Uma carta do presente para o passado

Em 17.09.2015   Arquivado em Inspiração

DivCarta

E se você tivesse a chance de mandar uma carta ao seu eu do passado?

 

Ei, Nats de 2006! É, é assim que te conhecerão daqui uns anos, então nem entorta a cara pensando “prefiro Naty” porque isso de colocar “Y” no apelido já é super last week, believe me.

Pensei muito antes de escrever essa carta, porque tive receio de te privar de algumas coisas, mas me conhecendo como me conheço, sei que por mais que eu te avise das coisas que estão por vir, você vai fazê-las assim mesmo. Porque você é teimosa. Porque você nunca dá ouvidos. E isso no fundo me conforta, porque significa que você não vai deixar de experienciar nada e o que te acontecer vai fazer de você a pessoa que eu sou hoje.

Então é claro que eu vou te contar um monte de coisas sobre a sua vida, se não qual seria a graça de poder receber uma carta de você mesma do futuro, não é mesmo? Pois bem, sinta-se muito privilegiada de poder receber uma carta de você mesma, porque isso aqui vai servir de guia pra você não fazer algumas muitas cagadas – sim, tem umas coisas bem desnecessárias nessa história. Mas também vai servir de inspiração pra que você não desista de nenhum dos seus planos, porque nem tudo é o fim do mundo como você acha que é.

 

Sobre seu corpo

Primeiro: para de usar esse cabelo dividido de lado sem passar um creme que defina as ondas dele, por favor. É feio.

Daqui uns anos você vai olhar para as fotos e vai querer queima-las todas e a mommy não vai deixar. Ela ainda vai jogar na sua cara “Eu vivia falando que era feio, mas você nem ligava.” Então ligue, por favor. E AH! Logo você vai cortar franjinha, como sempre sonhou! E adivinha… Nunca mais vai querer deixa-la crescer.

Segundo: não esconda mais suas sardas. Hoje as pessoas acham um charme e vira e mexe você vai escutar “ai, como eu gostaria de ter sardinhas”.

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Sobre a escola

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Pelo amor de Deus, estude e se esforce mais. Você sabe que já tem dificuldade em matemática, né? Então não deixa isso pra depois porque senão você vai sofrer muito com as recuperações. Não foi fácil, viu? Aliás, se controle pra não virar uma rebelde sem causas. Quando chegar no primeiro ano do Ensino Médio e a época de ir nos showzinhos, estude antes e não vá pra prova sem nem ter passado os olhos no conteúdo, faz favô.

Mas se você quiser fazê-lo mesmo com meu aviso… Tudo bem, você não vai repetir de ano. Mas vai passar “com emoção”, se é que me entende.

Quando chegar no último ano, se prepare. Você vai surtar, vai tentar ser a aluna perfeita que nunca foi e vai se dar mal por isso. Você sabe que não funciona sob pressão, então segura as pontas. Vai até acabar mudando de escola por causa disso. Mas não se desespere! Tudo dará certo no final.

 

Sobre amizades

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Preste muita atenção nesse tópico, amiga, porque aqui o negócio é mais embaixo. Lembra quando o seu irmão falou que suas amizades não são eternas e você ficou mal por SEMANAS, falando pra si mesma que é ÓBVIO que são eternas e que ele não sabia de nada? Pois é… Sinto lhe informar que ele estava certo. Uma hora você vai precisar decidir entre duas pessoas que jamais imaginou. Você também vai mudar de grupos trezentas vezes, porque você adora ter amigos de vários lugares diferentes. Vai viver momentos incríveis e intensos. Vai brigar feio, vai rir muito, vai fazer cagada, vai falar besteira. Algumas coisas você vai conseguir consertar depois de uns anos… Outras não. Você vai sofrer quando aquela sua amiga do peito não passar de uma desconhecida. É, se prepare. Muita coisa vai mudar, mas não se abata. Você também vai conquistar amizades que jamais imaginou que conquistaria. Vai descobrir que uma prima pode ser praticamente uma irmã. Aliás, vai brigar com uma pessoa que jamais imaginou e vai ficar uns dois anos sem falar com ela. Vai ser difícil, mas quando voltarem a se falar será maior e mais forte do que tudo!

Você vai passar por poucas e boas, mas você vai conhecer cada pessoa que vai valer muito à pena. E por mais que deixe de falar com muita gente… Você vai lembrar de tudo como a melhor época da sua vida e vai sentir muita falta de tudo.

 

Sobre a faculdade

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Menina, não desista. Seu sonho de estudar jornalismo vai parecer impossível de se realizar… Mas não perca a fé. Aliás, a fé é o que vai te guiar o tempo todo nessa vida, por isso nunca a perca. Nunca deixe de acreditar.

