Au Pair: Namoro a distância

Em 15.10.2015   Arquivado em Por aí

distância

Pois é. Depois de muitos pedidos, resolvi falar do assunto que assusta muito as futuras au pairs que deixarão o país e são comprometidas.

Aí vocês devem estar se perguntando: “Como sobreviver a isso?”/”Nosso amor vai acabar!”

cryyy

Meu primeiro conselho é:

bitchpause

Calmou? Então agora vamos lá!

Ninguém aqui tá falando que vai ser uma coisa simples, porque não é. E eu acho que eu sou a melhor pessoa pra falar sobre isso por motivos de: já passei por isso antes.

Há dois anos atrás eu tive um namorado que foi fazer intercâmbio em Dublin e ficou lá 8 meses. Aí vocês devem estar pensando: “Você deve ter morrido.”

Pra ser sincera, eu achei que fosse mesmo.

MAKEITSTOP

Só que não. Ao que contrário do que podem pensar, aprendi MUITA COISA com essa distância. Aprendi a me conhecer melhor, a saber meus gostos, a ficar sozinha… E descobri que ficar sozinha é totalmente diferente de ser sozinha, e que em alguns momentos isso é uma delícia!

É claro que eu não descobri isso de cara, né, gente. Tive que aprender na marra. Nós dois aprendemos com os erros e estamos tentando não cometer os mesmos erros que cometemos quando ele foi, e mesmo assim, todo dia é uma nova lição a aprender!

Então eu estou aqui para tentar acalmar o coração dessas moças todas com algumas diquinhas primordiais pra que esse relacionamento perdure.

 

Diálogo

Esse é o primeiro item porque provavelmente é a primeira coisa que acontece quando você decide que quer ser au pair. Vocês vão precisar conversar sério e honestamente para saber o que será do relacionamento de vocês a partir deste momento.

Você vai. Essa é a primeira coisa a ser dita. Vocês vão continuar o relacionamento? Ele(a) aceita continuar o namoro? Como vai funcionar? Vocês vão se ver? Ele(a) vai te visitar?

Como você pode ver, tem MUITO assunto pra ser resolvido.

Não faça novela novela mexicana antes da hora.

novelamexicana

 

Compreensão

Esse item é primordial no relacionamento, ainda mais em se tratando de intercâmbio. E isso não serve só pra quem está ficando, mas pra quem está partindo também.

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Pra quem fica

Não vou ser hipócrita, até porque já estive no lugar de quem fica. Esse é o papel mais difícil. É compreender logo de cara que o seu amor deseja realizar algo pessoal do qual você não irá necessariamente fazer parte, mas que isso não é de um todo ruim (só que você só percebe isso depois). É compreender que o egoísmo precisa ser deixado de lado. Acho que essa foi a parte mais complicada pra mim quando ele foi, e eu sinto muito por isso até hoje. Sei que era mais nova, mas acho que eu poderia tentar levar as coisas um pouco menos na emoção, só pra variar um pouquinho.

Também tem que compreender que o seu amor está indo desbravar uma outra terra e conhecerá pessoas novas, mas isso (pelo menos no nosso caso) não será uma ameaça ao seu relacionamento.

 

Pra quem vai

Apesar de você estar com a cabeça à mil, com visto, malas, família, ansiedade tudo ao mesmo tempo, terá que abrir um espaço gigante pra compreender que o seu amor que está ficando vai sofrer mais do que você nesse período, e isso é triste e inevitável. Não adiantará você dizer que tudo vai dar certo, que vocês vão passar por isso, que você continuará amando-o(a). Nada faz o sentimento de “perda” dele(a) ir embora, e você precisa entender que isso não é necessariamente sua culpa. Você vai ficar triste e vai sofrer junto, óbvio. Mas não se sinta culpada(o).

Você vai ter que compreender que “cada cabeça é uma sentença”, e que ele(a) pode reagir de diferentes maneiras. Talvez ele(a) queira participar de todo o processo, queira te ajudar com as malas, queira saber dos seus planos (como no caso do meu namorado). Mas pode ser que ele(a) não queira nem ouvir a palavra “intercâmbio” ou o nome do destino para onde você vai. Talvez ele(a) não aguente e comece a chorar só de pensar à respeito (como no meu caso. Culpada nos dois itens). E de novo, eu muito me arrependo da minha postura diante disso, pois era um momento em que meu namorado precisava de apoio e eu não o dei. Peço desculpas pra ele até hoje por isso.

