comida e teto.

Entendesse?

Ótimo! Passemos agora aos preços da bagaça tudo.

 

Preço do programa de Au pair

 

Au Pair Care (APC)

Muito que bem. Eu vim por essa agência. Fechei com a agência STB no Brasil, que é conveniada com a APC nos USA. Quando eu fechei o programa, paguei o valor de US$ 500. Na época, o dólar estava cotado em uns R$ 3,00, aproximadamente. Ou seja, paguei cerca de R$ 1.500,00. Lembro que quando fui na agência para conhecer mais sobre o programa, estava morrendo de medo daquele momento em que o agente fala o preço e você só falta virar a cadeira pra trás. E eu realmente me surpreendi, porque não achei nada caro.

Para fazer o post, pesquisei pela agência da STB para saber quanto está o programa e, atualmente o valor é de US$ 700 (em reais, esse valor é de aproximadamente R$ 2.240,00). É claro que hoje, com a cotação do dólar nas alturas, ficou um pouco mais salgado. Mas ainda assim, ao comparar com outros tipos de intercâmbio, esse programa é uma mixaria. Eu sinceramente não lembro se eu tive gasto com taxa de inscrição!

 

Cultural Care (CC)

Algumas das minhas amigas vieram por essa agência e sempre ouvi muito bem, mas lembro que o motivo pelo qual eu não escolhi vir por ela é que preço não estava nada tranquilo nem favorável para o meu bolsinho. Não lembro o valor, ao exato, mas era mais caro que a APC, na época.

Dei uma pesquisada por cima no site da CC, e o preço é de aproximadamente US$ 1.018,00 (R$ 3.610,00). Segundo o site, o valor inclui taxa de entrevista pessoal, taxa de inscrição e taxa do programa.

 

Au Pair In America

Até uns três meses atrás eu achava que essa agência era só para au pairs europeias, mas uma das minhas amigas atuais veio por ela. A Au Pair In America funciona no mundo todo!

Entrei no site e procurei pela agência responsável pelo Brasil e fui encaminhada para a Experimento Intercâmbio Cultural. De acordo com a página da Internet deles, existe uma taxa de inscrição no valor de R$ 790,00, e o programa, US$ 860 (aproximadamente R$2.752,00).

 

IMPORTANTE

Além do gasto do pacote de intercâmbio, existem os gastos que ficam por conta da au pair:

 

– Passaporte: se eu não chequei errado, são R$ 257,25

– Um documento chamado SEVIS (a agência vai te explicar melhor como funciona): pelo menos US$ 180

– Visto J-1 (visto de Work and Study): U$160 ou R$ 512,00 (isso se o valor também não foi alterado)

– PID (Permissão Internacional para Dirigir): R$ 259,05

 

As passagens aéreas são bancadas pelas famílias (mas atenção, se você não é de São Paulo, terá de pagar o vôo doméstico).

 

Conclusão: mesmo sendo o programa de intercâmbio mais barato que existe, ainda assim nos deixa pobrinhas, nénom?

Eu não vou colocar o valor médio de gastos porque depende muito da agência com a qual você vai fechar. Eu não sei se existem outras agências além dessas, e sinceramente não me dei o trabalho de procurar. Coloquei as mais conhecidas!

 

Salário + benefícios

Pois bem, chegamos ao tópico mais polêmico da vida de uma au pair: o salário. Depois de ter tido gastos astronomicozinhos para tirar a papelada necessária, o momento que todos esperavam.

Pois bem. O salário de uma au pair nada mais é do que US$ 195.75 semanais (aproximadamente R$ 626,40). Isso significa que no mês, ganha-se US$ 783 (cerca de R$ 2.505,00).

Mas, porém, no entanto, todavia…! Vale lembrar que a família, além de pagar as suas passagens aéreas, também é responsável pela sua estadia (que inclui alimentação e acomodação), e uma bolsa de estudos no valor de US$ 500 (mais ou menos R$ 1.600,00). Então eu diria que é um big deal, considerando que você não terá gastos com comida ou acomodação, nénom?

Então, dá pra viver bem com o salário de au pair? A resposta é sim. É claro que você tem que aprender a se organizar financeiramente, mas é possível sim, senhora. Eu vivo no aperto porque tenho minhas prioridades e envio uma graninha para o Brasil mensalmente. Mas ainda assim meus pais nunca precisaram me enviar um único centavo! Há semanas que eu (e muitas outras au pairs) precisam apertar o cinto, mas isso não significa que passamos dificuldades.

