Carta aos Leitores

Em 18.02.2016   Arquivado em Por aí

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Liberdade ou Solidão – Tiago Iorc

Sim, dessa vez eu vim me explicar. Porque apesar de não serem muitos, vocês, meus leitores, têm sido fieis e vindo visitar o Além do Meu Mundo com mais frequência do que eu esperava. Aliás… Não só vieram visitar, como também vieram perguntar por onde a dona desse mundo andava.

E por esse motivo acho que lhes devo satisfações e desculpas por ter sumido sem aviso prévio.

Quem me conhece sabe que não sou de ficar expondo minha vida pessoal aqui no blog. Quer dizer… Nem precisa me conhecer o suficiente. Basta dar aquela checada básica no conteúdo dos posts. Por isso, talvez alguns de vocês considerem as minhas explicações um tanto quanto superficiais. Vou tentar fazer o máximo para me fazer compreendida.

Pois bem. O Além do Meu Mundo parou por um tempinho, mas o meu mundo não. Muitas coisas aconteceram desde o último post, e por vezes pensei em postar uma crônica pronta. Eu tenho um enorme arsenal já pronto e poderia muito bem ter alimentado o conteúdo do blog. Mas o problema é que eu não sentia vontade.

“Como assim, Nats? É só copiar e colar, quirida.” Ora essa, eu bem sei! Afinal de contas, os posts geralmente são pré-produzidos, o que significa que não os produzo no momento de postá-los.

Inúmeras foram as vezes em que loguei na conta para postar. Mas por algum motivo que até agora não sei dizer qual, achava que nenhum dos posts que eu tinha deveria ser postado naquele momento. Não era o momento deles, sei lá. Dá pra entender?

Sei que não… Mas não se preocupem, pois isso me frustra tanto quanto deve frustrar vocês. Quer dizer… Esse é o momento em que eu tenho mais ideias, mais coisas brotando do meu coração e prontas para serem passadas para o papel (ou tela). E toda vez que peguei meu livrinho de viagem… Toda vez que abri o Word… Meus dedos tamborilavam e desistiam.

Porque minha cabeça está a mil e não consegue transferir o comando certo aos meus punhos. Não consegui escrever para o blog… Não consegui escrever minha fanfiction… Não consegui escrever uma porcaria de um cartão postal! E então eu acho que entendi.

Entendi depois de muito tempo que era tempo de não escrever, mas sim de viver. Estou sempre tão preocupada em querer escrever sobre tudo o que vejo e todos que conheço e desconheço… Que esqueci de escrever a principal história: a minha.

A realidade é que sempre esqueci de mim. Sempre coloquei as pessoas na frente, cuidei muito mais delas do que de mim. Gostei muito mais delas do que de mim. Na teoria e na poesia isso é lindo. Mas na prática…

Você vai desaparecendo sem nem perceber. E essa foi a minha resolução de Ano Novo: eu desapareci.

Desapareci e não sabia como mudar aquela sensação. Pela primeira vez me senti um pontinho sendo engolido pelas luzes e prédios da minha tão amada New York. Pela primeira vez não me senti parte dela nem de nenhum lugar. Algo estava muito errado e eu precisava mudar.

Era hora de eu começar a “olhar para o meu umbiguinho”, hora de pensar no que era melhor para mim, e não para os outros. Tem uma frase que pelo menos uma vez na vida todos nós escutaremos. “É você em primeiro lugar, você em segundo, em terceiro… E DEPOIS você pode PENSAR em começar a pensar em alguém.” Pois bem.

Pensar apenas em si mesmo não é assim tão simples quanto parece, não se deixe enganar. Porque pensar em si mesmo inclui ignorar o que as pessoas pensam sobre você ou se você terá que magoá-las para colocar o seu interesse e a sua pessoa em primeiro lugar. Inclui você tentar parar de controlar tudo ao seu redor. Inclui você parar de controlar o que sente e começar a se perguntar o que de fato está sentindo.

E é nesse processo em que me encontro neste exato momento. Foi uma surpresa quando finalmente decidi abrir os meus olhos, quando finalmente decidi olhar para baixo e me enxergar em vez de olhar para os lados. Tem coisa pra mudar, muita coisa pra fazer. E eu nem sei direito por onde começar, mas a principal coisa eu tenho: vontade.

Vontade de me amar. Vontade de tentar. Vontade de errar. Vontade de crescer. Vontade de me arrepender. Vontade de arriscar. Vontade de correr. Vontade de me machucar. Vontade de sarar. Vontade de refletir. Vontade de escrever. Vontade de concluir. Vontade de recomeçar. Vontade de viver.

E a notícia é: tem tanta vontade em mim que estou voltando. A espera acabou, meus leitores, meus amigos.

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