 

Paciência

Como se não bastasse vocês terem que lidar com a própria situação e com a saudade de matar, ainda tem aquelas pessoas que fazem você perder a cabeça, tentando te fazer pensar besteira mesmo sem intenção. Não entendeu?

Sabe aquele primo que solta: “Nossa, mas relacionamento a distância não dá certo, cês sabem, né?” ou “Iiiiih, quem vai trair primeiro?”. Melhor: “Ahh, mas comigo não rolou não. Terminamos no primeiro mês.”

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SEMPRE vai ter uma pessoa querida assim pra te “ajudar” a passar por essa situação, então o que eu tenho pra dizer é: respira fundo e confia no seu relacionamento.

Você já conversou com o seu/sua parceiro(a) a respeito e vocês são os ÚNICOS que sabem do relacionamento de vocês. Não deixe que ninguém possa ditar o que será de vocês agora. As únicas pessoas que vão fazer isso dar certo (ou não) são vocês dois e PONTO FINAL.

 

Ciúmes

Cheguei onde todo mundo queria, né? NÉ!

É inevitável, gente, sinto dizer. Até o ser menos ciumento do universo vai virar a Namorada Sinistra nesse momento.

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A culpa é da distância, que aumenta tudo na gente: a saudade, a insegurança, o medo de perder. Mas também digo que a culpa será sua se ficar se encanando com qualquer coisa.

Não pense você, que vai ficar no Brasil, que seu boy/sua girl vai ficar entocado em casa nos finais de semana e dias off, porque eles não vão. Eles estão em um país diferente e TAMBÉM querem curtir. E não pense você, que tá viajando, que seu boy/sua girl também não vão querer sair pra se distrair, uma vez que você não está lá para fazerem isso juntos. É uma troca justa, né?

E sim, haverão amigos novos, principalmente quem estiver viajando. E isso faz parte, so sorry, mate.

É claro que é preciso estabelecer certos “limites”. E quando eu digo “limites”, não é impor nem viver em um “relacionamento abusivo”. Vamos chamar isso de bom senso, ok?

“Como assim, Nats?” Bom. Sempre que você for fazer algo e pensar se aquilo vai magoar seu/sua parceiro(a), pense “E se fosse o contrário? Eu me chatearia?”. Sim sim. Sabe aquela frase da nossa mamãe “Não faça aos outros o que você não quer que façam com você?”. Adote e siga com amor e carinho e todos ficarão felizes (e vivos).

 

Confiança

Apesar de esse item estar intrinsecamente ligado ao item acima, resolvi dar um espacinho especial para falar. Isso não é novidade e não é a primeira vez que você ouvir (ler, no caso): Confiança é a base e todo o relacionamento.

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Acredito que você conhece com quem está namorando e sabe muito bem o que esperar e o que não esperar do(a) seu/sua parceiro(a). Nesse ponto vocês já conversaram bastante e sabem o que é saudável e o que não é para o relacionamento de vocês, certo? Diz que sim, for Christ Sake.

Vocês passarão por muitas provações e muitos mal-entendidos, e aí entra aquele item do diálogo, lembra? Não interprete nada antes de conversar, não dê espaço para que sua interpretação seja a história real sem antes ouvir o outro lado.

 

Honestidade

Eu poderia ter falado isso tudo no item acima, mas também acho primordial falar sobre isso separadamente. Fale SEMPRE o que sente. Nunca deixe pra falar depois, fale quando der na telha, no momento em que estiver sentindo.

Se estiver inseguro(a) diga. Se estiver com saudade diga. Se estiver com raiva diga. Se estiver triste diga. Se estiver sofrendo diga. Se estiver feliz e quiser compartilhar uma novidade diga. Se estiver confuso diga. Não deixe nada passar.

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Se em algum momento do relacionamento um dos dois sentir que não conseguirá mais lidar com a distância por qualquer motivo… Seja por estar desgastado(a), cansado(a) ou até mesmo interessado(a) em outra pessoa, diga.

Se você não ama mais a pessoa com quem está, pelo menos respeite a história e o amor que compartilharam pelo tempo em que estiveram juntos. Seja homem/mulher e fale a verdade. Não magoe quem está à sua espera. Não magoe quem está longe, porque não é justo com ninguém.

 

Bom, acho que o post já virou uma bíblia, então eu deixarei esse assunto em aberto porque ainda falarei sobre diquinhas fofas para manter o relacionamento.

