Além de Tudo

Em 24.04.2015   Arquivado em Crônicas

 

divalemdetudo

Eu saí pela porta sem nem olhar pra trás. Sabia que se me atrevesse, eu desistiria. É difícil se desprender de algo ao qual se está tão acostumada.

Eu nem sabia para onde estava indo, mas sentia que seria uma grande jornada. Conseguia sentir o sangue correr quente pelo meu corpo, em busca de algo que eu nem sabia o que era. Mas eu simplesmente corri. Corri até me perder na escuridão daquela cidade viva apenas pelas luzes que me embaçavam os olhos. Corri até sentir o ar se esvair e meus pulmões arderem. Até eu sentir meu coração bater contra o peito com força, pedindo por mais emoção, por mais aventuras.

Sempre fui o tipo de garota que escondia o rosto, que sorria de canto. Aquela que sentava na janela à espera de um sonho que talvez passasse por ali, enquanto observava as poucas estrelas que são ofuscadas pela presença das luzes artificiais em meio àquela cidade que se confunde com tanto cinza. Ficava ali assistindo as vidas passarem abaixo de mim. Tantas histórias, tantos universos… E eu ali, no meu pequeno infinito. Bem, eu cansei. Cansei e fugi do óbvio.

Chega de viver o que querem que eu viva. Eu quero calor, eu quero intensidade, eu quero incerteza, eu quero pular de cabeça e sentir aquele frio na barriga de uma queda livre, sem cordas, sem nada que me segure. Quero voar. Voar alto o bastante para ver tudo o que eu perdi vivendo naquela ilha de mesmice que achei que fosse o certo. Quero que o vento brigue com o meu cabelo, que assim como eu, quer ser livre. Sem amarras.

Quero levar um tombo, bater as costas, ralar o joelho. Quero sentir dor, quero chorar, e quero que aquele mesmo vento que brigou comigo vire meu amigo e me seque as lágrimas. Quero que a dor passe e eu volte a andar, para depois correr, pular. E voar. Quero que o sol me cegue com a sua luz, a única luz real capaz de vencer as artificiais. A única luz capaz de se vingar pelas estrelas que perdem seu brilho diante da imensidão e da imponência dos prédios durante a noite. Quero que esse sol me cegue e me faça acreditar na felicidade plena para que eu aposte todas as minhas fichas naquele amor maluco. Quero ter que quebrar a cara e achar que jamais me recuperarei. E quero me recuperar. E quero amar de novo.

Eu fugi do óbvio para transcender. Viver. Ir além. Além do meu mundo.

 

  • Simone Montilares

    Em 24.04.2015

    Eu amei o texto e tô ainda mas encantada ainda com seu blog que lugar lindo <3

  • Bianca

    Em 24.04.2015

    Nossa amei o texto flor e o seu blog é lindo!
    http://www.flormorenamodas.com

  • Isabella Alves

    Em 24.04.2015

    Uauuuuuuuuuu que texto lindo, intenso e expressivo. Quero sentir as mesmas coisas que você descreveu nele <3
    Amei demais, o texto e o blog. Parabéns! ;D

  • Adan

    Em 24.04.2015

    Que texto maravilhoso! Adorei o layout de seu blog, a escolha das imagens e principalmente a sua escrita. É claro que passarei aqui muitas e muitas vezes, parabéns!!
    Abraços, de seu mais novo leitor, Adan ;))

  • Manoela

    Em 24.04.2015

    Lindeza demais o seu blog e me identifiquei com várias frases do seu texto. Poste mais textos, acho incrível quem consegue escrever tão bem. Beijos http://www.galadedali.com

  • malu

    Em 24.04.2015

    que texto incrivel, amei, você tem uma escrita maravilhosa, não me surpreenderia se eu ficasse aqui lendo seus textos o dia inteiro!
    Adorei.

    Um beijo, http://www.estilo-malu.blogspot.com.br

  • Dani Pereira

    Em 24.04.2015

    Que crônica linda! É realmente empolgante ver alguém querendo e fugindo do óbvio, não sendo mais aquela pessoa ordinária. Também faço de tudo pra não ser "mais uma", haha.

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