Você não vai ser tão querida como era na escola, mas fica sussa. As pessoas que você conhecer serão maravilhosas e farão você acreditar que ainda existem pessoas boas nesse mundo. E ah, PARABÉNS! Você vai se formar com lindo 10 carimbado no seu Trabalho de Conclusão de Curso.

 

Sobre amor

Sabe esse cara fofo que você acha que ama? Então… É amor platônico, cê sabe, né? Como vai gostar de uma pessoa com quem você nunca falou? E não é querendo cortar seu barato não… Mas vocês não vão ficar juntos. Nem agora, nem depois! Mas não fique triste. O primeiro conselho neste tópico é: para de ficar escrevendo o nome dele em todos os lugares. Vai começar a ficar chato, sério.

E relaxa, porque muuuuuita novela vai acontecer. Vai ter um carinha que você vai conhecer por causa do seu primo. Preste atenção… Porque você vai namorar ele por uns muitos anos. Quantos eu não sei, precisamente, porque no momento eu ainda estou com ele! E sim, você será mega feliz.

love

 

Sobre viagens

Muita coisa doida vai acontecer. Você vai parar na IRLANDA e vai passar 40 dias lá. Pois é! Sei que você deve estar pensando “Quem é a Irlanda na fila do pão, gente?”. É, menina. Você não perde por esperar! Nem vou te contar muito sobre isso porque acho que quando você chegar lá as paisagens dirão muito mais do que eu posso dizer.

travel

E você não vai parar por aí. Sabe onde você vai morar, quirida? Em NEW YORK! Você vai conseguir, amiga. Aquelas cenas de filme que você fica namorando vão se tornar SEUS cenários. E vai ser incrível. Quer dizer… Está sendo incrível, porque estou exatamente nessa parte da nossa aventura maluca.

 

Sobre textos

E por último, mas não menos importante: Escreva. Escreva sempre sobre as experiências pelas quais você passa. Todo dia se puder. Você podia até voltar a fazer diário, né? Eu adoro ler meus diários até hoje, sabe? Até as conversas de MSN. Guardei MUITAS, e vira e mexe eu abro os arquivos pra lembrar o que vivi. Parece que consigo reviver cada momento só de ler! Então se você puder, documente mais sobre a sua vida. Não porque você vai ser famosa nem nada. Mas porque nostalgia é e sempre será seu nome do meio. Aliás! Muito do que você viver estará nas suas futuras palavras, nos seus futuros textos. Vai ter um pouquinho de Natália em cada frase, texto ou crônica que você escrever. Mesmo sem querer. Você é observadora e gosta de imaginar o que as pessoas vivem e como elas vivem. E isso nunca vai mudar. Pelo menos não mudou até agora.

keepwriting

Ah é. Eu sei que você já vai fazer isso mesmo sem eu falar, mas não custa nada. Continue SEMPRE sendo você mesma. Continue a não se importar com tendências, com opiniões, com críticas, com fofocas. Não deixe que ninguém mude seu modo de ver o mundo. Sempre opte pelo o que acha ser certo, não fácil. Aliás, você sabe que nada na sua vida foi fácil, então não comece a achar que isso vai mudar, porque não vai. Mas isso não é ruim, sabe? É muito mais gostoso conquistar as coisas dessa maneira. É muito mais satisfatório e gratificante quando você termina de subir a montanha e vê a vista lá de cima. Você vai saber que foi capaz de percorrer os caminhos. Porque você não desistiu. E eu estou aqui pra provar pra você.

beyourself

Um beijo e fica bem aí, que eu ficarei bem aqui.

Resenha: Cidades de Papel

Em 08.07.2015   Arquivado em Livros

DivCidades

Sei que já postei uma resenha de livro essa semana, mas, gente, não dá. Nem parece que eu leio tanto quanto falo, mas a verdade é que desenvolvi uma certa compulsão de sair comprando mais livros do que consigo ler, aí a coisa tá bem louca, mas prometo que não vou mais deixar ninguém na mão.

Agora é a vez de mais uma célebre obra de um dos meus escritores mais amadinhos, João Verde John Green. Pra quem não lembra, fiz uma resenha de um outro livro dele anteriormente aqui no Além do Meu Mundo (se não lembra, corre aqui). Cidades de Papel é um dos meus livros favoritos, e não é porque é modinha. Não é porque é John Green. Quer dizer, esse segundo ponto influencia muito, mas a culpa mesmo é das estrelas da história.

Li esse livro já tem mais de um ano, e fiquei bem animada quando soube que um filme seria produzido. Então decidi esperar até o lançamento do filme, que é AMANHÃ, para resenhar o livro, e SIM, resenhar o filme!

Então vamos ao que realmente importa! <3

O livro é contado em primeira pessoa, pelo nosso personagem principal, Quentin Jacobsen, mais conhecido como Q. A história começa sem nenhuma pretensão, com Q contando um pouco sobre sua infância e como conheceu Margo Roth Spiegelman, uma garota magnífica que é sua vizinha e colega de escola desde sempre. Sim, Q é apaixonado por Margo, e sim, é uma paixão platônica. Eles sequer se conversam, são de grupos completamente distintos. O bom e velho desconhecido e atormentado pelos valentões e a querida e popular amada por todos.