 

O que você acha de namoro a distância? Acha que conseguiria lidar? Deixe suas dúvidas, críticas, mágoas e frustrações aqui! RIRI

  • Monique

    Em 15.10.2015

    Nat, concordo com tudo que disse ai!
    Tambem namorei a distância por 6 meses…Embora eu tenha morado nos US por 1 ano e 2 meses, o Maicon me visitou neste meio tempo e aliviou um pouco a saudades. Inclusive os planos que fizemos antes para que ele fosse me visitar aliviou toda agonia de estar longe.
    Sempre segui a frase "Não faça aos outros o que não gostaria que fizesse com você" e posso dizer que tudo ocorreu bem este tempo. Sempre tentei mostrar a ele o quanto pensava nele fosse por mensagens, lembranças, cartas… Quase que mensalmente enviava algo pelos correios para que ele se sentisse querido mesmo estando longe. Acredito que quem fique sofra mais, afinal a rotina e a vida continua a mesma, e imagino o quao difícil seja reestabelecer uma nova rotina principalmente nos fds. Bom, é necessario paciência, compreensao e bom senso de ambos lados.
    O tempo passa depressa e deve se avaliar o quao valioso é o relacionamento que se tem.
    Hoje após a distância que tivemos, vejo o quao forte nosso amor se tornou, e o quanto evoluímos com tudo isto. E se um dia ele disser que é a vez dele partir, eu o apoiarei, de coraçao apertado, mas apoiarei, assim como ele fez comigo. Aprendi que jamais devemos impedir o outro de sonhar e de viver seus sonhos.

  • Gabriela

    Em 15.10.2015

    Olha, não sou a pessoa que sempre comenta em tudo o que há na internet pra se comentar, mas achei que aqui vale a pena.
    Primeiramente, obrigada pela sua postagem, parece que com pessoas que vivem ou já viveram situações parecidas com a nossa, faz com que a gente se situe e afirme pra si mesma que nada é impossível. O google é realmente maravilhoso, coloquei "au pair namorando" e bum! hahaha
    Eu namoro há 3 anos e quando a gente tinha apenas 9 meses de namoro ele foi pra Escócia num intercâmbio de 1 ano. Eu fui pra lá depois de 4 meses da partida dele, mas mesmo assim as coisas não ficaram melhores.
    E é muito incrível que eu me identifique com tudo isso que você descreveu acima: insegurança, ciúmes, sentimento de perda, egoísmo, etc etc.
    Por mais que tenha sido uó, eu descobri muitas coisas em mim, e isso foi muito bom. Inclusive aprendi dicas pra lidar melhor com essa situação, caso eu viesse a passar por isso novamente.
    E mais ou menos 5 meses depois que ele voltou, eu fiquei 1 mês no Uruguai. Foi por um curto período de tempo, mas deu pra entender todas as razões dele pelas quais eu encrenquei na vez que ele foi viajar. E a forma que ele reagiu foi mais ou menos a mesma que eu reagi quando ele foi. Ou seja, é isso aí que você descreveu, quem fica sofre mais, porque o outro ta vivendo o novo e, querendo ou não, tá cheio de coisas pra fazer, não só na pré-viagem como durante. São mil coisas pra se preocupar, muitas delas as quais não precisávamos nos preocupar vivendo em casa, com os pais. E isso é um baita baque, com certeza. A maior diferença de quem vai pra quem fica é essa, que quem vai tem mais coisas pra ocupar a cabeça, e isso ajuda demais. É aquele ditado: cabeça vazia, oficina do diabo.
    Agora, eu quero fazer esse programa de au pair, e a minha maior preocupação é o meu namoro. E lendo agora essa postagem, parece que me deu mais uma coragem pra seguir com essa ideia. Nós (eu e ele) já conversamos um pouco sobre isso e ele me apoia. Mas o mais importante é que eu acho que agora estamos mais maduros na nossa relação e temos experiências prévias pra fazer isso funcionar melhor.
    Uma coisa que ele me disse, que você comentou aqui também: talvez no futuro ele quem precise partir, e aí? Eu não vou ter feito algo por causa dele? Só por causa do medo?
    O medo é a pior coisa que existe, de fato. E se eu não tenho medo de ir, como tantas pessoas têm, vou ter por causa do meu namorado? Não que ele não seja importante, claro que é, importante mais que demais, ou então não estaria aqui procurando o que fazer hahaha
    Mas mesmo nessa situação, que envolve uma das pessoas mais importantes da sua vida, acho que uma pessoa deve estar sempre a frente: você mesma.

    O resto vai dar certo!

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