Também já ouvi histórias de au pairs que economizavam para mandar dinheiro para o Brasil… E conseguiram até mesmo comprar uma casa quando voltaram! Cada uma vem pra cá com o seu objetivo, então cabe a cada uma saber priorizar as coisas.

Mesmo assim, não somos ricas.

Bom, deu pra tirar todas as dúvidas, galere? Eu espero que sim, porque eu acho que só pra fazer esse post eu fiz mais cálculos do que fiz em toda a minha vida ~aquelas~.

Quem ainda tiver alguma dúvida, não hesite em perguntar, ok? <3

 

P.S.: Todos os valores convertidos foram calculados segundo a cotação do dia 29/06/2016 e estão sujeitos a variações.

 

Ser viajante não são só flores

Em 22.06.2016   Arquivado em Por aí

Ser viajante não são só flores. Morar fora não é só glamour como todos pensam. Quer dizer… É muito fácil ver as fotos de paisagens de tirar o fôlego das pessoas pensando o quão sortudas e o quão boa é a vida delas sem nem questionar quantas foram as coisas das quais elas tiveram de abrir mão, os sonhos mundanos que tiveram que sacrificar, os centavos que economizaram ou os obstáculos que enfrentam no dia a dia para estar com aquele sorriso que estampam as fotos. Estou falando isso porque eu já fui esse alguém olhando as fotos e desejando que aquela fosse a minha vida.

Para se aventurar não é preciso dinheiro, como a grande maioria acha que é disso que o mundo todo se trata. Se aventurar, se lançar em alto mar sem olhar pra trás, pegar um avião e abandonar a terra-mãe… Tudo isso tem muito mais a ver com coragem do que qualquer outra coisa.

Coragem para deixar a família, os amigos, a cidade, a rotina, as coisas com as quais está habituado para enfrentar o desconhecido em uma terra da qual pouco tem-se conhecimento – mesmo que tenhamos passado dias e noites lendo sobre cada detalhe do destino. Na teoria tudo é muito bonito, realmente.

Mas na prática… Nós já vamos sentindo o coração apertar quando começamos a fazer a bagagem e percebemos que muitas vezes nossa vida cabe e se resume a uma mala. Aquilo passa a ser tudo o que temos. Não temos mais amigos, não temos mais casa. Mesmo quando vamos com um lugar específico para morar, dificilmente conseguimos chamá-lo de lar.

Então descobrimos que aquilo que chamávamos de “ser sozinho”, no nosso quarto, rodeado com as nossas coisas, não é nada perto do que é realmente estar sozinho em uma cidade cheia de vidas cruzando a sua a cada milissegundo. E calma, porque eu nem estou dizendo que essa sensação seja ruim. Muito pelo contrário!

Finalmente descobrimos que teremos de aprender a lidar com o nosso maior inimigo: nós mesmos.

Lutamos contra o medo de nos perdermos, de não termos amigos. Lutamos contra as estações que diferem tanto do nosso país – isso sem mencionar a língua e a alimentação -. Lutamos contra a própria mente que nos consomem noites a fio e nos fazem perguntar a nós mesmos se largar tudo foi a escolha certa. Lutamos contra a distância que faz com que algumas das pessoas mais próximas se tornem apenas estranhas. Lutamos contra a saudade que aperta e machuca. Lutamos contra a tela do computador/celular tentando tocar o rosto de quem amamos e nos conformando que aquilo nada mais é do que uma imagem com a qual precisaremos nos contentar por tempo indeterminado.

E mesmo assim iremos sorrir. Sentimos orgulho de nós mesmos toda vez que pensamos em tudo o que fomos capazes de fazer até agora. E é por isso que sorrimos tanto nas fotos. Não é porque estamos esfregando na sua cara o quão melhor nossa vida é do que a tua. Mas porque nos sentimos vencedores de estarmos ali, porque nada foi fácil. Nada é fácil. Mas a cada dia crescemos e aprendemos um pouquinho mais. Por bem ou por mal. Na boa ou na marra.

E quando estamos ali, com aquela paisagem engolindo nossos olhos e nos roubando todo o ar, acredite, meu velho. Pensar em mostrar que somos melhores que você, que está dando o like na foto, é a última coisa na qual realmente estamos pensando.

Então, da próxima vez que for dar um like na foto de um amigo/parente viajante, dê um like como se o congratulasse. Pense que assim como você tem momentos de tristeza e felicidade, o viajante também tem. E sobre você não postar fotos suas em um mau dia/momento? A mesma regra se aplica ao tal viajante.

Pense que esse seu amigo/parente tem bravura. Porque ser viajante… Ser viajante não são só flores.

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