Mas acontece que as coisas nem sempre foram assim. Lembram que falei ali em cima que Margo e Q são vizinhos? Pois bem. Quando pequenos, os dois conviviam bastante, eram super amigos e andavam juntos pra lá e pra cá. Só que tudo mudou depois de uma tarde em que as duas crianças encontraram um homem morto no parque. Alguma coisa aconteceu que fez a conexão entre eles se romperem. Talvez tivessem sido os fios

Enfim, depois desse episódio, a amizade deles nunca mais foi a mesma. Até a noite em que Margo Roth Spiegelman invade o quarto de Q com o rosto pintado e vestida de ninja intimando-o a ser seu piloto de fuga e assistente em um plano de vingança. E é claro que… Ele topa na hora.

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A noite se torna longa e cheia de aventuras, desde compras no supermercado a invasões domiciliares, pegadinhas, arrombamentos, castigos e fugas. Isso sem mencionar uma visita a um dos prédios da cidade e uma invasão ao Sea World.

A noite não poderia ter sido mais incrível para Quentin, ao qual estava vivendo um sonho aventureiro ao lado de sua paixão adolescente, rendendo risadas e muito autoconhecimento. Margo mostrou que era muito mais do que os olhos dele eram capazes de captar, e ele mal podia esperar pelo dia seguinte para ver como as coisas se desenrolariam entre eles na escola.

O problema é que esse dia jamais chegou. Ou melhor… O dia chegou, mas o encontro não. Margo Roth Spiegelman não apareceu na escola. Os boatos era de que a nossa misteriosa mocinha simplesmente havia desaparecido, e ela, que tanto adorava mistérios, acabara de se tornar um. Ou seja… Se vocês acharam que o que eu contei ali em cima já era a aventura… Estavam enganados, pois é aí que a aventura realmente começa!

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Ao lado de seus melhores amigos Radar e Ben, Q começa a juntar peças e desvendar pistas para descobrir o paradeiro de Margo. É quando ele finalmente descobre as Cidades de Papel. Quer saber o que são? Sorry, segredo secreto!

Depois de descobrir o que são as benditas Cidades de Papel e vasculhar lugares abandonados ao lado de seus amigos, Q conclui que finalmente tem pistas suficientes para encontrar Margo. Inesperadamente, Q percebe que contará com a ajuda de não só os seus dois melhores amigos, mas também Lacey (namorada de Ben e amiga de Margo).

Devo dizer que COMO SEMPRE, o John Green me surpreendeu. Mesmo sabendo que o estilo dele é surpreender, eu sempre acho que vou conseguir acertar o que vai acontecer no final, e nunca é aquilo realmente.

Acho que esse livro precisa ser lido por todo mundo, sério. Além da leitura leve e divertida que faz você rir do começo ao fim quando participa dos diálogos de Q, Radar e Ben, existe realmente um ensinamento por trás dessa história (em todas as histórias do Green, na verdade).

De todas as obras, acredito que essa foi a qual John Green mais se dedicou à pesquisa. Se alguém tinha dúvidas do nível de escrita dele, é nesse livro que se começa a repensar tudo. Os livros dele não se tratam apenas de arrancar lágrimas das menininhas. Em “Cidades de Papel”, os jovens finalmente conhecem a literatura de Walt Whitman, “Folhas de Relva”, e boa parte da história é baseada em um poema desse livro. É impressionante. Além disso, há também a pesquisa sobre as Cidades de Papel. Esse termo realmente existe e é super bem explicado no final do livro, o que eu havia achado desde o início que era apenas uma ideia saída da cabeça de John. E o mais incrível é que tudo isso se encaixa PERFEITAMENTE.

Lembro que depois que li o livro eu estava voltando do estágio, e eu fiquei simplesmente estática, em silêncio. Não conversei com ninguém por umas duas horas e tudo o que eu conseguia fazer era refletir sobre tudo o que eu havia acabado de ler, e como todas aquelas palavras e reflexões eram tão reais.

“Cidades de Papel” não é só romance, não é só comédia. Não é só sobre uma menina que quer se vingar de seus amigos. Não é sobre uma menina que desaparece. Não é sobre um paradeiro. É sobre mim, sobre você. É sobre como as pessoas nada mais são do que… Pessoas. Pessoas preocupadas demais em serem algo além do que elas mesmas são. Sobre as pessoas olharem umas para as outras e não se enxergarem de verdade, e sim o reflexo de si mesmas.

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Se quiser entender um pouquinho mais da história, que tal um vídeo do próprio John Green explicando? <3

Curtiu? Dá tempo de ler o livro!

PDF – Cidades de Papel – John Green

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